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Longe da fama, ex-jogador gerencia fortunas de astros como Dudu e Renato

Ex-jogador Mitsuo Alves (d) ao lado do técnico de futebol Renato Gaúcho - Arquivo Pessoal
Ex-jogador Mitsuo Alves (d) ao lado do técnico de futebol Renato Gaúcho Imagem: Arquivo Pessoal

Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

19/07/2019 04h00

Você provavelmente nunca teve a chance de ver ou jamais ouviu falar em Mitsuo Alves. Aos 54 anos, ele é desconhecido do grande público, mas está no futebol há muito tempo.

Amigo de figuras como Renato Gaúcho, Júnior e Edmundo, ele milita no esporte desde a década de 1980. Ex-jogador, atuou com Zico, Adílio e Andrade no Flamengo, passou pelo Corinthians de Casagrande e Sócrates, mas não se firmou na profissão. Em 1992, depois de sucessivas lesões no joelho, decidiu interromper a carreira para ajudar os atletas a fazer algo que considera relevante: guardar dinheiro.

"A verdade é que o jogador tem que guardar dinheiro, simples. Eu chegava para o jogador e dizia: "Você vai guardar o seu dinheiro". E falava para eles: "se vocês não fizerem, vocês vão ficar pobres de novo". Isso vai da criação que esses atletas têm. Tem jogador que passou pelas minhas mãos e cheirou tudo, gastou tudo em bingo", disse em entrevista ao UOL.

Amigos dos antigos companheiros, ganhou a confiança dos protagonistas do mundo da bola com alguns pilares. Entre eles, a discrição. Mit, como é conhecido, evita falar sobre os seus clientes. Os casos são os mais diversos, mas identidade da maioria é preservada. Apenas alguns poucos aceitam falar que trabalham com o empresário, que vive viajando o mundo para se encontrar com os clientes e mostrar como é feito o trabalho.

"É um trabalho muito pessoal, porque você entra na intimidade da família do atleta. Acho que uma das razões que tive sucesso nas minhas coisas é a questão da confiança, que consegui passar para as pessoas. Foi o sigilo, a discrição... Por que ninguém me conhece? Porque não era interessante me conhecer naquela época. Eu faço uma coisa muito pessoal para as pessoas. A discrição faz parte do meu sucesso", relatou.

"Como eu era do meio do futebol, não falava só de dinheiro. O dinheiro é uma coisa importante, mas eu tento acalmar o jogador. Isso é uma das coisas que faço para ter sucesso na minha carreira", acrescentou

Mitsuuo Alves ao lado de Dudu, do Palmeiras - Arquivo Pessoal
Mitsuuo Alves ao lado de Dudu, do Palmeiras
Imagem: Arquivo Pessoal

Entre o início da nova carreira, em 1992, e o que Mitsuo considera o seu sucesso, cinco anos se passaram. Não foi fácil. Ele teve que conciliar os estudos com um trabalho como segurança de um bar na Suíça, onde residia de forma ilegal. Em 1997, já legalizado na Europa, ele passou a administrar 50 milhões de dólares. De lá para cá, a vida melhorou e o empresário ganhou clientes importantes, como o técnico Renato Gaúcho, do Grêmio. Dudu, do Palmeiras, é um dos nomes que ele ostenta em sua carteira que tem centenas de jogadores. O atleta explica como funciona o trabalho feito por Mitsuo:

"Já conhecia o nome dele por outros jogadores, antes mesmo de ter ganho meu próprio dinheiro. Fizemos juntos um planejamento financeiro para que eu fique tranquilo, sem preocupação e consiga manter minha qualidade de vida quando eu parar de jogar", comentou em entrevista ao UOL Esporte.

"Não gostaria de abrir os meus investimentos, mas posso falar que é uma carteira voltada exclusivamente para atletas. E foi isso que me convenceu", acrescentou o atacante do clube paulista.

O interesse de Mitsuo por finanças se iniciou ainda jovem. Quando estava nas divisões de base do São Paulo, era obrigado a trabalhar no escritório do pai, que também atuava na área financeira. Neste período, aprendeu muito do que usa nos dias de hoje.

"Meu pai trabalhava no mercado financeiro. A minha base no futebol foi toda no São Paulo até 1982. Nessa época, era amador. A gente só treinava um período e, à tarde, ele me obrigava a ficar com ele no escritório dele em São Caetano. Eu detestava, mas ele me obrigava. Eu sabia como mexer com ações, o que era dividendos, tudo o que precisava saber, mesmo sem usar", afirmou.

Ele passou a aplicar o conhecimento no futebol para auxiliar os amigos e conta como convence os atletas sobre o que é necessário fazer:

"Jogador não pode ter o patamar de vida igual ao da Madonna. O Dennis Rodman (ex-jogador de basquete) quebrou nos Estados Unidos", comentou.

"O que eu faço com o jogador? Eu falo com ele para tomar cuidado. Porque ele não tem o valor completo. Teve melhor do mundo que não completou o contrato em clube grande. Não estou falando de um perna de pau. É Bola de Ouro que não recebeu todo o contrato. Não está escrito que você terá dez milhões de reais na conta. Não dá para gastar todo o dinheiro que você tem para receber. Você não pode gastar antes de ter. O dia que tiver os dez milhões, vai poder gastar. Antes, não tem como", completou.

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