Seriados, fé e bom humor levantam volante do São Paulo de quarta lesão

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    Wellington espera voltar a jogar ainda neste ano pelo São Paulo

    Wellington espera voltar a jogar ainda neste ano pelo São Paulo

"A Vida de Wellington" tem histórias e reviravoltas suficientes para imaginar o volante de 25 anos como protagonista de um dos infinitos seriados produzidos atualmente. De promessa a paciente de quatro cirurgias no joelho, de campeão da Copa Sul-Americana com o São Paulo em 2012 a culpado em caso de doping defendendo as cores do Internacional.

A mais nova temporada da carreira do marcador ainda não tem data para começar. Já se passaram três meses desde o "season finale" da temporada anterior, concluído de forma dramática no CT da Barra Funda. Em 3 de abril, Wellington apostava que estava perto de voltar a jogar após cinco meses de suspensão por doping, quando rompeu o ligamento cruzado do joelho direito.

- É uma lesão que geralmente acontece sozinho, como foram as minhas quatro. E em lances bobos que você faz 300 vezes e não acontece nada. Não tem explicação. Essa última eu fui girar para trombar, pisei e já senti torcer e romper. Já falei na hora para o doutor. Só fiz o exame porque precisa, mas já sabia. Fiquei chateado, ninguém quer passar por isso uma vez, imagine quatro - disse o volante, que passou um ano e meio emprestado ao Internacional.

Como todo protagonista de seriados, Wellington não está sozinho na luta para se reerguer. Em casa, conta com a mulher e o filho, são-paulino por livre e espontânea pressão. No Reffis, com a amizade de Breno e Luiz Eduardo. E, nas horas vagas, o braço direito do marcador é digital, tecnológico, mas não tem nada a ver com os aparelhos de fisioterapia. Viva o Netlifx!

Confira bate-papo exclusivo com o volante Wellington:

Como tem sido sua rotina?

Os primeiros meses têm sido diferentes, mas já passei por isso antes. Foi uma lesão no ligamento cruzado e que requer que eu fique no CT de manhã das 9h ao meio-dia e volte das 14h30 às 17h. Vou para casa e descanso, essa é minha rotina de segunda a sábado. Sábado muitas vezes também fico livre à tarde, mas geralmente o descanso mesmo é no domingo.

Qual o dia mais difícil?

Dia de jogo. Tratamento você sabe que precisa fazer, mas ver o time jogar e saber que poderia ajudar é mais complicado. Na recuperação, exige muita dedicação e foco, então é assim que venho para voltar bem e o quanto antes.

Consegue assistir os jogos?

Assisto, vou no estádio, sou um cara muito resolvido. Não tenho problema com o que aconteceu por esses baques que sofri por lesões. No dia talvez, mas no outro já levantei a cabeça e bola para frente. Procuro ajudar os companheiros no vestiário com orientações, apoio e até sobre algum juiz que eu conheça. Estou sempre no Morumbi e em casa vendo os jogos fora de casa. Sou são-paulino e acompanho o clube desde sempre.

O que faz fora do CT?

Sou muito caseiro e ver seriados ajudou muito. Saio cansado, sento no sofá e fico com a perna esticada. Agora estou vendo Hawai 5-0, mas já assisti muitos, uns dez desde a lesão. Esse descanso ajuda muito. Até gosto de ir em shopping e restaurante, mas nesta fase preciso recuperar em casa. Faz diferença. Se eu andar depois do Reffis, o joelho reclama. É uma coisa minha, me faz acordar melhor. Já vi Lost, Prison Break, Drop Dead Diva, Blacklist, White Collar... Minha esposa escolhe alguns também, aí eu acompanho. Eu gosto demais!

E como foi enfrentar o período da suspensão por doping?

Sempre fui muito profissional e me cuidei muito como atleta. Mantenho minha consciência tranquila, pois em nenhum momento quis tirar proveito de algo ilícito. Foi um momento muito difícil da minha carreira, em que tive suporte do São Paulo e da minha família. Como fiquei impossibilitado de treinar, fiz questão de contratar um preparador físico, que me acompanhou por três meses com trabalhos específicos para retornar perto do ideal. Me dediquei muito e não via a hora de jogar. Hoje, se o destino não tive pregado mais essa peça da lesão, já estaria de volta ao futebol (em maio acabaria a suspensão).

Passar pelo Atlético-MG, para quem você foi eliminado na Libertadores de 2013, lavou sua alma também?

Não digo lavar a alma, mas fiquei muito feliz pelo grupo. Eu cheguei aqui bem em um momento conturbado, de mudança de diretoria, com a imprensa metendo o pau nos jogadores por falta de resultado, mas conheço esse clube mais do que os outros e sabia que faltava respeito. O São Paulo precisava ser mais respeitado. Fiquei muito feliz com a classificação por essa volta por cima deles, que mostraram o valor do clube.

Já são quantos anos de São Paulo?

Dez anos no clube, seis de profissional, com quatro lesões de ligamento cruzado, sendo três no joelho esquerdo e esta no direito agora.

Qual foi a mais difícil?

Sempre a que está. As que passaram você esquece depois que recupera. Cada dia é mais difícil. Levo minha vida degrau por degrau, não atropelo nada. Nunca fico planejando voltar no mês tal, foco no dia. Se estiver bem, volto.

