Messi, Jimmy Page e a comunidade descendente de quilombolas

Você pode pensar que o título acima não faz o menor sentido, mas se acalme, leitor. Em Lençóis, pequena cidade na região da Chapada Diamantina, na Bahia, uma criança não parava quieta entre as cadeiras de um bar. Até que um homem grita.

- Messi! Messi, pare! Venha cá! - ordenava o pai.

Já havia ali um retrato da história. Um dos 76 Messis registrados no território brasileiro, em pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no último mês de abril, é aquele baianinho.

Como se não bastasse ninguém conseguir conter os impulsos do homônimo, tal qual o camisa 10 do Barcelona, o menino de dois anos completados no início do mês de maio também é viciado em futebol. Acha pouco? Ele também é canhoto. Mas não foi Ostimário Jorge, o pai, músico conhecido como Branco, quem escolheu o nome.

- Esse nome de Messi veio da mãe dele, que admira esse jogador. Ele, desde pequeno, joga bola na comunidade, então logo perguntavam: "Messi"? Por que não um Romário? Logo argentino, rival da gente... mas ela resolveu - explica Branco, ao LANCE!.

A mãe é Judite, que trabalha no bar onde o filho se divertia. A comunidade citada por Branco é o Remanso - onde vivem cerca de 300 descendentes quilombolas -, vizinha à Lençóis e mais encravada ainda na Chapada Diamantina. Judite veio de lá. E lá o futebol se faz presente, como em todo canto do mundo de Messi.

BOLA E GUITARRA

No Remanso e em outras localidades próximas, os campeonatos de futebol amador são tradicionais. Aos 55 anos, Domingos de Souza, o Caburé, é tio-avô de Messi e um orgulhoso lider da equipe "Jamaica".

- Temos uniforme e tudo. Fomos campeões umas três vezes no campeonato, que já tem nove anos. O time é usufruto: mais velhos vão morrendo, mais novos nascendo e já tem uns quarenta e cinco anos o futebol no Remanso - comentou ao LANCE!.

Num quilombo no Remanso nasceram ascendentes de Messi, que parece querer seguir os passos de quem lhe inspirou o nome. Se não for o caso, a outra linhagem da família também tem sucesso conhecido.

Músico que é, Branco, pai de Messi, teve em seu pai outro músico de sucesso na região. Sinal de que a parceria da família com Jimmy Page deu certo. É fato histórico e, certamente, engrandecedor para a qualidade musical da pequena cidade da Chapada Diamantina.

Sim, o guitarrista de tanto sucesso na banda inglesa Led Zepellin, esteve no centro da Bahia em ocasiões não raras. Ao longo dos seus 72 anos, o músico ainda costuma dar as caras pela cidade baiana.

Sobre um Messi nós já sabemos. Agora, este pequeno Messi tem a música de um lado e o futebol do outro. E um futuro imenso que a inquietude lhe reserva.

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