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25 anos do tetra: só uma revista (de celebridades) era aceita pela seleção

Dunga, Romário, Gilmar, Ricardo Rocha e Branco no hotel antes da semifinal contra a Suécia: a cerveja não era problema - Pisco Del Gaiso/Folha Imagem
Dunga, Romário, Gilmar, Ricardo Rocha e Branco no hotel antes da semifinal contra a Suécia: a cerveja não era problema Imagem: Pisco Del Gaiso/Folha Imagem

Diego Salgado, Gabriel Carneiro e Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

14/07/2019 04h00

Blindar a delegação e evitar os erros da Copa de 1990 era um dos mandamentos da seleção brasileira durante as semanas em que o grupo esteve nos Estados Unidos antes da Copa do Mundo de 1994. Para colocar a ideia em prática, algumas determinações foram criadas pelos próprios futuros tetracampeões antes da viagem. Não haveria empresários, representantes de parceiros comerciais na concentração e até familiares.

Tampouco jornais brasileiros. E isso criou um dos detalhes mais curiosos da história do Tetracampeonato do Brasil, que completa 25 anos nesta semana. Sabe qual era o único veículo de comunicação permitido entre os atletas? A revista de celebridades Caras.

"A única coisa que entrava lá era isso. Só tinha foto na revista", contou Moraci Sant'Anna, preparador físico do tetracampeonato da seleção, em entrevista ao UOL Esporte.

Para os líderes da seleção brasileira, principalmente os remanescentes do Mundial da Itália, como Dunga, Branco, Ricardo Rocha, Romário e Taffarel, era preciso esquecer a opinião pública sobre o contestado time de Carlos Alberto Parreira. Mas passar horas e horas nos hotéis não era uma tarefa das mais fáceis, e então abriu-se uma exceção para a Caras, cujo foco era celebridades. Valia o risco pela descontração.

Vinte cinco anos depois da conquista histórica na Copa de 1994, Moraci também relembrou um esquema montado para manter os atletas concentrados. Um assessor fora designado para "filtrar" as ligações recebidas no hotel de Los Gatos, local onde a equipe ficou a maior parte da campanha. "Tinha uma relação dos parentes, familiares, noivas a namoradas. Só esses telefonemas passavam, os que estavam credenciados", explicou Moraci.

O oba-oba de quatro anos atrás não aconteceria. Na Itália, era comum o livre acesso de empresários na concentração. E isso, segundo os remanescentes, tinha contribuído para o fracasso. A regra estendeu-se até para as pessoas próximas. "A nossa família era o seguinte, a gente ficava em Los Gatos, 70 km de São Francisco. Nós cortamos a presença, nós, nós. A atitude foi nossa, junto com a CBF. Ninguém morre por ficar um mês sem ver o filho direito. De cinco em cinco dias tinha uma folga, via a tua família na folga", explicou Ricardo Rocha.

A atitude dos atletas foi vista com bons olhos pela comissão técnica. Para eles, aquele sinal de maturidade dizia muito e faria a diferença nos momentos mais difíceis da Copa dos Estados Unidos. "Eles resolveram isso antes. Não pode entrar nada para se concentrar e conquistar a Copa. Era 50% do caminho andado com essa atitude. Os caras estavam imbuídos de trazer a Copa", ressaltou Moraci.

Apesar de tantas restrições, a cerveja era liberada em alguns momentos. O capitão Dunga, por exemplo, não importou-se em ser registrado com um copo cheio em um hotel de Los Angeles no dia 12 de julho de 1994, véspera da semifinal contra a Suécia. É a foto que abre essa reportagem. "Há o momento certo de fazer as coisas. É fazer socialmente aquilo que todo brasileiro gosta. Aprecia um churrasco, aprecia uma cerveja, mas tem o momento certo de se fazer isso e é isso o que foi feito", ressaltou Américo Faria, supervisor da seleção em 1994.

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