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Por que Ceni recusou o Atlético-MG e disse "sim" ao Cruzeiro meses depois

Rogério Ceni é o novo treinador do Cruzeiro. Ele será apresentado na tarde de hoje - Stephan Eilert/AGIF
Rogério Ceni é o novo treinador do Cruzeiro. Ele será apresentado na tarde de hoje Imagem: Stephan Eilert/AGIF

Enrico Bruno e Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

13/08/2019 04h00

Rogério Ceni não aceitou deixar o Fortaleza para assumir o comando do Atlético-MG em abril deste ano. Quase quatro meses mais tarde, o técnico rescindiu o contrato com os cearenses para fechar com o Cruzeiro até dezembro de 2020. O UOL apurou que alguns aspectos foram cruciais para a mudança de postura do treinador. Entre eles, os valores das propostas, o momento na temporada e a confiança no elenco cruzeirense.

Logo que demitiu Levir Culpi, o Galo foi atrás de Tiago Nunes, do Athletico Paranaense. Sem acordo com o treinador, o clube apostou em Rogério Ceni. À época o ex-goleiro do São Paulo deu algumas justificativas para recusar a oferta atleticana.

A principal razão era pessoal: o pai do atleta enfrentava problemas de saúde e, mesmo à distância, ele se dedicava para ajudá-lo em sua recuperação. Pelo lado profissional, o técnico alegou o envolvimento do time na fase final da Copa do Nordeste e também demonstrou preocupação com o envelhecimento do elenco atleticano.

Quatro meses mais tarde, depois de vencer o Campeonato Cearense e a Copa do Nordeste, Rogério Ceni comandava o Fortaleza na luta contra o rebaixamento no Brasileirão. Sem os reforços que havia pedido à diretoria durante o mercado da transferências, viu na oferta do Cruzeiro uma boa chance de mudar o patamar da carreira.

Mesmo que a Raposa esteja atrás do Fortaleza na classificação do Brasileiro e também lute para evitar um descenso inédito em sua história, Ceni tem a chance de vencer a Copa do Brasil - chega como semifinalista do torneio, com derrota para o Inter no jogo de ida.

Marcelo Paz, presidente do Fortaleza, falou sobre o assunto em entrevista à ESPN Brasil na manhã de ontem: "Naquele momento, o Rogério priorizou o lado esportivo e a possibilidade de títulos. Agora ele entendeu que era o momento, que seria, de repente, mais confortável para ele essa mudança, com um terço, praticamente da Série A. Ele quer dar esse voo profissional. Ele quer ir para um clube que tem, de fato, e a gente reconhece, uma projeção, no momento, maior. Uma estrutura física, também, hoje ainda melhor do que a nossa e cabe à gente aceitar. Não tem que lamentar".

Proposta financeira e confiança no elenco

Outro ponto que pesou foi a oferta feita pelo Cruzeiro. O técnico terá o salário quase duplicado em relação ao que recebia no Castelão. Com as cores do Fortaleza, ele tinha vencimentos de R$ 250 mil mensais. Na Toca da Raposa II, o seu salário será um pouco inferior a R$ 500 mil. O Atlético, com problemas financeiros, fez uma oferta inferior a essa, se colocando disposto a pagar R$ 300 mil por mês ao comandante.

A confiança no elenco do Cruzeiro foi fundamental para a escolha de Rogério Ceni também. O técnico sabe da necessidade de recuperar alguns nomes, como Fred e Thiago Neves. No entanto, crê que é possível fazer com que estes jogadores voltem a render com as cores do time. Boa parte do plantel venceu a Copa do Brasil em duas oportunidades recentes - 2017 e 2018.

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