'Zidane não se atreve a substituir Cristiano Ronaldo'

Corria a reta final do jogo entre Real Madrid e Villarreal. Cristiano Ronaldo tentou uma bicicleta que não deu certo. Pior. Sentiu alguma coisa, um músculo. E decidiu retirar-se sem ordens do médico ou treinador.

Não deixou de ser chocante. Afinal, um jogador não deve sair de campo desta forma, sem instrução ou ao menos a anuência de seu treinador. Ou do árbitro, que é a autoridade em campo. Cristiano Ronaldo saiu à francesa. Sem despedir-se, sem justificativas, preocupado com alguma coisa que ocorria em seu organismo.

O Real Madrid já ganhava por 3 a 0. Era necessário Cristiano Ronaldo permanecer em campo? Foi isso que perguntaram a Zidane. E ele foi extremamente sincero: "É necessário para ele, de vez em quando, não terminar uma partida. Porém, ele é um atleta que sempre quer jogar, dar tudo o que tem. Por isso, para mim, às vezes, é difícil tirá-lo. "

A confissão põe Zidane em uma posição complicada. Sua sinceridade é valorizada.  Porém, a sua autoridade é colocada em dúvida. Afinal, como ele não pode tirar Cristiano Ronaldo aos 30 minutos do segundo tempo de um jogo que já está 3 a 0?  E ainda admite isso!

Zidane não o tira. Nem ele e nem aqueles que anteriormente comandaram o Real Madrid. E neste caso não se trata de pressão do presidente. Mas a própria ambição do craque.

Cristiano é um viciado pelo futebol e pelo gol. Quem jogar sempre. Merece isso. Há sete anos que o Real Madrid vem fazendo um caminhão de gols. Em todas essas temporadas conseguiu passar dos 100 gols (coisa que antes só ocorrera uma vez). Isso graças ao "plus" que Cristiano Ronaldo dá ao time.  

Quem pode parar Cristiano Ronaldo? Nem mesmo Zidane se atreve. Apesar de, pelo menos, Zizou se atrever a confessar que não se atreve. Isso já é um primeiro passo.

Alfredo Relaño é diretor e colunista do Diário AS

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