Sempre foi assim?

Não, amadureci muito por causa das lesões, principalmente a primeira, quando estava na Seleção Brasileira, era muito jovem e não sabia o que viria pela frente por não ser experiente. Hoje sei que dá para voltar em alto nível até. Não são apenas coisas ruins nesse tipo de lesão.

Como recebeu essa última?

Eu já sabia na hora que tinha lesionado o joelho. Passam horas, dias e você cai em si, volta ao normal. É um dia a dia difícil, praticamente dois dias, de manhã e de tarde. Uma coisa é treinar e voltar para casa, outra é saber que precisa ficar aqui. Mas estou bem, minha recuperação está adiantada, então precisamos trabalhar.

Convivência com Luiz Eduardo, desde o ano passado no Reffis para tratar lesão no joelho, é boa? Já o conhecia?

Conheci aqui, é um cara espetacular e do bem, totalmente focado na recuperação. Está avançando e daqui a pouco ele volta. Procuro passar minha vida como experiência, mesmo ele sendo mais velho, mas ninguém aprende tudo na vida. Falo das minhas lesões, ele escuta e também me dá conselhos. Quando um está cabisbaixo e cansado, o outro empurra.

Como está o Breno, que precisou operar novamente?

Falo muito com ele que é fase, um momento ruim, mas que ele já foi forte para superar coisas piores. E agora que ele está perto da família e dos amigos ele não pode desistir. Tem que ir em frente, sempre nos ajudamos nisso. Ele operou logo que ficou parado, a recuperação não foi boa e agora deu o problema de novo.

Como passar por esses problemas? Você é uma pessoa leve?

Sempre fui assim, independentemente da situação. Outro dia estava conversando com o Lugano e ele falou uma coisa que é verdade: 'O difícil no futebol é quando você está por baixo e ser a mesma pessoa quando sobe depois'. Isso é importantíssimo para o relacionamento em um grupo de 30, 40 pessoas. As pessoas sempre perguntam de onde vem minha alegria, mas sou assim desde sempre. Minha força vem de Jesus, creio na minha fé e não sei explicar porque venho e pedalo 16 quilômetros, meia hora e fico bem. É uma força que muitos não têm, tanto é que nem acredito no estágio que meu joelho está depois de tão pouco tempo.

Mudou muito já?

Já estico a perna, ando normal, não tem inchaço e já dá para ver a musculatura. São coisas que você não explica. Claro que tem meu trabalho e dedicação, mas não é só isso. Você sabe que Deus está ajudando. Creio muito nisso.

Aproveitou a passagem pelo Inter como imaginava?

Fiquei um ano e meio e agora graças a Deus voltei. Fui muito bem recebido quando cheguei pela diretoria que estava, como o Giovanni Luigi, Jorge Macedo e o Abel Braga, que era o técnico. Eles me respeitaram por minha história aqui. Tanto que me recuperei lá e foi mais rápido que eles já tinha visto. Ficaram abismados com a recuperação.

Ainda vai ser titular do São Paulo?

Tenho que dar o primeiro passo de me recuperar. Não adianta pensar na frente se não estou apto a jogar. Preciso ter uma condição de treino físico, técnico, ganhar confiança e aí com tudo isso poderei pensar a lutar por uma vaga.

Mas joga neste ano?

Com certeza.

Quando?

Não tenho previsão, não pedi para me darem prazo. É meu quarto cruzado, já estou calejado. Posso estar bom com quatro meses e meio ou seis. Se colocam um prazo e não acontece, você pode desmoronar. Vamos degrau por degrau.

Pode mostrar o local da cirurgia?

Eles fazem umas janelas e essa cicatriz lateral é um reforço feito com um pedaço de tendão. Ele é amarrado no joelho para não girar mais. Fiz esse enxerto com meu próprio tendão, mas a terceira cirurgia no joelho esquerdo eu precisei pegar de cadáver. Não tinha mais para usar. Só pedi para não pegarem de um manco, né (risos)? Pega de algum que corre pra caramba, que pula alto...

Como a família te ajuda?

Minha esposa e meu filho me ajudam muito, é inexplicável a força que eles dão. Você acaba descontando ansiedade neles, mas eles seguram. Na vida de atleta são poucas pessoas que realmente estão do seu lado. Principalmente quando tem lesão. Quem te abraçava para de fazer quando você está parado. Estou vacinado dessas coisas.

Quantos anos o filho está?

Ele tem dois anos e quatro meses, sabe que estou machucado. Ele escolheu o São Paulo, não forcei nada. Isso que pegou a maior parte no Inter, ia para o estádio com camisa e tudo, mas quando ele foi para uma festinha à fantasia com um ano e meio, escolheu uma do São Paulo. eu tinha ganhado quando ele nasceu e guardei. Aí teve essa festinha, ele viu a roupa e quis usar. "São Paulo do papai" ele fala e agora quer usar toda hora, vai no vestiário e se diverte.

Já joga bola?

Ele gosta muito. Outro dia ele saiu do vestiário e entrou no gramado durante o aquecimento. Eu não podia sair correndo, mas dei um grito e ele voltou.

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