Recuperada de lesão, judoca visa conquista nos Jogos Olímpicos do Rio

Em ano olímpico, não há melhor maneira de mostrar que está perto de sua melhor condição física e mental do que ganhando competições preparatórias. Assim tem feito Maria Suelen Altheman, que subiu no pódio em quatro dos cinco torneios que disputou neste trimestre na categoria acima de 78 quilos, com direito a duas medalhas de ouro. A mais importante delas foi no GP de Dusseldorf, em que ela venceu a líder e a vice-líder do ranking mundial, as chinesas Song Yu e Sisi Ma, respectivamente.

A judoca, que treina em Santos, contou ao LANCE! como foi a recuperação da lesão que teve ano passado no joelho esquerdo e como está sua preparação para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Como foi sua conquista em Dusseldorf, na Alemanha?

?Foi uma conquista importante, pelo tempo que fiquei afastada e por voltar a competir e ser campeã numa competição grande. Mais importante foi para meu ranking, pude subir sete posições e meu objetivo é chegar para a Olimpíada como cabeça de chave, então cada competição vou somando pontos para alcançar essa meta.

Quando você chega na semifinal, vê a vice-líder do ranking e projetando uma final com a líder, o que você sentiu naquele momento?

Na verdade, eu não queria saber qual era a colocação de cada atleta, eu queria ganhar. Eu sei do meu potencial, confio muito no trabalho que eu faço, que meus técnicos e preparadores fazem, então independente de quem era, eu queria vencer. A vontade de ganhar prevale, todos estão preparados.

Pode-se dizer que enfrentou uma prévia do que pode vir na Olimpíada?

Cada competição é uma competição, não posso pensar nisso como se fosse na Olimpíada, é um degrau de cada vez. É uma competição diferenciada, lá você tem que estar muito bem preparada. Envolve Vila Olímpica, tem outras modalidades, muita concentração, é uma outra atmosfera, tem muita gente que sente o peso. Já fui pra uma, encarei seriamente, cheguei até a disputar medalha. Tendo participado, já não é tanta novidade, passa a ser um ambiente mais familiar.

Como você reagiu à primeira vez em que você foi aos Jogos Olímpicos?

Era a realização de um sonho, que todo atleta tem, mas era muita novidade. Você encontrar na vila atletas que vê se destacando em outras modalidades, acaba se deslumbrando um pouco.

Mas isso chegou a te atrapalhar em algum momento?

Não. Até porque a Confederação faz um "isolamento", nós só fomos para vila apenas um dia antes de competir, então não dá tempo. Apenas depois, você acaba vendo um pouco. Deu certo em Londres e eles vão fazer novamente esse ano. Ficaremos concentrados num hotel, em Mangaratiba, e vamos para a vila só na véspera.

O resultado na Alemanha te põe como uma das favoritas no Rio?

Não sei, não vejo nem os primeiros do ranking como favoritos, como as outras pessoas veem. Penso apenas nos últimos resultados. Tem países que nem competem tanto, mas chegam na Olimpíada e medalham.

Você é a última a entrar no tatame entre todas as categorias. Isso cria uma expectativa maior por ver os outros lutando antes?

Assisto às categorias anteriores. Agora, no Brasil, vai ficar ainda mais fácil. Dá uma ansiedade de querer competir, mas isso tudo é trabalhado, vai ficar uma equipe, nutricionista, psicóloga, terapeuta, os atletas que vão treinar com a gente, você não fica sozinha no ambiente. Para mim é normal, eu já estou acostumada.

Gosta de competir em casa?

Sim, com certeza, porque competir em casa tem a torcida a favor, nós já estamos acostumados com o clima, é um ambiente familiar. Trabalho com a questão de a torcida não virar uma pressão a mais. Estamos tão acostumados com torcida contra competindo fora, que quando tem a favor, isso te levanta mais ainda.

Esse ano a motivação e busca por bons resultados é maior?

A responsabilidade que temos conosco é muito grande, cada um que está ali tem um sonho, quer ganhar uma medalha. Ninguém quer chegar numa Olimpíada apenas por chegar, todo mundo quer chegar e conquistar uma medalha olímpica.

Esse resultado mostra que está completamente recuperada da lesão no joelho?

Já estou bem recuperada, o que faltava era ritmo de competição mesmo, não sinto mais nada da lesão, estou 100%. Faço fortalecimento, mas tenho que tomar cuidado.

Foi rompimento de ligamento?

Foi, rompi três ligamentos: cruzado anterior, lateral e o medial. Com tudo isso acabou indo o menisco também. A cirurgia foi bem grande e a recuperação bem demorada. Nem penso mais no joelho.

Chegou a temer pela continuidade da sua carreira, por não chegar na Olimpíada?

Eu sempre soube o que eu queria. Essa parte psicológica foi muito bem trabalhada. Nunca desisti. Meu processo de recuperação demorou um ano, mas sempre soube da minha volta, nunca desconfiei da minha capacidade e das pessoas que estão comigo. Quando estive fora, trabalhei muito essa parte da cabeça, me ajudou muito a não desanimar. Eu estava vendo as meninas competirem, eu queria voltar logo, mas eu sabia que se eu voltasse antes do tempo, poderia acontecer alguma outra lesão. Foi mais essa parte da paciência, de competir, de estar integrada no grupo de novo. Deu um alívio ao voltar, parece que eu voltei para casa. É uma família e eu estava com saudade daquele ambiente. As meninas me acolheram de braços abertos, sempre me mandavam recados, trocávamos mensagens.

O judô é um daqueles esportes que a pessoa se prepara durante quatro, oito anos, uma vida inteira, para decidir tudo em um dia. Como você vê essa situação? Há alguma preparação específica para estar bem em um dia?

Aquele é o dia. Você não tem como acordar mal, tem que estar bem. Ali define o que você que, tudo o que você trabalhou e chorou até então. Muitas vezes a gente se prepara tanto... Mas é confiar, treinar bastante. Se você está bem treinado, você se sente mais confiante, está preparado independente se quem está na sua frente é campeã olímpica ou mundial.

Você já teve uma experiência no Rio, em 2013, no Mundial. Você já se imaginou voltando lá, ganhando medalha e, de repente, até ouvir o hino nacional?

Já imaginei. O Mundial foi uma prévia do que pode ser em agosto. Os ingressos já foram todos vendidos. O judô é uma modalidade que sempre traz medalhas. Então acho que a expectativa é grande em cima da modalidade, mas vai fazer uma bela participação, sem falar em números.

A sua grande rival é a cubana Idalys Ortiz? É a grande pedra no seu sapato?

O judô é muito de jogo. E parece que meu jogo não encaixava com o dela. Hoje, treino muito, meus técnicos veem muitos vídeos dela. Então parece que estou tendo outra visão de jogo com ela. A cada competição vou melhorando. O fato de ser campeã olímpica tem um peso, às vezes, a favorece um pouco. Mas estou muito bem preparada para lutar com ela e até a Olimpíada ainda tem muito tempo para eu treinar.

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