Saída de Cunha reforça gestão que foge ao populismo no São Paulo

O modo de gerir do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva tem sido marcado por ações fora do populismo que caracteriza a figura do cartola brasileiro. A última aconteceu no processo de saída do agora ex-diretor de futebol, Luiz Cunha, que teve o pedido de demissão comunicado pelo clube nesta terça-feira.

Fiel a um planejamento traçado desde o fim do ano passado e que levou o time à semifinal da Libertadores, o mandatário bancou e deu novo voto de confiança ao diretor executivo Gustavo Vieira de Oliveira em uma queda de braço que acabou culminando na saída de Cunha.

Em um apanhado de situações, as atitudes e ideias de Cunha colidiram com o ambiente montado por Gustavo no departamento de futebol profissional. A divergência chegou ao limite com a contratação do atacante Christian Cueva, da qual o ex-diretor diz ter ficado fora do processo - ele era contra a vinda do peruano porque achava que o clube não poderia investir dinheiro antes de acertar a permanência de Maicon, que está emprestado pelo Porto (POR).

Contrariado, Cunha exigiu providências de Leco, que preferiu manter apoio a Gustavo a aceitar as sugestões do ex-diretor. A saída, então, estava consumada.

A postura do presidente, mais uma vez, é arriscada do ponto de vista político. Luiz Cunha fez fama no clube e com a torcida, apesar de estar em trabalhos dos quais participou por pouco tempo. Na base, ficou cinco meses e colheu os frutos dos títulos recentes do sub-20. No profissional, três meses, com uma estrutura que já estava em andamento.

Em outras ocasiões, Leco agiu parecido. Quando havia pressão para o anúncio de um técnico, na reta final do Brasileiro, apostou em Milton Cruz e deu tempo a Gustavo para trazer Bauza. A mesma paciência foi adotada nos reforços. O clube virou o ano sem contratar e ainda não fez uso do dinheiro que tem em caixa. Leco manteve em sua diretoria Ataíde Gil Guerreiro, mesmo após expulsão do quadro de conselheiros por briga com o ex-presidente Aidar.

As decisões trazem a seguinte reflexão: se for campeão da Libertadores, estará consagrado. Caso contrário, a reeleição ficará bem difícil.

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