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Jesus supera Copa, brilha mesmo com expulsão e leva 10º título aos 22 anos

Gabriel Jesus comemora gol da seleção brasileira na final da Copa América 2019, no Maracanã (RJ) - Pedro Vilela/Getty Images
Gabriel Jesus comemora gol da seleção brasileira na final da Copa América 2019, no Maracanã (RJ) Imagem: Pedro Vilela/Getty Images

Danilo Lavieri, Marcel Rizzo, Leo Burlá, Pedro Lopes e Rodrigo Mattos

Do UOL, no Rio de Janeiro

07/07/2019 18h59

Gabriel Jesus sofreu com críticas durante a Copa do Mundo de 2018, e acabou passando em branco pela competição na Rússia. Contou com a confiança de Tite, mas chegou à Copa América como reserva da seleção brasileira. Ao longo das partidas, ganhou a posição. No título conquistado hoje, diante do Peru, no Maracanã, foi fundamental. Apesar de receber o cartão vermelho na segunda etapa, comandou a vitória por 3 a 1 com um gol, um drible desconcertante e uma assistência. Com a atuação na primeira conquista da equipe principal brasileira na era Tite, o atacante coroa a volta por cima e, aos 22 anos, acumula dez títulos na carreira.

O currículo de Gabriel é extenso para um jogador jovem. São seis títulos com o Manchester City (Campeonato Inglês 2017/18 e 2018/19, Copa da Liga Inglesa 2017/18 e 2018/19, Copa da Inglaterra 2018/19 e Supercopa da Inglaterra 2018), dois com o Palmeiras (Copa do Brasil 2015 e Brasileirão de 2016), as Olímpiadas de 2016 e agora a Copa América 2019 com a seleção brasileira.

Na décima e última conquista, o camisa 9 assumiu o papel de protagonista. Ganhou a posição no terceiro jogo da fase de grupos, diante do Peru. Na fase mata-mata, foi decisivo quando era mais importante: gol e assistência na semifinal, diante da Argentina, e novamente na final, contra o mesmo Peru. A final não foi sem contratempos. Expulso no meio da segunda etapa após fazer uma falta em Zambrano (já tinha o cartão amarelo), Gabriel deixou o campo chorando muito. Revoltado, chegou a dar uma pancada na cabine do VAR. As lagrimas, entretanto, foram interrompidas em poucos minutos pelo terceiro gol e a conquista da taça.

Gabriel Jesus chora na parte interna do Maracanã depois de ser expulso na decisão - Reprodução
Gabriel Jesus chora na parte interna do Maracanã depois de ser expulso na decisão
Imagem: Reprodução

O caminho para reencontrar os gols e assumir um papel decisivo na seleção de Tite foi longo. Depois do Mundial 2018, Jesus acabou se tornando reserva do argentino Aguero no Manchester City. O atacante admitiu o abalo na confiança, e não deixou de reconhecer que não atravessou o melhor momento.

"Logo após a Copa foi muito difícil para assimilar. Mas, hoje, eu vivo esse momento não só por um problema meu, mas também pela grande fase do Agüero. Naquela época do pós-Copa, sim, foi mais difícil. Eu pensei muito nisso e foi realmente difícil. Foi o momento mais difícil que vivi como jogador. Mas eu superei, foi normal. Eu trabalhei, conquistei o meu espaço de novo e tenho ajudado o meu time. A Copa me abalou, mas foi só no começo da temporada", disse, em março, concentrado em Portugal com a seleção brasileira.

Para reencontrar a forma, Gabriel Jesus procurou um preparador físico para trabalhar à parte. Além disso, fez um trabalho para evoluir as finalizações e arriscar mais.

"Busquei sempre a evolução, passei um momento complicado no City, não jogava muito, logo fiquei conversando com minha família, me ajudaram bastante, busquei um preparador físico para me ajudar, ele está me ajudando bastante", afirmou, durante a Copa América. "Procurei buscar finalizar mais, minha média de finalização era muito baixa, tinha jogo que saía sem finalizar, isso complicava demais para um atacante. Venho treinando muito no City e o foco é na finalização, sempre buscar finalizar mais, vejo atacantes, o Aguero finaliza muito no gol durante os jogos e isso facilita".

Durante a competição, Gabriel não foi importante só pelos dois gols marcados - as assistências diante da Argentina e do Peru, nas semifinais e na final, foram fundamentais. Gabriel também bateu e converteu o último pênalti da disputa diante do Paraguai, nas quartas de final.

Gabriel Jesus recebe o cartão vermelho na decisão diante do Peru - Chris Brunskill/Fantasista/Getty Images
Gabriel Jesus recebe o cartão vermelho na decisão diante do Peru
Imagem: Chris Brunskill/Fantasista/Getty Images

Atuando aberto pelo lado direito, o atacante também redescobriu o lado driblador. Foi com um drible desconcertante no marcador que ele abriu caminho para criar a jogada do primeiro gol brasileiro da final. Ao longo de toda a competição e dos amistosos preparatórios, Jesus procurou encarar a marcação em situações de um contra um. Chegou a aplicar um elástico no primeiro jogo preparatório, contra o Qatar.

O protagonismo na Copa América veio em um momento no qual o Brasil não contou com sua principal estrela, já que Neymar foi cortado antes da competição com uma lesão no joelho direito. Com o título, o atacante do City, artilheiro isolado da seleção na era Tite com 18 gols, consolida sua posição como um dos pilares do treinador no ciclo visando a Copa do Qatar em 2022.

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