Bi do Brasileiro, Jean cita inspiração em Deco para ser líder no Palmeiras

  • EFE/Gaston Britos

    Jean abre o jogo sobre nova fase na carreira no Palmeiras

    Jean abre o jogo sobre nova fase na carreira no Palmeiras

Esta será uma semana diferente para Jean. Às 21h45 desta quarta-feira (25), no Allianz Parque, o volante do Palmeiras irá rever o Fluminense, clube que defendeu entre 2011 e 2015. No domingo, o reencontro será com o time que o revelou, o São Paulo, onde esteve entre 2008 e 2011, sem contar as categorias de base. Nos dois tricolores, ergueu a taça do Campeonato Brasileiro.

No elenco alviverde, só o lateral esquerdo Egídio, bicampeão com o Cruzeiro em 2013 e 2014, conhece tão bem quanto ele o sabor da conquista que virou obsessão para todos no clube - a última vez que o troféu ficou no Palestra Itália foi em 1994.

Esse é um dos motivos pelos quais o jogador de 29 anos, que chegou ao Palmeiras em janeiro como um dos principais reforços para a temporada, tornou-se um dos líderes do grupo e uma referência para os vários garotos do Verdão.

Em conversa com o jornal "Lance", Jean contou com qual dos jovens tem conversado mais, revelou o conselho daria para um menino que se vê diante da possibilidade de ir para a Europa - o que pode acontecer em breve com Gabriel Jesus -, revelou em quais atletas se inspira na hora de se portar como líder e falou sobre o carinho que sente por Fluminense e por São Paulo. E engana-se quem pensa que, por ter dois Brasileiros no currículo, ele não esteja tão obcecado pelo título nacional de 2016 como os demais.

"O que tem pela frente hoje é o Brasileiro? Então vamos conquistar. Eu quero sempre ganhar o que estou disputando", disse.

Aos 29 anos, você está na turma dos atletas experientes do Palmeiras. Consegue exercer uma liderança, principalmente com os jovens?

Jean: Eu sou um pouco mais quieto nesse sentido, gosto de observar mais e de estar sempre conversando individualmente. Gosto mais de chamar um ou outro para conversar no particular do que propriamente na roda de vestiário, na hora que fecha para a oração. Prefiro chamar no particular e falar um pouquinho da dificuldade que a gente pode encontrar em cada partida e qual o caminho que pode ser mais fácil, principalmente para os mais jovens. É dessa forma que eu procuro passar essa experiência que já conquistei.

Quando você começou a colocar em prática essa liderança?

Foi no Fluminense. No São Paulo, eu acabei sempre aprendendo mais. No Fluminense, a partir de 2013, 2014, já com uma certa idade, a vivência, a quantidade de jogos no Campeonato Brasileiro, e os títulos também, graças a Deus, fizeram com que eu começasse a me sentir um líder. Senti também uma certa obrigação de passar para os mais jovens as experiências que já vivi, principalmente falando de Campeonato Brasileiro.

Você já conviveu com muitos jogadores com esse perfil. Algum deles serve de inspiração para o dia a dia?

Eu tive muito contato com o Fred, não só no clube, mas fora também. Ele sempre foi um líder, desde quando voltou da França. Eu comecei a aprender muito com ele, aprendi também com o Rogério Ceni no São Paulo, que é um líder que não tem como discutir. Com o Deco também, quando chegou no Fluminense, procurei aprender bastante. É mais a forma como eles conduziam as palavras, mostravam para os mais novos o que estavam pensando, uma experiência tática ou extracampo também. O que mais aprendi com eles foi isso, passar as questões que a gente sabe e aprendeu durante a nossa carreira.

O Fred e o Rogério Ceni têm o perfil de comandar a roda de vestiário. O Deco parecia ter um perfil mais semelhante ao seu. É mais ou menos isso?

Sim, sim. O Fred e o Rogério, o que eles tinham na mente, eles já queriam passar logo, pensavam muito no time, queriam sempre falar quando o time estava unido, fechado. O Deco era mais individual, chegava um pouquinho mais sozinho nos jogadores. Eu, com certeza, tenho esse perfil um pouco parecido com o do Deco, de chegar em cada um e falar. Não tenho essa questão de passar as palavras para todos.

Essa liderança deixou o Deco bem próximo do Wellington Nem. Tem algum garoto do qual você se aproximou por essa questão de liderança e acabou se tornando um amigo?

Primeiro vou ali pelo meu setor, que tem o Róger Guedes, o Tchê Tchê, que chegaram há pouco tempo. São jogadores de extrema qualidade, o Róger um pouquinho mais novo que o Tchê Tchê. Os dois são os que eu sempre estou conversando, por estarem mais do meu lado. Tem o Gabriel Jesus também, que sempre que vejo alguma coisa falo com ele. Ele também dá essa liberdade para a gente poder passar as experiências. E o Matheus Sales, que sou do quarto dele, que é um menino novo, de muita qualidade. Desses quatro, mais o Matheus Sales. A gente acaba ficando mais junto, acabo passando mais coisas para ele.

Você surgiu ainda jovem no São Paulo, mas tem uma história diferente. Construiu a carreira em clubes do Brasil e não foi para a Europa. Aconselharia esses garotos a não irem para fora e se fixarem no Brasil?

