Por falta de papel, angolanos quase perdem viagem ao Brasil e Neymar

Imagine você, aos 20 e poucos anos e louco por futebol, ter a chance de sair de seu país natal pela primeira vez para participar de um campeonato amador e ainda conhecer o craque do Seleção Brasileira Neymar. Mais do que isso, pisar no gramado em que o camisa 10 do Brasil deu os primeiros chutes como profissional e ficar hospedado em um hotel luxuoso da cidade de Santos. Pois bem, sete garotos angolanos quase perderam a oportunidade de realizar esse sonho por falta de papel no Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) da Angola, responsável por emitir novos passaportes no país.

O ''drama'' perdurou até dois dias antes da viagem ao Brasil, quando, enfim, a embaixada brasileira autorizou a entrada do time inteiro no país, depois de longa negociações e passaporte foi impresso ''aos 48 minutos do segundo tempo". Depois de serem autorizados a viajar, receberam uma ligação do consulado da Angola avisando que os documentos estavam prontos, já que tratava-se de uma situação especial.

Os sete angolanos (cinco deles na foto acima) do time pisaram na América do Sul pela primeira vez na última segunda-feira e disputaram, nesta sexta, a primeira fase das finais do Neymar Jr's Five - torneio de futebol amador de cinco contra cinco disputado no Instituto do craque, em Praia Grande, litoral de São Paulo. Neste sábado, enfim, terão a chance de ver Neymar ao vivo, pois o craque visitará o local para premiar o time vencedor, que leva uma viagem a Barcelona com tudo pago, e conversar com os jornalistas.

- Lá na Angola, o futebol que a gente chama futebol de rua é praticamente igual aqui no Brasil, joga-se muito por lá. O problema é que existe um abismo enorme para um garoto conseguir se profissionalizar por lá, o esporte não é desenvolvido. Para eles, o futebol brasileiro é um grande sonho. Estar aqui e ser reconhecido com um dos participantes, para eles é uma glória enorme. Satisfação - explica ao LANCE! Bruno Banha, representante da Red Bull na Angola e responsável por ajudar os garotos a chegarem ao país. A empresa é a idealizadora do evento.

Nem mesmo a derrota em dois dos quatro jogos disputados nesta sexta-feira desanimou os garotos. Encantados com o evento, conseguiram uma vitória e um empate no primeiro dia de torneio.

- Eu falo para eles, falei que isso, esse reconhecimento, essa chance de estar aqui no Brasil pela primeira vez é muito mais importante do que qualquer outra coisa. Uma chance de outro na vida deles. Ganhar ou perder, nesse caso, pouco importa. Foi um sufoco enorme trazê-los até aqui, mas conseguimos, agora é desfrutar desses dois dias - completa Bruno.

Bailarino e jogador de futebol

E com o sonho dos pés, um dos garotos quer ir mais longe. Pedro, de 20 anos, além de desejar um dia ser jogador de futebol profissional, pensa em ganhar a vida como dançarino. Professor em Angola, ensina os ritmos nacionais aos visitantes. Fã de balé, pretende rodopiar por onde o destino lhe permitir dançando conforme a música.

- É claro que eu penso em se jogador, meu maior sonho, mas sei que é algo muito difícil no meu país, não é desenvolvido, situação complicada. Tenho essa outra paixão, a dança, e com ela também penso em seguir. Sou bailarino e jogador de futebol com muito orgulho. Feliz assim - conta o garoto, empolgado com a chance de conhecer Neymar.

- A gente foi na Vila Belmiro, eu não acompanhava tanto o Neymar quando ainda estava no Santos, mas já sabia sobre o time e via o estádio, é algo muito especial para nós, ver o estádio assim tão de perto. Não sei nem como reagir quando formos conhecê-lo. Desde que foi para o Barcelona, sigo todos os passos. No futebol brasileiro, que eu gosto bastante, sou fã também do Ronaldo Fenômeno.

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