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Seleção feminina comove torcedores com discurso, mas poupa CBF e comissão

Loic Venance/AFP
Marta lamenta o gol sofrido pelo Brasil na prorrogação contra a França Imagem: Loic Venance/AFP

Ana Carolina Silva

Do UOL, em Le Havre (França)

2019-06-24T04:00:00

24/06/2019 04h00

Ao deixar o campo após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo feminina, Marta fez um desabafo que comoveu a maioria dos torcedores nas redes sociais. Ela e outras atletas pediram mais profissionalismo e dedicação das meninas jovens que sonham com o futebol no país, mas, por outro lado, pouparam a CBF e a comissão técnica de Vadão.

"Será que a gente não vê a Formiga com 41 anos? Será que é milagre o que ela faz? Ela se cuida e treina para caramba. É um apelo: a gente quer cobrar, mas tem de ser cobrada. Cobrada no sentido de querer fazer as coisas: melhorar fisicamente, se cuidar, treinar, viver como atleta. A gente tem os momentos de se divertir, mas tudo dentro de um cronograma. Vai dizer que eu não tomo uma cerveja? Eu tomo uma cerveja, sim, mas na hora que é conveniente", disparou Marta.

Ela já havia dito coisas parecidas em entrevista à TV Globo na saída de campo, e muitos telespectadores interpretaram que aquela poderia ser uma crítica pontual a alguma atleta da seleção atual. Posteriormente, na zona mista do Stade Océane, Marta explicou que estava falando sobre o futebol feminino brasileiro de modo geral.

Ou seja, a camisa 10 deu a entender que cabe às novas garotas brigar pela evolução da modalidade, e não citou responsabilidades que a CBF poderia ter. Neste momento, por exemplo, questiona-se qual é o planejamento que a entidade faz para a disputa do Mundial e do Sul-Americano nas categorias sub-20 e sub-17, que ocorrem no ano que vem.

Em vez de falar sobre o próprio técnico e os profissionais acima dele na hierarquia, como o coordenador Marco Aurélio Cunha, Marta deixou o espaço dando provável indireta a Emily Lima: "Para quem falou que eu vim machucada, joguei 120 minutos e não senti p... nenhuma".

Lesionada e desfalque do Brasil nos jogos contra Itália e França, Andressa Alves também discursou sobre comprometimento. "Vejo muita menina que quer estar na seleção, mas não é profissional, não se dedica. Quer ir para uma festa? Não tem problema: ganhou o jogo, pode ir. Mas não se dedica, não cuida da alimentação, não treina como tem de treinar. Pô, está na seleção, tem de ser profissional. Você que escolheu isso", afirmou a atleta do Barcelona.

Em seguida, o UOL Esporte perguntou a Andressa se ela se referia a alguma jogadora específica do grupo brasileiro que disputou a Copa do Mundo. "Nesse grupo, não. Pelo contrário, as meninas foram super profissionais. Estou muito orgulhosa das meninas, de verdade", concluiu.

Autora do gol brasileiro na derrota por 2 a 1, Thaisa começou a falar sobre como é importante que os clubes do país invistam na contratação de profissionais que "realmente estudam o futebol feminino", como ocorre no exterior. Este pedido poderia ser aplicado também à CBF? Vadão e o coordenador Marco Aurélio Cunha são capacitados para gerir a modalidade?

"Eu acredito que sim. Futebol não é matemática, muita gente fala que é errado isso, errado aquilo. Cada um tem sua metodologia de trabalho, e a nossa era essa. Não é a CBF, porque a gente tem tudo o que precisa quando chega aqui", comentou a meio-campista do Milan.

A reportagem teve breve contato por mensagens de texto com Marco Aurélio na noite de ontem (23), após a partida, para entender a situação de Vadão. "Todos são eliminados, só uma seleção vence. Quem pode te responder é o presidente Rogério Caboclo. Sou empregado da CBF. Acredito que não houve decepção (com o trabalho de Vadão)", disse o coordenador.

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