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Por que Sampaoli pediu para tirar multa contratual e por que o Santos negou

Técnico Jorge Sampaoli (e) posa para foto ao lado do presidente do Santos, José Carlos Peres (d), após assinar contrato com o clube - Divulgação/SantosFC
Técnico Jorge Sampaoli (e) posa para foto ao lado do presidente do Santos, José Carlos Peres (d), após assinar contrato com o clube Imagem: Divulgação/SantosFC

Eder Traskini

Colaboração para o UOL, em Santos

11/08/2019 07h25

O presidente José Carlos Peres revelou ontem, após a derrota do Santos por 3 a 2 para o São Paulo, no Morumbi, pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro, que o técnico Jorge Sampaoli havia pedido para que o Peixe retirasse a multa rescisória de seu contrato com o clube e que a requisição foi rejeitada pelo Comitê de Gestão.

"Esse assunto foi levantado em reunião do Comitê de Gestão e nós optamos por recusar esse pedido", disse o mandatário santista.

O contrato do Peixe com o técnico argentino prevê uma multa que gira na casa dos R$ 10 milhões para a quebra do vínculo, que vai até o final de 2020. Ao longo do ano, o Santos se esforçou para atender os pedidos do treinador, principalmente sobre contratações, mas não irá aceitar essa solicitação.

O assunto foi tema de votação no Comitê de Gestão e os cartolas do clube não foram unânimes, mas decidiram por declinar o pedido. O Santos vê Sampaoli valorizado no mercado e tem a multa como forma de proteção a qualquer investida de clubes de fora ou de dentro do país.

Internamente, o Santos acredita que seria uma irresponsabilidade abrir mão de uma potencial receita e correr o risco de perder o treinador de graça. Pelo contrário: a intenção santista é de até de ampliar o vínculo do argentino caso o trabalho continue a ser feito da maneira como está.

O Peixe sabe do interesse que Sampaoli desperta em outros clubes e até seleções e não quer perder o treinador que caiu nas graças da torcida rapidamente e levou o clube até o topo da tabela do Campeonato Brasileiro. O argentino já recebeu sondagens do Irã, Marrocos, Equador, Atlético-MG e Bétis (ESP), mas sequer abriu conversas.

O treinador, por outro lado, desde o início não era favorável ao contrato com multa rescisória. Porém, as tratativas foram conduzidas já desde o começo dessa forma pelo seu estafe e o vínculo foi fechado com o valor estipulado.

Sampaoli já falou em algumas oportunidades que quer cumprir seu vínculo até o final, mas em outras não foi tão firme ao se referir à temporada de 2020. Quando teve um e-mail com reclamações ao presidente Peres vazado, o argentino foi firme ao falar que era impossível que deixasse o Peixe antes do final da temporada, mas não repetiu a afirmação quando se referiu ao ano seguinte.

"Impossível (sair). Tenho um compromisso muito grande com todos aqui dentro. Tenho compromisso com todos os jogadores que estão aqui. Impossível, não abandonaria. Não sei (sobre 2020), se perco quatro partidas, vão querer que eu deixe o Santos. Tenho um projeto e se estiver de acordo, se eu construir em um ano o que eu quero, eu continuo", afirmou na época.