Eu sempre tive vontade, tive o sonho de ir para a Europa, como todo jogador quando começa. Mas agradeço muito a Deus porque sempre fui muito valorizado aqui no Brasil, sempre tive as portas abertas em muitos clubes, nunca fui de ter problemas fora de campo. Você acaba conquistando até os adversários, porque lá na frente pode ser que você venha a vestir outra camisa. Sempre tive o sonho de jogar na Europa, mas por uma ocasião ou outra acabou não acontecendo. Sempre digo para eles que oportunidades aparecem e podem não voltar. Na minha vida, eu não me lembro de uma proposta concreta de algum time da Europa, mas sim sondagens, interesse. Cada um tem uma forma de pensar, vai do sonho de cada um. O meu maior sonho era chegar na seleção brasileira e eu conquistei esse sonho, graças a Deus consegui realizar. Mas se o menino tem o sonho de jogar na Europa e tiver uma oportunidade eu digo para que vá, para que amanhã ou depois ele não fique no Brasil pensando que poderia ter ido.

A parte da seleção nrasileira você já realizou. Hoje, qual é o sonho que você alimenta?

Meu sonho é sempre conquistar títulos com a camisa que estou vestindo. Graças a Deus, passei pelo São Paulo e pelo Fluminense sempre ganhando, até com a Seleção, conquistei Superclássico das Américas, Copa das Confederações. Então, cara, esse é meu sonho aqui, ganhar títulos no Palmeiras. De preferência, buscar uma Libertadores, um Mundial. Esse é meu primeiro ano ainda, pode acontecer e estou trabalhando para cada vez estar melhor. Eu nunca falo que estou bem, que já está bom. Quero sempre conquistar o que está pela frente. O que tem pela frente hoje é o Brasileiro? Então vamos conquistar o Brasileiro. É a Copa do Brasil? Então vamos ganhar. Eu quero sempre ganhar o que estou disputando.

Você já ganhou o Brasileiro duas vezes, algo que só o Egídio conseguiu entre os jogadores do Palmeiras. O que você aprendeu com esses títulos?

Primeiro que mudou muito, né? Está a cada ano mais disputado. As equipes teoricamente inferiores não têm nada de inferior, só no escudo, no tamanho, na grandeza, porque dentro de campo está tudo igual. Quem erra menos é que sai com a vitória. Isso mudou muito. Uma coisa que sempre guardo comigo e procuro passar para os jogadores é que o importante não é chegar lá em cima. Às vezes a gente chega e nosso corpo, nossa mente, nos enganam. O mais importante é se manter lá em cima. Você vê que com um tropeço a gente já caiu bastante. Isso não pode acontecer, a gente tem que se manter lá em cima, ainda mais em um ano em que está mais disputado ainda. Você vê que na segunda rodada não tem ninguém com seis pontos.

Por esse início de campeonato, acha que este ano será mais complicado do que os outros?

Acho que sim. É difícil falar no começo, mas pelo grau de dificuldade das outras equipes, principalmente das equipes menores em casa, a gente vê que está muito difícil. A Ponte Preta, se jogar o que jogou contra nós, vai brigar por uma Libertadores, vai brigar lá em cima, pode ter certeza disso. Quem consegue ter uma regularidade maior é que consegue coisas grandes.

Quais times você apontaria como principais concorrentes do Palmeiras na briga pelo título?

Tem os grandes, é difícil citar um ou outro, porque são 12 grandes favoritos ao título. É o campeonato mais difícil do mundo. Difícil falar assim, mas você tem o São Paulo, que está pensando na Libertadores. Você tem o Inter começando bem, o próprio Fluminense. Está no começo ainda, é difícil, mas acredito que esses dois vão dar trabalho, o Corinthians pode crescer durante o campeonato. Mas o Fluminense e o Inter estão para brigar pelo título e vão dar trabalho.

Esta será uma semana diferente para você, né? Primeiro encara o Fluminense e depois, no domingo, o São Paulo. Sente alguma coisa diferente por rever os seus ex-clubes?

Não, não... Até porque o São Paulo já faz muito tempo, né? Do Fluminense, graças a Deus, saí pela porta da frente, fiquei muito feliz pelo tempo que passei lá, quatro anos realmente muito intensos. Poxa, posso falar de boca cheia que vivi grandes momentos lá e tenho um carinho especial. Mas não penso nisso. Claro que são dois clubes em que trabalhei, mas hoje vejo de forma natural.

Você guarda um carinho maior pelo Fluminense do que pelo São Paulo? Como são as relações?

Ah, tenho muito carinho pelo São Paulo, fiquei dez anos lá, desde as categorias de base. Gostaria de ter saído de uma forma diferente, mas são coisas que já passaram. Sempre vou ser grato porque o São Paulo me lançou para o futebol nacional, até mundial, para a seleção e tudo. Com certeza o São Paulo tem algo muito especial no meu coração também, mas o Fluminense foi algo mais profundo, mais forte.

Já combinou com os ex-companheiros com quem vai trocar a camisa no jogo?

Tem muitos, cara (risos). Vou deixar para falar na hora. Não vou nem conversar com ninguém antes, porque a gente vai ser adversário.

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