Mulheres tentam provar que podem enfrentar homens nos Jogos Rio-2016

- Nós podemos competir em igualdade.

A autora dessa frase é Isabel Swan, velejadora de 32 anos, dona de uma medalha de bronze nos Jogos de Pequim (CHN), em 2008, e que, pela primeira vez, participará de uma Olimpíada ao lado (e contra) homens. Na briga por mais espaço às mulheres e uma maior igualdade de gêneros, o primeiro passo será no Rio de Janeiro.

Ao todo, os Jogos que terão início em 30 dias trarão quatro modalidades mistas, com nove medalhas de ouro em disputa. Além da vela, o hipismo (seis eventos), o tênis e o badminton terão homens e mulheres disputando, como Isabel citou, em total igualdade.

Segundo um estudo da consultoria Ernst & Young, de 2015, a equidade plena entre ambos os sexos no mercado de trabalho irá demorar 80 anos para ser atingida. No esporte, porém, isso já começou.

- É interessante o Comitê Olímpico levantar a questão da igualdade de gêneros com o esporte misto. Existe uma diferença entre homens e mulheres no mercado de trabalho, não só na Olimpíada. A vela é um esporte masculino, sempre foi. A história da mulher na modalidade é mais recente. Tivemos um barco inteiramente feminino na Volvo Ocean Race (2015) que mostrou que mulheres podem participar desse processo. Mas existe um certo preconceito, não só no esporte - disse Isabel, ao L!.

Nas 41 disciplinas que serão disputadas na Olimpíada do Rio, apenas quatro possuem competições mistas. Além disso, uma é exclusiva para homens (luta greco-romana) e duas para mulheres (ginástica rítmica e nado sincronizado).

A diferença física entre os sexos contribui para que muitos esportes possuam disputas separadas. Um exemplo é analisar os atuais recordes mundiais nos 100m rasos do atletismo. O jamaicano Usain Bolt correu em 2009 para a marca de 9s58. Já sua compatriota Elaine Thompson cravou no início desse mês o tempo de 10s70.

- A condição de igualdade de gêneros faz do hipismo o esporte mais nobre neste aspecto. Dá a possibilidade de pessoas diversas competirem em igualdade. No Brasil, a porcentagem de homens no esporte é muito maior do que a de mulheres - analisou a amazona Luiza Almeida, que estará na Olimpíada, antes de completar:

- É diferente comparar com uma competição entre homens e mulheres em que a força conta muito. O hipismo tem a igualdade porque o atleta é o animal. Nas outras modalidades, isso não é possível. É até justo que aconteça separado.

Nas provas individuais do hipismo, a disputa entre atletas do mesmo sexo é feita de forma direta. Já no tênis e badminton, os dois atuam lado a lado e, portanto, podem dividir o "protagonismo" nos jogos. Na vela, na classe Nacra 17, as duas posições no barco (proeiro e timoneiro) são divididas pela dupla e, assim, as funções de cada um são distintas.

- É um desafio, mas interessante. Homens são objetivos e a mulher cuida do lado emocional, para trazer força e sensibilidade. Gosto de atuar com homens, porque a mulher, talvez, demore para digerir certas coisas. Quando o esporte é físico, não dá para competir, mas, quando dá para associar, é valido para trazer a noção de equilíbrio e diminuir a diferença que existe - comentou Isabel.

Para seu parceiro na classe, Samuel Albrecht, as diferenças físicas podem até ajudar a mulher. Mais leves, elas conseguem levar vantagem em dias com ventos fracos.

- As diferenças físicas são muitas, de peso, força... Quando você veleja com homens, tem coisas que são mais fáceis. Mas, por outro lado, as mulheres conseguem se manter muito mais tempo concentradas - analisou.

As diferenças entre os sexos, porém, vão muito além da disputa de competições. Dentro do mar, das quadras ou das arenas, homens e mulheres buscam o mesmo objetivo: alcançar o lugar mais alto do pódio.

Para as mulheres, porém, o pensamento de superar os limites ultrapassa as barreiras esportivas e, segundo Isabel Swan, a mudança deve acontecer em um ponto específico:

- O reconhecimento do nosso trabalho. Temos de mostrar muito serviço até sermos reconhecidas. Precisamos melhorar isso.

Na terra da diversidade, o primeiro passo pela igualdade já pode ser dado dentro de 30 dias, na Olimpíada do Rio de Janeiro.

EVENTOS MISTOS

Vela

Pela primeira vez, a Olimpíada terá uma classe mista em disputa: a Nacra 17, com uma dupla formada por um homem e uma mulher.

Tênis

A disputa em duplas mistas no tênis acontece desde 1900 nos Jogos, e é realizada em Grand Slams.

Badminton

Assim como no tênis, também possui uma competição de duplas mistas, mas desde a Olimpíada de 1972.

Hipismo

Todos os seis eventos têm disputas individuais e por equipes, desde 1952, com atletas de ambos os sexos.

EVENTOS COM APENAS UM GÊNERO

Luta Olímpica

Na modalidade greco-romana, apenas homens competem pelas medalhas. Já no estilo livre, a competição é aberta.

Nado sincronizado

Na Olimpíada, apenas mulheres fazem parte do evento. Fora dos Jogos, homens também disputam medalhas.

Ginástica rítmica

Diferentemente da ginástica artística ou de trampolim, apenas mulheres disputam a prova em Jogos Olímpicos.

Outros

Em outras competições, existem diferenças entre as disputas dos homens e das mulheres. No atletismo, por exemplo, a marcha atlética de 50km acontece apenas no masculino. Nas disputas de remo e canoagem, há uma distinção nos equipamentos e na distância. Na vela, há diferença no tamanho dos barcos. Na ginástica artística, existem aparelhos exclusivos para cada sexo. Nas modalidades de luta (judô, boxe e outras), a diferença é nas categorias de peso.

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