Fernando de Noronha, a última fronteira do futebol no Brasil

O Campeonato Brasileiro da Série A começa neste sábado reunindo a elite do futebol do país e monopolizando a atenção de todos os torcedores. Ou quase todos.

Desde 2011, o paulista Thiago Monteiro, 31 anos, trabalha por um sonho: fazer com que Fernando de Noronha tenha uma "seleção". O arquipélago que pertence a Pernambuco é a última fronteira do futebol brasileiro. A locomoção é difícil, só é possível chegar de avião. São 540km saindo de viagem até Recife. Não há tradição esportiva.

Mesmo assim, a notícia de que uma equipe local está sendo formada, fez aparecer convites do Brasil e do exterior para amistosos. Um combinado de jogadores argentinos pediu a marcação de partida na ilha. Apareceu oferta para uma excursão pela Groenlândia, próxima ao Pólo Norte.

- Não pudemos aceitar a viagem porque não há dinheiro. A falta de patrocínio fez com que a gente demorasse esse tempo todo para conseguir viabilizar a equipe - diz Monteiro ao LANCE!

Ele é o representante no Brasil do Conselho Sul-Americano de Novas Federações (CSANF). É uma entidade que faz parte do que é conhecido como "futebol fora da zona de influência da Fifa". Há diferentes federações que reúnem "seleções" que não são reconhecidas como países, mas possuem identidades culturais, territoriais ou linguísticas.

A atual campeã europeia, por exemplo, é a Padania, uma nomenclatura que reúne diferentes regiões italianas como Lombardia, Piemonte, Emilia-Romagna, Friuli, Vêneto, Ligúria, Trentino e Vale d'Aosta.

- Nós levamos muito tempo para encontrar gente interessada, até que achei uma pessoa que era gerente de uma escola de mergulho em Fernando de Noronha. Ele era também tesoureiro da associação local. Mesmo assim, não havia dinheiro. Tivemos de ser criativos para conseguir os uniformes - completa Monteiro.

A criatividade foi lançar uma campanha nas redes sociais para descobrir quem estava dispostao a comprar um uniforme da seleção de Fernando de Noronha. Os interessados tiveram de pagar metade do valor na hora, com a promessa de receber a camisa e depois dar os outros 50% do dinheiro.

- Neste mês vai começar o nosso campeonato local. Deste torneio vamos tirar os jogadores para montar a seleção - declara Genilson Deolino.

Ele é o responsável pela ANOVE, associação que organiza os torneios amadores no arquipélago e é o contato de Thiago Monteiro. Serão seis equipes e a estreia da seleção de Fernando de Noronha deverá ser no município de João Câmara, no Rio Grande do Norte.

Há outro sonho que ainda é considerado distante, assim como foi um dia formar a seleção. Inscrever a equipe nas divisões inferiores do Campeonato Pernabucano. Neste caso, a ideia seria colocar o arquipélago dentro da estrutura formal do futebol. Para quem sofreu para conseguir dinheiro até mesmo para ter os uniformes, é um desejo e tanto.

- Está longe, mas o sonho que temos aqui é esse - confessa Deolino.

Os times são formados por associações culturais, escolas de mergulho, pousadas. Entidades e empresas que sobrevivem do turismo, a grande mola propulsora da economia local. O que o futebol de Fernando de Noronha precisa realmente é um patrocínio.

- É tudo muito carente ainda. Desorganizado - constata Monteiro.

- Nós temos apelo turístico. Qualquer coisa sociocultural ou esportiva é muito complicada. Minha sogra vive aqui há mais de 60 anos e trabalha com eventos de maracatu. Para fazer qualquer coisa em Fernando de Noronha é um Deus nos acuda. Imagina ter um time de futebol. - finaliza o representante da ANOVE.

Segundo o censo de 2015, a população é minúscula: 2.930 habitantes. Grande, por enquanto, é só o sonho. Mas. por que não?

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