Eles são casais, rivais e 'superaram' o 12 de junho de 1993. Após 23 anos...

Há exatos 23 anos Fábio Rodrigues de Souza deve um jantar romântico a Carla Maria. Tudo estava programado para celebrar aquele Dia dos Namorados em 1993, mas um dos maiores Dérbis da história mudou os planos. Ele, corintiano "doente", solta palavrões e culpa o árbitro José Aparecido de Oliveira pela final perdida e a noite frustrada. Ela, palmeirense "de berço", lembra do caso com um sorriso no rosto, sinal de que a fila de títulos alviverde, que durava 16 anos e acabou com a conquista daquele Campeonato Paulista, compensou o mau humor do companheiro na data especial.

Com roteiros diferentes, a história se repetiu com diversos outros casais em 1993. Para aqueles que se unem pelo amor, mas alimentam paixões futebolísticas rivais, não foi um Dia dos Namorados normal. Como também não será neste domingo, quando Palmeiras e Corinthians se enfrentarão às 16h, no Allianz Parque, pela sétima rodada do Brasileirão.

Na verdade, é assim há 99 anos, desde que o clássico é disputado. Nos dias que antecedem e sucedem o jogo, os carinhos são trocados por provocações, as palavras doces dão lugar a gozações e tem até aqueles que se distanciam para evitar brigas. Há, inclusive, casos mais extremos...

- Nós temos um "acordo de paz". Não possuímos mais nada do Corinthians nem do Palmeiras em casa. A única coisa que sobrou foi um bonequinho que eu ganhei da minha madrinha há muitos anos. Do meu marido só sobrou uma caneca, mas fica na casa de praia. Eu tinha camisa, bandeira, mas dei tudo para meus amigos e parentes corintianos. Ele fez o mesmo. É melhor para os dois - afirma Selma Cardoso, que diz que após a final de 1993 quase "jogou da janela" o marido Roberto Klingeler, com quem é casada há 28 anos.

Inúmeros casais em preto, branco e verde superaram o Dérbi de 1993 e muitas outras partidas de Verdão e Timão e seguiram juntos. Isso graças a amor, compaixão, tolerância e outros sentimentos que têm faltado a "torcedores" de ambos os lados. Por conta de inúmeros casos de violência e mortes em dias de clássicos, Ministério Público e Governo de São Paulo decidiram proibir a presença de torcedores visitantes em jogos de rivais até o fim deste ano.

Assim, após 23 anos, o Dia dos Namorados volta a ter um Dérbi histórico. Desta vez por um motivo triste: o primeiro duelo entre Palmeiras e Corinthians com torcida única.

A solução para o problema é simples e foi dita por quase todos os casais ouvidos pelo LANCE!: tratar o outro como rival, não inimigo.

- O Fábio continua torcendo mais contra o meu time do que pelo Corinthians, mas o amor pelas filhas o amoleceu um pouco. Tanto é que, como as nossas duas filhas, Ana Luisa e Isabela, são palmeirenses, ele chegou a ir em alguns jogos no estádio só para levá-las - conta Carla Maria, a palmeirense que aposta em vitória alviverde hoje por 2 a 1, palpite muito mais modesto que o 4 a 0 do marido.

Seja qual for o placar do clássico, o casal já combinou que desta vez o Dérbi não irá impedir a comemoração do "namoro" deles, que já dura quase 30 anos. Afinal, único só o amor, não a torcida.

Haja rivalidade! Corintiano 'abandonou' mulher após final de 93

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Casados desde 1975, Pedro da Silva, popularmente conhecido como Funheca, e Audaiza Bento da Silva, apelidada de Ferrugem, tiveram uma abalo na relação há 23 anos. Corintiano fanático, ele "desapareceu" por uma semana depois da derrota para o Palmeiras, time da esposa, na final do Paulista de 93.

- Dei sorte porque na época eu trabalhava numa obra em Bragança Paulista. Eu fui para lá e só voltei depois. Naquele dia eu não queria ver ninguém, muito menos palmeirense - lembrou Funheca, entre críticas ao árbitro José Aparecido e acusações de que o jogo estava "armado".

Não foi apenas naquele jogo que o casal sofreu. A rivalidade é tão grande ("cão e gato", segundo Pedro) que eles nem sequer assistem aos jogos juntos. Hoje, será assim novamente.

- Se ela estiver com amiga aqui em casa, eu vou ao vizinho ou vejo o jogo em outro lugar. Senão, falo para ela sair para passear - afirma o corintiano, que trata o Dérbi como decisão.

- Se o Corinthians ganhar não precisa nem ser campeão de mais nada, o título vai ser ali mesmo. Imagina se o André fizer o gol. Ele vai ser o melhor da temporada - brinca o torcedor, que promete não fugir desta vez em caso de nova derrota para o Verdão.

A fim de evitar brigas, casal não verá jogo neste domingo

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?Não são apenas casais heteronormativos - formados por um homem e uma mulher - os afetados pela rivalidade do Dérbi. É o caso de Thaís Souza. A palmeirense "mega fanática" namora a corintiana Maria Gonzaga há dois anos. Para evitar as habituais discussões por futebol, pelo menos no Dia dos Namorados, elas optaram por não assistir ao clássico deste domingo.

- Vamos tentar não assistir ao clássico para não dar briga. Por mim eu ia no estádio, mas ela queria fazer algo mais românico - contou Thaís.

A cautela é justificada. A família de Maria é corintiana e elas já brigaram por causa das piadas e provocações causadas por causa da rivalidade.

- Uma vez fui na casa do pai dela e o Corinthians ganhou. Eles ficaram tirando sarro e me irritaram tanto, mas tanto, que a gente até brigou. Eu quis ir embora. Mas depois fizemos as pazes e ficou tudo bem - disse a alviverde.

Elas ainda não foram juntas ao estádio. Com a medida da torcida única em clássicos em São Paulo, no entanto, Thaís só vê a possibilidade de irem lado a lado se a companheira aceitar ir na torcida de seu time de coração - ela mesma já avisou que não dará o braço a torcer.

- Ela disse que topa se infiltrar na torcida do Palmeiras. Agora, para eu ir em jogo do Corinthians, só em torcidas separadas mesmo - brincou Thaís.

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