Velho conhecido do São Paulo, técnico do Tigre encara desafio inédito

O Novorizontino visita o São Paulo nesta quarta-feira, às 19h30, no Pacaembu, pela sexta rodada do Paulista. Será a estreia do Tigre do Vale contra um grande da capital longe de sua torcida. Na contramão do imaginário popular, a agremiação preta e amarela não tem nenhuma relação com o clube homônimo que fez sucesso nos anos 90 e já foi casa de ídolos como Márcio Santos e Paulo Sérgio, tetracampeões com a Seleção Brasileira, em 1994.

O Grêmio Esportivo Novorizontino fechou as portas em 1999. Afundado em dívidas, o clube decretou falência e nunca mais voltou à ativa. Em 2010, alguns locais que tinham relação com o extinto time se reuniram com objetivo de devolver o futebol a Novo Horizonte.

Falaram com a família Biasi, dona da estrutura e do estádio local, e com o aval, criaram o Grêmio Novorizontino. A opção por manter nome, cores, mascote e brasão similares foi uma tentativa de resgatar a identificação dos antigos torcedores com o futebol da cidade.

Em pouco tempo, o novo clube despontou. Foi da última à Primeira Divisão do Estadual, boa parte graças ao técnico Guilherme Alves. Campeão mundial pelo São Paulo em 1993, ele estreou no Tigre em 2013 e conquistou dois acessos em três anos. Nesta quarta, ele tem a difícil missão de vencer quem "abriu as portas" da sua carreira.

- Tenho um carinho muito grande pelo São Paulo. Foi minha primeira chance num clube grande. Foram me buscar no Marília a pedido do Telê Santana. Estreei no mesmo jogo que o Rogério Ceni, no Troféu Santiago da Compostela, em junho de 1993. Marquei quatro gols. Foi marcante - afirmou ex-atacante, que também fez história com a camisa do Atlético-MG, onde é o sétimo maior artilheiro da história, com 139 gols. 

Agora, Guilherme reencontrará o Tricolor como adversário. E garante que não irá arrefecer.

- Temos que beirar à perfeição. A responsabilidade da vitória é deles. Vou encorajar meus atletas a jogarem futebol - garantiu ele.

Bate-bola com Guilherme Alves

Imaginava levar o Novorizontino à elite tão depressa?

O objetivo sempre foi esse, mas as coisas aconteceram da melhor forma possível. A estrutura, somada à continuidade do trabalho e a manutenção de atletas nos ajudou bastante. Mesmo assim, ninguém esperava subir logo no primeiro ano disputando a Série A2.

Você se vê como grande responsável pela ascensão?

É um conjunto. Lógico que Jorge Rauli (auxiliar) e eu temos grande parcela disso porque montamos as equipes. Também temos que desfrutar dos bons momentos. Mas tudo ajudou, a estrutura, a manutenção do elenco e, principalmente, o apoio da torcida.

Recebeu novas propostas com o sucesso?

Recebi algumas propostas, sim, mas estou comprometido em disputar a elite com o time que ajudei a erguer.

E o carinho da torcida?

A cidade tem quase 40 mil habitantes. O contato é diário, acabei conhecendo todo mundo muito rápido. Os torcedores ajudaram demais. A cidade é pequena, mas sempre levamos um bom número de torcedores ao estádio. (Na campanha da Série A2, no ano passado, a média foi de quase quatro mil pagantes por partida, o que representa 10% da população da cidade).

Você disse que os resultados foram fruto da continuidade do trabalho. O que acha de equipes que fazem trocas corriqueiras de treinador, algo tão comum no futebol brasileiro atualmente?

Demonstra fraqueza e insegurança dos próprios dirigentes. Não aguentam pressão de torcedor, conselheiros, da imprensa, e acabam escolhendo o caminho mais fácil ou curto. Acho uma grande besteira, mas infelizmente isso faz parte da cultura brasileira. O técnico joga por resultado e o futebol fica chato, não pode propor jogo porque, se perde três jogos, tá no olho da rua. É falta de preparo dos clubes, não do treinador. Se você montou a equipe, tem que ir com ela até o final.

Qual foi o jogo mais marcante no Tigre?

O empate em 3 a 3 com o Santos, em casa, há duas semanas. A cidade não enfrentava um clube grande há 20 anos, e fizemos uma partida excepcional. Tomamos o gol de empate no fim, numa falta inexistente. Tínhamos tudo para sair com a vitória, mas o que mais me marcou foi ter enfrentado o Santos e jogado bola diante de um time tão qualificado e grandioso este. Mesmo sabendo que somos uma equipe pequena. Isso valorizou demais meus atletas, fiquei muito feliz.

Qual sua melhor lembrança da passagem no São Paulo?

O trabalho com o Telê Santana foi muito marcante. Isso me deu a oportunidade de ir para fora e atuar ao lado de grandes nomes, como Müller e Cafu, além de fazer amizades que perduram até hoje. Faz 23 anos, mas ainda tenho isso guardado. Foi a primeira camisa de clube grande que vesti. O São Paulo vivia um momento muito bom naquela década, ganhava tudo, era um dos únicos que tinha CT. Foi o começo de tudo. Tenho um carinho muito grande pela instituição.

Qual a expectativa de estrear contra um grande fora de casa?

Temos um bom equilíbrio emocional. Eles são superiores, mas a matemática do futebol é inexata, então temos que entrar para vencer. O esporte está ficando chato porque os técnicos só jogam pelo resultado. Queremos marcar bem para diminuir os espaços, mas também propor jogo. Não vamos abdicar de jogar bola. 

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber notícias de esporte de graça pelo Facebook Messenger?
Clique aqui e siga as instruções.

UOL Cursos Online

Todos os cursos