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Por que jogos do Brasil com ingressos esgotados não lotam e têm "buracos"

Lucas Figueiredo/CBF
Torcida da seleção brasileira na Arena Fonte Nova, em Salvador Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

Bruno Grossi, Danilo Lavieri, Marcel Rizzo e Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

2019-06-20T04:00:00

20/06/2019 04h00

Os dois primeiros jogos do Brasil na Copa América-2019 tiveram uma peculiaridade: público presente anunciado inferior à carga de ingressos colocada à venda depois de o site oficial do torneio informar que estavam esgotados dias antes das partidas. Depois de explicar o mistério da renda milionária da estreia brasileira contra a Bolivia, de mais de R$ 22 milhões, o COL (Comitê Organizador Local) falou sobre esses confrontos que acabaram com assentos vazios mesmo sem entrada disponível para se comprar.

Na Fonte Nova, para Brasil x Venezuela na terça (18), houve 5.848 ingressos não vendidos, de uma carga total de 48.435 (o público presente total foi de 42.587, sendo 39.622 pagantes e 2.965 gratuidades). Há, segundo a organização da competição, cotas de ingressos que são reservadas, mas não têm a aquisição finalizada. São as associações nacionais participantes ou patrocinadores que optam por comprar bilhetes a mais do que é destinado a eles, normalmente da categoria 1, a mais cara de todas. Essas entradas extras são pagas, mesmo para confederações filiadas à Conmebol, mas ocorre que na véspera do jogo essas entidades, ou parceiros comerciais, acabam adquirindo de fato menos do que reservaram. Essa sobra volta ao sistema e vai à venda para o público em geral, e muitas vezes acaba encalhando.

Para o jogo Brasil x Venezuela, por exemplo, na segunda (17), véspera do confronto da Fonte Nova, se alguém entrasse no setor de ingressos do site da Copa América (copaamerica.com) via que não havia bilhete para comprar. Na manhã de terça (18), dia do confronto, aparecerem ingressos disponíveis, principalmente da categoria 1, a mais cara. Todos esses bilhetes que reapareceram foram sobra de reservas não confirmadas por patrocinadores ou entidades participantes.

Na estreia do Brasil contra a Bolívia, dia 14 de junho no Morumbi, foram colocados à venda 60.340 ingressos, a capacidade operacional máxima do estádio do São Paulo para a Copa América -- cabem no Morumbi mais de 65 mil pessoas, mas muitos assentos acabam bloqueados por diversos motivos, como separar área de imprensa ou por não terem visibilidade ideal.

Dos 60,34 mil ingressos, 47.619 foram vendidos e 3.968 dados como cortesia. Isso dá um total de 51.587 emitidos, uma diferença de 8.753 entradas para a carga total, o que fez todos estranharem já que havia tempo que a abertura da competição era dada com bilhetes esgotados. Segundo o COL, dos ingressos vendidos, compareceram 46.342 pessoas, incluindo torcedores em geral e hospitalidade. Portanto, 1,277 pessoas que compraram ingressos não foram ao estádio.

Dos 8.753 ingressos não vendidos, 2.366 são de hospitalidade, aqueles de camarotes e áreas VIP, 4.514 foram reservados para venda a patrocinadores do torneio e parceiros e 1.873 foram ingressos da categoria 1, que acabaram não tendo a venda concluída. O COL quer agilizar esse processo de retorno desses bilhetes para a venda ao público em geral para tentar minimizar que entradas encalhem na competição, que já tem recebido críticas por públicos pequenos em partidas menos atraentes.

Para tentar dar maior transparência, a direção do COL pediu para que se mudasse o termo usado no site para setores de arquibancada com ingressos já fora de circulação: em vez de esgotado, que era usado no início do torneio, a palavra agora que aparece no site é indisponível. Na visão do COL deixa mais claro que há possibilidade de ficar disponível novamente em algum momento.

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