FIVB causa desconforto em tentativa de 'acelerar' partidas no Grand Prix

A pressa é inimiga da perfeição. E talvez tenha sido este um dos fatores prejudiciais para a Seleção Brasileira feminina de vôlei na última quinta-feira, na estreia no Grand Prix, ainda que a vitória sobre a Itália por 3 a 1, parciais de 23-25, 25-15, 25-15 e 27-25, na Arena Carioca 1, não tenha escapado.

Concentradas no vestiário do Parque Olímpico poucas horas antes de a bola subir, as brasileiras foram pegas de surpresa com uma recomendação da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), que não foi bem recebida.

A jogadora que fosse sacar não deveria, após o ponto, comemorar o feito com suas companheiras. A ideia já vem sendo debatida há meses. A entidade quer testar partidas mais rápidas, para satisfazer a um desejo antigo das televisões, prejudicadas pela imprevisibilidade de duração do esporte.

- Não foi fácil. Começamos muito aceleradas para atender ao que foi pedido. Nós temos uma rotina do saque e agora será preciso adaptá-la. Para mim, foi a primeira experiência assim. Ainda não encontramos o timing certo - afirmou a ponteira Fernanda Garay.

- É chato. Fica um jogo muito corrido. Eu não gostei e espero que não vingue. Falaram assim: "Quando fizer o ponto, já corre para o saque, não vai comemorar". Perdemos o momento de vibração com o grupo, ainda mais depois de um grande rally, quando é bom termos aquele descanso - lamentou a levantadora Dani Lins.

Para um jogo de quatro sets e com boa dose de nervosismo, que quase foi para o tie-break, o objetivo dos organizadores foi cumprido. O "espetáculo" durou 1h43. A meta é que as partidas não ultrapassem 1h50. A recomendação do jogo mais acelerado também será feita entre os homens, na Liga Mundial.

O técnico brasileiro é a favor da medida e garante que a necessidade de adaptação a um jogo mais "corrido" não pode servir de desculpa para o desempenho da Seleção, que, para ele, foi muito abaixo da média.

- A adequação é algo que nós temos de fazer. Podem dar todas as desculpas do mundo, mas temos de jogar com mais atitude se quisermos chegar bem aos Jogos - afirmou Zé Roberto, após o jogo.

- Elas, por estarem participando do jogo, podem ter achado ruim. Eu não senti diferença. Para mim, elas comemoram o quanto quiserem. Mas (a mudança) é uma tendência mundial. Temos de nos adaptar - completou o comandante.

Após um primeiro set complicado, em que a Itália deu trabalho com a jovem oposto Egonu, de 17 anos, o Brasil acordou. Empatou a partida em seguida e parecia até encaminhar a vitória.

Na última parcial, um susto. A reserva Diouf, que havia saído do banco, foi arma poderosa para quase levar a disputa ao tie-break. Uma reação no bloqueio, que rendeu 17 pontos às brasileiras no total, fez as donas da casa selarem a virada.

Nesta sexta-feira, as brasileiras encaram o Japão, às 14h10, no mesmo local, que será palco do basquete masculino na Rio-2016. As asiáticas estrearam com triunfo por 3 a 0 sobre a Sérvia. E Zé Roberto espera uma mudança de postura.

- Antes, só tínhamos disputado amistosos. O time tem muito a melhorar, tanto em bloqueio, defesa, saque e passe. Iremos nos adaptando ao longo do torneio- disse a ponteira Natália, maior pontuadora na estreia, com 16 acertos.

O último compromisso do time na capital fluminense será contra a Sérvia, domingo. Depois, a Seleção viaja para Macau (CHN) e Ancara (TUR), na sequência da primeira fase. Para o Grand Prix, Zé pode inscrever 14 atletas em cada etapa. Na Olimpíada, ele terá apenas 12 à disposição.

Contra o Japão, time terá mudança

Para o duelo contra o Japão, Zé Roberto afirmou que mudará a escalação da equipe, como parte da estratégia de testar todas as jogadoras com foco na Olimpíada do Rio. A central Fabiana dará lugar a Thaisa. Juciely, que briga por uma das vagas da posição na Rio-2016, seguirá no time por enquanto.

As ponteiras Natália e Fernanda Garay devem seguir na equipe principal, mas a jovem Gabi entrará aos poucos no decorrer da competição, assim como Jaqueline, que só estreia na semana que vem.

- O Japão não tem tanta exuberância de ataque nas bolas altas como a Itália, mas essas escolas são importantes para termos uma ideia do que serão os Jogos - afirmou Zé.

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