Grande histórico e em profunda crise, Aston Villa pode cair neste sábado

Quinto maior vencedor do Campeonato Inglês, principal clube da terceira maior área metropolitana da Grã-Bretanha, campeão europeu na década de 1980, o Aston Villa pode sacramentar neste sábado o seu primeiro rebaixamento na era Premier League, que começou em 1992/93. Basta tropeçar em casa contra o Bournemouth, ou mesmo se o Norwich fizer a mesma quantidade de pontos dos Villans, a queda estará decretada. Isso em uma temporada turbulenta, com troca de dono, presidente, técnico, além de muitos protestos nas arquibancadas.

Quando o torneio se transformou em Premier League, o Aston Villa emplacou logo um vice-campeonato. Em 1995 levou o primeiro susto e ficou em 18º, mas eram 22 times e quatro foram rebaixados. Depois disso se estabeleceu como time de meio de tabela, com temporadas um pouco mais para o alto, e outroas mais para baixo. Mas de 2011/12 para cá, o heptacampeão inglês já vem flertando com a Segundona, e dessa vez há muito pouco a se fazer.

No início dessa temporada, o time de Birmingham perdeu três dos seus principais jogadores. Vlaar saiu de graça para o AZ Alkmaar, o a diretoria vendeu Delph e o artilheiro Benteke, angariando mais de 40 milhões de libras (R$ 204,1 milhões). E investiu em jogadores de qualidade duvidosa, como Gueye, Amavi, Jordan Ayeu, Veretout, Gestede e Adama Traoré. Cada um custou 6 milhões de libras (R$ 30,6 milhões) ou mais.

O resultado em campo foi desastroso. Até agora, em 32 rodadas, foram três míseras vitórias na Premier League, contra Bournemouth - curiosamente o time que pode selar a queda -, Crystal Palace e Norwich. Já são quatro técnicos diferentes, sendo dois interinos. Começou com Tim Sherwood, teve Kevin MacDonald durante uma semana, e então veio Rémi Garde. O francês não deu jeito, caiu, e Eric Black deve ficar até o fim da temporada. Desta forma, vai deixar o seleto grupo dos times que estiveram em todas as edições da era moderno do Inglês, que ficará agora apenas com Arsenal, Chelsea, Everton, Liverpool e Manchester United.

Enquanto isso, mais crise nos bastidores. Mas ela é longa... O empresário americano Randy Lerner comprou o clube em 2006, e de lá para cá investiu mais de 200 milhões de libras (R$ 1,02 bilhão). E levou o técnico Martin O'Neill. O time conseguiu uma estabilidade, e ficou na sexta posição da Premier League três vezes seguidas entre 2008 e 2010. E ainda foi vice da Copa da Liga neste último ano. Mas o treinador saiu ao fim desta temporada, e tudo começou a desmoronar.

Depois de O'Neill, foram cinco técnicos diferentes, sem contar os interinos. Para piorar, o dono do clube estava cada vez mais distante. Não aparecia nos jogos, e a torcida ficou furiosa. Lerner colocou o time para vender há cerca de dois anos.. Em janeiro, convocou o empresário local Steven Hollis para assumir a presidência busca de reestruturar o Villa.

- Quando Randy me procurou em novembro, francamente, não estava na minha lista de possibilidades. Está muito claro que o Aston Villa pode e deve operar de forma mais estável e com mais sucesso, em termos futebolísticos e comerciais - disse Hollis, quando assumiu.

Nos últimos jogos, a torcida intensificou os protestos. Principalmente com cartazes exaltando a história de orgulho, mas questionando sobre o futuro do time. Isso sempre no minuto 74, em alusão ao ano de 1874, ano de fundação do Villa.

- Estou tentando mudar qualquer coisa que aconteceu antes. Não quero apontar o dedo... Estamos na lanterna. Temos que lutar pelos nossos torcedores, que pagam caro para vir aos jogos. O fantasma do rebaixamento não apareceu ontem, vem de muito tempo. Só os jogadores podem lutar - disse Eric Black, técnico interino do Aston Villa, nesta semana.

Além disso, a torcida vai entrar no Villa Park aos sétimos minutos. Número também simbólico, lembrando os sete títulos do Campeonato Inglês. É uma alusão à ausência dos principais dirigentes, que deixaram o time chegar nessa situação. O dono anterior esteve em apenas uma partida de 2013 até sua saída.

O Aston Villa é um dos grandes históricos da Inglaterra. Foi um dos criadores do Campeonato Inglês em 1888. William McGregor, considerado o fundador do torneio, era diretor da equipe. Chegou a dominar o torneio no fim daquele século, levando cinco troféus até 1900, e outro em 1910.

Porém, depois disso entrou em um longo período de jejum e voltou a viver uma grande fase no início da década de 1980. Em 1981 foi campeão inglês, e na temporada seguinte surpreendeu ao levar a Liga dos Campeões com o time liderado por Tony Morley e Peter Withe.

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