Prass: 'Quero jogar por no mínimo mais quatro anos. E no Palmeiras'

  • Eduardo Knapp/Folhapress

    Prass praticamente descartou a possibilidade de atuar por outro clube

    Prass praticamente descartou a possibilidade de atuar por outro clube

Fernando Prass vai encontrar neste domingo, às 16h, no Allianz Parque, um adversário que indiretamente o ajudou a mudar de patamar no Palmeiras. Os pênaltis de Petros e Elias, na semifinal do Paulistão do ano passado, e de Lucca, no jogo que quebrou um tabu de 21 anos sem vitórias do Verdão sobre o Corinthians no Pacaembu, pelo Estadual deste ano, certamente estão entre as defesas mais emblemáticas do camisa 1 no clube.

Amado pela torcida, muito por causa de momentos como esses, o capitão já não se vê fora do Palestra Itália. Nesta entrevista exclusiva ao LANCE!, em que ele também falou sobre torcida única e sobre a possibilidade de se tornar empresário (ou advogado, administrador...), Prass revelou seus planos:

- A minha ideia é jogar em alto nível por no mínimo mais quatro anos. E no Palmeiras. Se não acontecer isso, provavelmente eu não jogue em nenhuma outra equipe - disse o ídolo, de quase 38 anos.

LANCE!: O Dérbi terá torcida única. O que você pensa sobre isso?

Fernando Prass: É um paliativo e ainda não sei se eficiente. Os incidentes mais graves não ocorrem dentro do estádio, ocorrem no trajeto, até longe do estádio, em estações de metrô, ônibus, trem. Chegou a um ponto em que a segurança pública achou por bem ter uma atitude paliativa, mesmo causando mínimo impacto em termos de violência, mas que fosse feita. É melhor pecar por uma ação do que por omissão. Acho que até quem fez tem total ciência de que não é isso que vai resolver a violência no futebol. E também não se resolve violência no futebol sem resolver a violência da sociedade. Não é exclusividade do futebol.

Você é um atleta que emite suas opiniões e pensa além do futebol. Cogita seguir ligado ao esporte quando se aposentar? Qual função você acha interessante?

Dentro de campo, não sei se vou trabalhar quando parar, porque é uma rotina que eu já vivo há muito tempo. Mas eu adoro também (risos), então não posso falar que não vou fazer. Diretor é uma função muito complicada. Tenho amigos que são diretores e eles falam: "O time podia perder, mas quando eu jogava, meu rendimento só dependia de mim". Quando eles viram diretores, dependem de 30 jogadores, da comissão técnica... Eu vejo um nicho que tem muita gente, até porque exige menos para entrar, que é o de empresário. Tu é o teu patrão. Vejo, por experiência própria, um nicho de mercado com muita gente, mas pouca gente competente e com a visão que eu acho a correta, uma visão mais global, para não simplesmente tentar vender o atleta e pegar comissão. Acho que o papel do agente é ser um cara com uma visão mais ampla da vida do jogador.

Então é provável que você vire empresário um dia?

Me interessa porque eu gosto da gestão pessoal e da parte de números, e também por tudo que eu vi na carreira, coisas que eu senti falta, que amigos meus sentiram falta. É o que eu penso hoje. Estou há 25 anos no futebol, então hoje é difícil eu ver alguma coisa fora do futebol. Mas quando eu parar, daqui a sete ou oito anos, eu penso em morar fora do país por uns dois anos, estudar. Mas vou estudar alguma coisa completamente fora do futebol, para eu poder ver o A e o B, ter duas visões opostas, duas coisas distintas, para poder ver se o futebol é realmente o que eu quero ou se descubro depois de parar que minha paixão é economia, administração, se o caminho é esse.

Pensa em estudar o quê?

Eu já tenho alguns planos de fazer cursos à distância. Se eu fizesse, seria nessa área de direito, administração. Minha mulher é advogada, eu gosto muito, mas por outro lado eu vi o que ela passou para chegar lá. São ideias que estão engatinhando.

Você falou em jogar mais sete ou oito anos. Todos no Palmeiras?

