Punido com seis jogos por cotovelada, William fica fora do Gauchão

O Gre-Nal 409 disputado em 6 de março, válido pelo Gauchão e pela Copa da Primeira Liga e que terminou sem gols teve novo capítulo nesta sexta-feira. A Primeira Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva do Rio Grande do Sul (TJD-RS) julgou por mais de cinco horas o Grêmio e os colorados William e Paulão pelos incidentes ocorridos no clássico.  O Tricolor foi advertido pelo problema na área técnica adversária e o zagueiro pegou um jogo de suspensão - já cumprido - por ter sido expulso. O lateral-direito, por sua vez, foi punido com seis jogos de suspensão pela cotovelada em Miller Bolaños, do Grêmio.

Como o Internacional, já garantido nas quartas de final do Gauchão, só fará mais cinco jogos caso vá à decisão do Estadual, Willian não defenderá mais o clube na competição. A tendência é que Inter e Grêmio recorram sobre o resultado do julgamento do lateral. O Colorado pode até entrar com um pedido de efeito suspensivo. William e os advogados de Grêmio e Inter deixaram o TJD sem falar com a imprensa.

AS VOTAÇÕES DO JULGAMENTO

O relator José Cláudio Chaves absolveu o Grêmio pela questão da área técnica do time visitante no clássico, pediu um jogo de suspensão para Paulão e suspensão de oito partidas para William.

Na sequência, o auditor Marcelo Mauneri apenas advertiu o Grêmio, também pediu um jogo para Paulão e seis jogos para o lateral colorado. O também auditor Juliano Milani acompanhou Mauneri nos três casos.

- Tenho certeza que ele não teve o dolo de quebrar, mas assumiu o risco de causar a lesão." Vota por punição de seis jogos - destacou Mauneri.

Por fim, o presidente da Comissão, Vinícius Ilha da Silva, votou. Ele optou pela advertência ao Grêmio, um jogo de suspensão para Paulão e seis partidas para Willian, acompanhando os dois auditores. 

INÍCIO: ACUSAÇÕES DA DEFESA DO INTER E CLIMA QUENTE

Antes de o julgamento ter, de fato, início, a defesa do Internacional, de responsabilidade dos advogados Rogério Pastl e Daniel Cravo, pediu o impedimento de procurador do TJD, Francisco Lopes. Os advogados citaram entrevistas do procurador à Rádio Gaúcha e ao Esporte Espetacular, o que, na visão deles, fere o artigo 18 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que fala em impedimento do procurado em questão em questão "quando se houver manifestado, previamente, sobre o fato concreto de objeto de causa em julgamento". No entanto, o relator José Chaves indeferiu tal pedido. Segundo ele, tal atitude deveria ter sido tomada antes.

A segunda acusação dos advogados colorados foi sobre um dos auditores da Primeira Comissão Disciplinar, a responsável pelo julgamento. Segundo eles, Marcelo Maineri é "declaradamente anticolorado", foi advogado do Grêmio e tem seis comunidades sobre o Mazembe, algoz do Inter no Mundial de Clubes de 2010, em seu perfil no Facebook. Nestor Hein, integrante do departamento jurídico do Grêmio, garantiu que nunca teve contato profissional com Maineri e desmentiu as alegações feitas por Rogério Pastl. Vinícius Ilha, o presidente da comissão, indeferiu o novo pedido do Inter, que não desejava Maineri como um dos auditores.

Após tais pedidos indeferidos, os advogados do Inter questionaram o fato de o Grêmio ter entrado como terceiro interessado no julgamento do lateral-direito Willian. Os auditores concordaram com tal fato e, com isso, os advogados do Inter tiveram mais tempo para a defesa de Willian.

INÍCIO DO JULGAMENTO COM PROVAS DE VÍDEO

O vídeo do Grêmio mostrou lances de William contra Miller Bolaños e Marcelo Oliveira, outros lances em que o lateral-direito colorado com alegações de "cotovelaço", além de imagens mostrando Argel Fucks, treinador do Inter, na área técnica durante o Gre-Nal.

