Técnico de Portugal olímpico acha difícil trazer CR7, mas é só elogios à geração, e diz: 'Estaremos em casa'

A seleção portuguesa tem uma geração bem promissora. Diversos jogadores dos 18 aos 23 anos já são importantes em seus clubes e são observados por várias potências europeias. Uma boa oportunidade de provar esse valor será na Olimpíada do Rio de Janeiro. A equipe das quinas se classificou pela quarta vez em sua história, e chega como candidata a uma medalha, o que seria inédita, independente de qual cor ela seja. Na frente de tudo isso está Rui Jorge, ex-jogador de Porto e Sporting, que será o técnico dos lusos no torneio. A má notícia é que há pessimismo pela presença de Cristiano Ronaldo.

- Ainda não definimos exatamente se vamos utilizar os três jogadores acima dos 23 anos, vamos esperar. Mas não acredito na presença de Cristiano Ronaldo - disse Rui Jorge em entrevista exclusiva ao LANCE!, que prefere nem pensar em como seria se o craque do Real Madrid, que já disse que gostaria de estar no Rio, pudesse estar no Rio:

- Não sei. Não estamos pensando nisso. Claro, é um dos melhores do mundo. A sua contribuição seria em qualquer clube ou seleção.

Esta será a quarta participação de Portugal no futebol masculino nos Jogos Olímpicos. A seleção das quinas foi em 1928, 1996 e 2004. O mais longe que ela chegou foi em Atlanta, quando perdeu a semifinal para o Brasil de Ronaldo e Bebeto por 5 a 0 e ficou sem o bronze. Rui Jorge é cauteloso ao falar se o seu time briga por medalha, a tem como meta mostrar a qualidade do projeto.

- Chegamos em condições de continuar o bom trabalho que temos feito. E de mostrar que a equipe conseguiu com a classificação para os Jogos. Demos mostras na Europa que somos fortes, e vamos tentar mostrar isso também em nível mundial na Olimpíada.

Na verdade, a cautela é como um todo. Pelo fato de as seleções terem a limitação da idade, e de nem sempre todos conseguirem que os três acima dos 23 anos sejam liberados, é difícil prever o que vai acontecer e apontar os favoritos. Rui Jorge prefere esperar para falar sobre isso.

- Eu creio que, apesar de historicamente o Brasil nunca conseguiu o título olímpico, e é bastante complicado de conseguir, o fato de jogar em casa eventualmente pode ser algo motivador para a Seleção Brasileira. Agora, não será fácil para ninguém. Nesta altura é muito prematuro falar disso. Inclusive não conhecemos todas as equipes que estarão, não sabemos quem vão levar, são sobre países apenas que estamos falando, e não quem vai representar.

Mas não vão faltar opções a Rui Jorge. Por ser ano de Eurocopa e a seleção principal ser prioridade, alguns jogadores sub-23 que vão ao torneio deverão perder os Jogos. Casos de Raphaël Guerreiro, João Mário, André Gomes, Renato Sanches e Rafa Silva. Por conta disso, será difícil contar com eles.

- Não gerando incompatibilidade em termos de data, pode haver uma sobrecarga, ausência de férias que podemos sujeitá-los. E partindo do princípio que pode ter jogadores com possibilidade de disputar os Jogos Olímpicos e que estarão na seleção principal, claro que há interferência. Mas com certeza teremos jogadores aptos, com vontade de ir, e faremos de tudo para ir bem e nos apresentarmos bem. Mais importante que isso é por ser em uma altura de pré-temporada, e será esse o nosso grande obstáculo.

Entre os que estão em idade olímpica e não estão na Eurocopa, há bons destaques em clubes importantes. Rúben Neves, mesmo com apenas 19 anos, já foi capitão do Porto algumas vezes. Bernardo Silva, 21, é um dos destaques do Monaco. Gonçalo Guedes, 19, foi importante no tri do Benfica.

