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Fla do Equador vê filme de Zico para se inspirar e sonha conhecer Maracanã

Elenco do Flamengo de Latacunga em 2018: time está numa espécie de "Série C" do Equatoriano - Reprodução / Facebook do Fla de Latacunga
Elenco do Flamengo de Latacunga em 2018: time está numa espécie de "Série C" do Equatoriano Imagem: Reprodução / Facebook do Fla de Latacunga

Bruno Braz

Do UOL, no Rio de Janeiro

24/07/2019 04h00

Há limites geográficos para a paixão por um clube de futebol? O Equador, país onde o Flamengo realizará hoje, às 21h30, o jogo de ida das oitavas de final da Copa Libertadores, contra o Emelec, é mais uma das provas de que não. A 312 quilômetros de Guiaquil, local da partida, encontra-se a pequena cidade de Latacunga, que tem como representante nos gramados equatorianos um clube que, ao soar o nome, não percebe-se apenas uma mera coincidência. Inspirado justamente no famoso Rubro-Negro do Rio de Janeiro, há por lá o Club Deportivo Flamengo FC (ex-Sociedad Deportiva Flamengo de Latacunga).

Atualmente na "Segunda Categoria" do país - espécie de Série C do Equatoriano - ele foi fundado em 1923 e também tem como uniforme principal o vermelho e preto, sendo o reserva na cor predominantemente branca, assim como seu primo ilustre.

"O Flamengo de Latacunga foi fundado em reconhecimento a uma das melhores e mais representativas equipes do Brasil", salienta ao UOL Esporte o atual presidente do clube, Ricardo Fernando Solís Moreno.

A inspiração no Rubro-Negro carioca não se limita somente ao nome e as cores. Por lá, existe a tradição de manter viva a idolatria por quem fez história na Gávea.

Zico, assim como aqui, é unanimidade, e seus vídeos e de outras lendas do Flamengo e do futebol brasileiro são exibidos sempre que possível para os jogadores do time equatoriano.

"Tentamos motivá-los com vídeos de grandes jogadores de futebol do Brasil e, principalmente, relacionados ao Flamengo", diz Ricardo.

Time assistirá jogo contra o Emelec

Por conta da distância e também de questões financeiras, o Flamengo de Latacunga não se fará presente hoje no estádio George Capwell, em Guaiaquil, mas sua diretoria informou que reunirá os jogadores para assistir a partida contra o Emelec pela Copa Libertadores.

Até o fechamento desta reportagem o clube da Gávea não havia entrado em contato com eles, segundo o presidente Ricardo Moreno.

Sonho com estágios no Fla e de levar time ao Maracanã

Ricardo Fernando Solís Moreno faz parte de um projeto de reestruturação do Flamengo de Latacunga. Depois de chegar a alcançar a Série B do país, o clube decidiu encerrar as atividades profissionais em 2007 por conta de problemas econômicos, ficando cerca de 10 anos nesta situação.

Ricardo Fernando Solís Moreno, presidente do Flamengo de Latacunga (EQU) - Reprodução / Facebook
Ricardo Fernando Solís Moreno, presidente do Flamengo de Latacunga (EQU)
Imagem: Reprodução / Facebook

Em 2017 o Rubro-Negro equatoriano retornou e tem atingido bons resultados. Este ano, por exemplo, ficou em quarto lugar na "Série C" adulta e na vice-colocação no sub-17.

Para Moreno, seus maiores sonhos são poder levar o time para atuar no Maracanã e, quem sabe, presenciar a oportunidade de um jovem jogador do seu clube estagiar no Flamengo carioca.

"Tento fazer alguma conexão e ver a possibilidade de mandar meus meninos fazerem estágios no grande Flamengo. Eu tento motivar e espero conseguir", declarou.