Na sequência, a defesa do Inter mostrou vídeos de Bolaños em ação após a jogada com William, alegando que ele participou sem se queixar de nada da sequência da primeira etapa, o que não deixou os advogados do Grêmio satisfeitos. O vídeo ainda mostrou imagens de Bolaños pelo Emelec, seu último clube, em que ele aparecia utilizando o cotovelo contra adversários. O vídeo ainda mostrou lances de jogadores do Grêmio utilizando "cotovelaços" contra outros atletas e William sendo atingido com o cotovelo em duelo contra o Lajeadense.

O Inter ainda mostrou entrevistas de Roger Machado e Paulo Rabaldo, técnico e médico do Grêmio, respectivamente, garantindo que o lance em questão faz parte do futebol, um vídeo em câmera lenta do lance, alegando que Bolaños empurrou William, e até uma imagem em 3D da jogada. Por fim, os advogados do Grêmio mostraram slides com os exames que mostram fraturas em dois locais diferentes na mandíbula de Bolaños.

DEPOIMENTO DE ANDERSON DARONCO

Árbitro do Gre-Nal 409, Anderson Daronco compareceu ao TJD-RS. Ele garantiu não ter visto a cotovelada de William em Bolaños, por conta da distância. Ele, que destacou ter sido difícil conduzir do jogo, explicou o motivo pelo qual marcou falta do equatoriano no lateral colorado e afirmou que nenhum atleta gremista reclamou com ele sobre a cotovelada de William. Ele ainda comentou sobre os outros lances polêmicos do clássico.

DEPOIMENTOS DE PAULÃO E WILLIAM

Paulão, julgado pela expulsão após falta em Henrique Almeida, foi o responsável pelo primeiro depoimento. Ele garantiu ter sido agredido pelo atacante gremista e que levantou a perna apenas para se proteger: "Se eu fosse revidar, não seria daquela forma", destacou o zagueiro. Ele ainda disse ter questionado o árbitro Anderson Daronco por não ter expulsado Henrique Almeida.

Após Paulão, foi a vez de William se pronunciar. O lateral garantiu que nunca foi expulso na carreira e que não teve a intenção de atingir o atacante: " Bolaños se chocou comigo nas minhas costas. Não percebi na hora onde o meu braço pegou nele".

William, na sequência, disse que sua ideia era visitar o jogador Bolaños antes da cirurgia. No entanto, Rui Costa, diretor executivo de futebol tricolor, garantiu que tal visita não era o ideal. Outros atletas do Colorado queriam ter visitado o atacante. O jogador também destacou ter sido ofendido por gremistas em seu Instagram por conta do lance com Bolaños.

ADVOGADOS DE GRÊMIO E INTERNACIONAL NO JULGAMENTO DE WILLIAM

Nestor Hein, advogado do Grêmio, que ingressou como terceiro interessado no julgamento de William, citou o lance envolvendo Leonardo na Copa de 1994, garantiu que a ideia não é "satanizar" William, mas que o lateral precisa de "uma pena exemplar pedagogicamente". Ele também afirmou que a jogada foi "toda preparada, premeditada a jogada. Não imagino que o atleta quisesse quebrar a mandíbula, mas houve o dolo".

Após uma discussão sobre o tempo que o Inter teria para defender William, Rogério Pastl iniciou a defesa de William. O advogado garantiu: "A procuradoria está equivocada. Agressão há quando não bola em disputa. O que houve foi caso de hostilidade."

Pastl fez questão de lembrar que Daronco marcou falta de Bolaños no lance, o que deveria impedir uma denúncia contra o lateral colorado. Ele ainda questionou o fato de nenhum atleta do Grêmio ter reclamado com o árbitro após o lance. Pastl, por fim, pediu que a denúncia fosse desqualificada para ato desleal, com pena de advertência.

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