Iuri Medeiros e Diogo Jota se destacaram intensamente em clubes pequenos, Moreirense e Paços de Ferreira, e vão para grandes na próxima temporada. André Silva foi o craque do Porto B no título da Segunda Divisão, e já tem aparecido no time principal, Ricardo Pereira, emprestado ao Nice pelo Porto, é um dos melhores laterais do Campeonato Francês. Isso entre outros exemplos. O auge dessa equipe foi no ano passado, na bela campanha da Eurocopa Sub-21, perdendo a final para a Suécia, com alguns desses citados.

- Acho que os jogadores que foram referidos, como outros que fizeram parte dessa caminhada, estão em bons clubes, em bons campeonatos, e todos estão mais experientes agora do que antes, há um ano. E serão mais fortes. Portanto, a exemplo destes, outros terão essa capacidade e poderão ajudar Portugal - continuou Rui Jorge, que exaltou ainda Rúben Neves e Renato Sanches, duas jovens sensações portuguesas:

- Todos podem se encaixar nessa equipe. Agora, é evidente que na altura da temporada, de como terminam esta, o fato de jogarem juntos há algum tempo terá o seu impacto. Enquanto falamos de jogadores dessa qualidade, se mantiverem esse nível de atuação, serão jogadores para avaliarmos e entrarem nessa convocação.

Portugal está no Grupo D da Olimpíada. Estreia no dia 4 de agosto no Engenhão contra a Argentina. Depois pega Honduras, também no Estádio Nilton Santos, e fecha sua participação nesta fase em Belo Horizonte, no Mineirão, contra a Argélia.

CONFIRA O RESTANTE DA ENTREVISTA EXCLUSIVA COM RUI JORGE

Pela histórica ligação entre Brasil e Portugal, vai ser especial jogar a primeira Olimpíada no país irmão?

É um país que gosta muito de futebol, e acho que vamos sentir isso também. E são os Jogos Olímpicos, todos irão querer fazer o melhor, e vamos nos sentir em casa no Brasil.

William Carvalho esteve no sub-21, mas já terá 24 anos, poderia ser um dos eleitos?

O William, como o Sérgio Oliveira, Paulo Oliveira e Daniel, serão quatro jogadores que estiveram no Europeu, que por limitação de idade, teriam que fazer parte deste bloco de jogadores acima da idade. Claro que lembramos do contributo, mas isso vai depender das escolhas futuras, são quatro jogadores excelentes no grupo, mas tudo vai estar dentro do nosso pensamento.

Como avalia essa geração dos 17 aos 23 anos?

Eu acho que os clubes portugueses têm um papel muito importante nessa qualidade dos jogadores. Nos últimos anos, em Portugal, teve o fato de alterarmos o formato do campeonato de base, passaram a entrar em competições de nível internacional para a fase final da formação, e o reaparecimento das equipes B, isso ajudou muito para o que fazemos nessa seleção. Temos jogadores mais capazes, com outras dinâmicas, vivências, e isso ajuda a nós e à seleção.

Qual é a importância dos clubes na geração de novos valores?

É por aí. Isso aliado à seleção, a qualidade do trabalho que desempenhamos desde o sub-15, isso eleva o nível, faz com que apareçam bons jogadores e que possam enfrentar as melhores seleções. A base do trabalho está nos clubes, Porto, Benfica, Sporting, Guimarães, Braga... São os que mais cedem jogadores às seleções, e depois há que tentar organizar e trabalhar da melhor forma possível.

Em relação a treinadores, há muita competência?

Em regra geral, são treinadores bem preparados e com capacidade. Não só para a formação de jogadores, mas também resultados, adaptação a outros campeonatos, isso fruto da retaguarda que eles têm.

Existe um bom diálogo com a seleção principal?

Sim, muito bom, não há qualquer dúvida entre nós. Todas as informações são passadas, da forma que entendemos melhor. Tem sido simples essa ligação, essa facilidade que eles têm alternao entre as seleções, notamos que eles estão atentos a isso. Isso é fundamental para que estejam motivados.

Como avalia a sua carreira de treinador? Pensa depois em ir para clubes?

Nessa altura estou completamente focado neste espaço. Claro que estando aqui, as propostas surgem. Mas não sinto tentado. Gosto do que faço, estou motivado. E a partir daí, estou no lugar certo.

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