Colecionador estreitou relação com Fla de Latacunga

Se a relação entre as instituições ainda não é tão próxima, já há, porém, um estreitamento entre o clube de Latacunga e alguns torcedores do Flamengo. Colecionador de camisas de times que levam o mesmo nome do Rubro-Negro carioca, Leonardo Ribeiro, morador do bairro do Méier (RJ), resolveu, por conta própria, se aproximar dos equatorianos e tentar uma iguaria para sua rara coleção que mistura equipes do Brasil e de outros países com referência à agremiação da Gávea.

Colecionador rubro-negro: Leonardo Ribeiro já levou camisa do Fla de Latacunga para o Maracanã - Reprodução / Facebook
Colecionador rubro-negro: Leonardo Ribeiro já levou camisa do Fla de Latacunga para o Maracanã
Imagem: Reprodução / Facebook

"Eu já coleciono camisas do Flamengo e, há uns dois anos, comecei a coleção de camisas de times que se chamam Flamengo. E aí, nesse colecionismo, fazendo pesquisa na internet, descobri que tem esse Flamengo no Equador. Pela internet procurei o contato. No próprio Facebook do clube coloquei que, como eu era colecionador, gostaria de uma camisa deles. E o Ricardo (presidente) foi um dos que me respondeu e disse que seria possível, então trocamos telefone, ele me contou um pouco da história do Flamengo de Latacunga e viabilizamos", se recorda Leonardo.

O colecionador rubro-negro lembra ainda que ocorreu um certo contratempo no envio das camisas para o Brasil:

"Teve até uma história curiosa, porque as camisas chegaram, mas aí a Receita Federal as taxou com um preço absurdo, então elas tiveram que voltar para o Equador de novo para o Ricardo me enviar com uma carta de doação. Depois, enfim, chegaram".

Leonardo Ribeiro já foi para partidas do Flamengo com a camisa do Rubro-Negro de Latacunga e posou para fotos com seus amigos que costumam ir com ele aos jogos no Maracanã. Elas foram posteriormente enviadas e Ricardo Moreno fez questão de mostrar a seus jogadores.

"Nos jogos no Maracanã que ele (Leonardo) usou, nos mandou fotos e saudações. Essas coisas são muito importantes porque os garotos olham e sonham", diz Ricardo.

Hoje em dia, Leonardo Ribeiro e Ricardo Moreno costumam manter contato e conversar sobre o futebol brasileiro.

"Acabou que depois ele ficou meu amigo. Ele sempre me manda 'felicitaciones' quando o Flamengo ganha. Até mesmo com o Brasil na Copa América ele me mandou também, disse que estava torcendo", ressalta Leonardo.

Clubes já trocaram gentilezas

Placa entregue pelo Flamengo, em 2011, ao Flamengo de Latacunga com o título de "Rubro-Negro legítimo" - Arquivo Pessoal
Placa entregue pelo Flamengo, em 2011, ao Flamengo de Latacunga com o título de "Rubro-Negro legítimo"
Imagem: Arquivo Pessoal

Em 2011, os clubes trocaram gentilezas em uma visita de dirigentes do Flamengo a Latacunga. Camisas foram presenteadas entre os clubes e o Rubro-Negro carioca demonstrou carinho com seu "primo" equatoriano.

"Eles devem até ter no museu as camisetas que foram entregues a eles, assim como eles nos deram. Somos reconhecidos por manter as raízes do Flamengo do Brasil no Equador", salienta Ricardo Moreno.

Escolinhas nas zonas rurais de Latacunga

O Flamengo equatoriano tem realizado projetos sociais e aberto escolinhas nas zonas rurais da cidade. Além disso, tem investido nas divisões de base do clube.

"Quero transmitir que o melhor prêmio para o trabalho é atingir os objetivos. Quero vê-los começando a fazer estágios e depois vê-los jogando no grande Maracanã, mas antes de tudo eu sou um rapaz de Latacunga e é por isso que estou trabalhando nestas divisões inferiores", declara Moreno.