Amaral diz que Palmeiras-96 evitaria vexame: "faríamos 7 a 1 na Alemanha"

  • Folha Imagem/Arquivo

    Amaral foi um dos destaques do Palmeiras no Campeonato Paulista de 1996

    Amaral foi um dos destaques do Palmeiras no Campeonato Paulista de 1996

Apenas três titulares do Palmeiras não balançaram a rede na campanha do título paulista de 1996, na qual o clube marcou 102 gols. São eles o goleiro Velloso e os volantes Flávio Conceição e Amaral. O "coveiro" - como era conhecido pelos amigos por ter trabalhado em uma funerária na juventude - disse não se importar por ter passado em branco nesse quesito. Ele prefere ser lembrado pela postura defensiva e marcação forte, que permitiram que o Verdão sofresse apenas 19 tentos em 30 jogos.

"Não fico triste por não ter feito gols. A gente brincava que, se a bola passasse do meio de campo, eu ia voltar a pegar defunto. Meus gols eram as bolas que eu roubava. Jogava duro. Eu era o pedreiro, quem carregava a massa, enquanto meus companheiros só colocavam os tijolos", afirmou o ex-jogador em entrevista ao "Lance", lembrando de uma reclamação dos colegas artilheiros.

"Os caras reclamavam que tinham marcado três, quatro gols, e eu, que não fazia gol, que sempre era eleito destaque da partida. Fui o melhor jogador em campo em várias ocasiões naquele campeonato", acrescentou.

Embora tenha defendido outros clubes grandes, como o rival Corinthians, Amaral ainda guarda um imenso carinho pelo clube que o formou. Ele acredita que o título conquistado há 20 anos, quando ainda dava os primeiros passos no profissional, foi essencial para o desenrolar de sua carreira.

"Aquela taça foi fundamental. Me fez ganhar a confiança dos dirigentes e da torcida, me levou para a seleção brasileira. Se não tivesse sido campeão, talvez nem vingasse como jogador. "O coveiro veio aqui para enterrar o time", Já tinha até piada pronta. Mas deu certo. Devo tudo ao Palmeiras", reconheceu.

Memórias da campanha de 1996, salário inicial baixíssimo, "bicho" que bancava as contas, relação com Luxemburgo, reação da torcida após vê-lo defender o rival e visão do 7 a 1. Conheça outras histórias de Amaral na entrevista abaixo.

Como era o Luxemburgo nos bastidores em 1996?

Ele sempre falava que se a gente levasse a campo o que ele passava no quadro, conseguiria ser campeão. Mas ninguém achava que ia ser da maneira que foi., Surpreendeu muito, o time era uma máquina de fazer gols. Se algum jogador achava que devíamos mudar nossa forma, o professor falava para seguirmos suas instruções, porque ele podia levar méritos, mas era a gente que ergueria a taça. Luxa dava palestra, mexia com nosso brio, a gente entrava em campo e queria vencer. Foi isso que fez o Palmeiras ser grande.

Quais suas principais lembranças daquele campeonato?

Lembro que foi ali que eu comecei a ganhar dinheiro com futebol. Meu salário não passava de 500 reais. A gente recebia bicho pelos resultados positivos, e muitas vezes era um valor mais alto. Ajudava bastante. Eu morava no CT, embaixo da arquibancada. Comecei a ganhar dinheiro e pude realizar meu sonho de comprar uma casa para minha mãe, poder ter um carro.

Hoje é possível ver um time fazer 102 gols em 30 jogos?

Talvez sim, se o time for bem formado. Mas o que o Palmeiras tinha era seleção. Hoje o Brasil vive muito carente de jogadores. Se nessa época ainda tivesse um time como aquele, iam simplesmente colocar a amarelinha na equipe do Palmeiras. Todos eram de alto nível.

Com o Palmeiras de 96 nos dias de hoje, haveria 7 a 1?

Seria o contrário, nós faríamos 7 a 1 na Alemanha.

O que faltou para o Palmeiras ganhar a Copa do Brasil há 20 anos?

O time foi desmanchando. Teve aquela final contra o Cruzeiro, eu errei, o Velloso errou, a gente estava muito confiante, achando que conseguiria um bom resultado. Chegou no Parque Antárctica e a gente já tinha até combinado como ia festejar o título. Teve salto alto e a gente perdeu.

Se a equipe não tivesse se desmanchado, teria vencido o Brasileiro?

Com certeza. A gente vinha de conquistas, estava confiante e unido, o time era bom. O Campeonato Brasileiro ia ser uma teta.

Como seria a campanha de 96 se fosse disputada no Allianz Parque?

Seria um espetáculo, uma verdadeira obra de arte ver nomes como Rivaldo e Müller desfilando em um estádio como esse. Totalmente diferente.

Você jogou em outros grandes, como o Corinthians. Como é sua relação com o Palmeiras? Ainda é reconhecido pela conquista?

Tenho um carinho muito grande pelo Palmeiras e a torcida gosta de mim até hoje. Sempre vou ver os jogos junto com a Mancha Verde, e eles falam que eu sou o único que jogou "do outro lado" e tem moral com eles, porque honrei a camisa do Palmeiras. Quando estava no Corinthians e teve aquela briga com o Edílson (no Paulista de 1999), só entrei para apartar mesmo. A gente vê o reconhecimento, está colhendo agora tudo o que plantou lá atrás.

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