O jogador para por dois motivos: porque o corpo não aguenta mais ou porque a cabeça não aguenta mais. Eu, em relação ao corpo, não tenho problema nenhum. E é difícil um jogador treinar sem dor. Eu tenho dor no dedinho da mão, uma ou outra pancada, mas dores crônicas de ombro, joelho, essas coisas, eu não tenho nada. Nas máquinas novas que o Palmeiras tem aí, que medem força, potência, meus testes são sensacionais, de repente até melhores do que quando eu era mais novo, porque não tinha essa aparelhagem toda. Desses elementos que te levam a fazer uma projeção de encerrar a carreira, eu me considero no top dos dois. Muitos jogadores têm motivação para jogar, mas não têm vontade de se preparar para jogar, então isso causa uma queda de rendimento. Eu sou motivadíssimo para treinar, estar aqui treinando no dia seguinte a um jogo não é pesado para mim, quando o jogo é de noite eu treino de manhã, para mim é prazeroso. Então são coisas que me ajudam muito a ter essa longevidade. Quando cheguei aqui, com 35 anos, muita gente ficou indignada por eu assinar um contrato de três anos. Já estou indo para o quarto, para o quinto ano (contrato acaba em dezembro de 2017), e estou em um nível bom, quem sabe até melhor do que quando cheguei. Isso me dá uma perspectiva muito boa de passar dos 40 anos jogando em alto nível. E uma coisa que tenho muito clara para mim, falando no dia de hoje, é continuar jogando em alto nível no Palmeiras. Se eu não continuar jogando em alto nível no Palmeiras, provavelmente eu não jogue em mais nenhum outro lugar. A minha ideia é jogar em alto nível por no mínimo mais quatro anos. E no Palmeiras. Se não acontecer isso, provavelmente eu não jogue em nenhuma outra equipe.

Nem em uma equipe menor, com menos cobrança e pressão?

Se o meu nível cair nos próximos dois, três ou quatro anos, o que eu acho que não vai acontecer, é uma das coisas que te falei para decidir parar de jogar. Mas a minha perspectiva é jogar mais quatro, cinco anos em alto nível. E, jogando em alto nível, se depender de mim, aqui no Palmeiras.

Ficou difícil sair do clube?

Bem no começo da carreira, tu joga porque é apaixonado por futebol. Quando tu chega no profissional, tu joga porque é apaixonado, mas também pela parte financeira. Só que chega uma hora da tua carreira em que a parte financeira obviamente pesa, não vamos ser demagogos de dizer que é por amor, mas já não é o primeiro tópico da lista. Pô, tudo que eu conquistei aqui no Palmeiras, tendo respeito da torcida, sendo capitão da equipe, já com quase 200 jogos, um título importante, todo esse reconhecimento... Sinceramente, isso para mim vale muito hoje. Para eu trocar isso por qualquer outra equipe, qualquer outro contrato, qualquer valor financeiro, seria muito difícil.

Aos 37 anos, você parece estar evoluindo como goleiro. É uma impressão correta? Mudou algo na sua preparação?

Não fiz nada diferente, cara. Acho que é a própria evolução, a experiência. Muita gente fala que tu ganha experiência e perde em vitalidade, mas eu consegui ganhar experiência e não perdi vitalidade. Fisicamente, estou muito bem. Eu joguei no Coritiba e tive momentos muito bons lá, só que no Coritiba tu não tem a visibilidade que tem aqui. Tu pode fazer chover em Curitiba que fica lá, não passa para cá. O Vanderlei é um exemplo, ele sempre foi um baita goleiro, só que não tinha a visibilidade que tem aqui no Santos. Já vi muita gente falar: "Pô, mas esse cara é bom". É bom, mas lá não tinha visibilidade. Acho que o Palmeiras me deu essa visibilidade. Por todo o processo que aconteceu, de chegar com o Palmeiras na Série B, com 8 mil sócios, sem estádio... Ninguém queria jogar no Palmeiras naquela época, pode perguntar para o Omar (Feitosa, preparador físico), que era diretor na época. Eu aceitei o desafio e entrei no espírito do clube. Hoje sou capitão, campeão da Copa do Brasil, com um estádio maravilhoso, 130 mil sócios, brigando por títulos, disputando Libertadores. O momento do clube, essa retomada do Palmeiras, ajuda a ter essa sensação de um momento bom na minha carreira.

Como está o cotovelo que você fraturou e operou em 2014?

Ficou zerado. O problema foi na volta. Como eu tive que fazer uma incisão no tendão para botar os pinos e depois outra para tirar, ficou uma fibrose grande. Foi absurda a quantidade de remédio que tomei em 2014, mas hoje nem uso a cotoveleira.

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