Vítima de erro médico na Polônia, joia do São Paulo sonha com nova chance

  • Rubens Chiri/site oficial do São Paulo

    Revelado pelo São Paulo, Henrique Miranda enfrentou muitos problemas em passagem pela Polônia

    Revelado pelo São Paulo, Henrique Miranda enfrentou muitos problemas em passagem pela Polônia

Há dois anos, a busca por espaço e chances para mostrar seu futebol levou o jovem Henrique Miranda a aceitar um empréstimo para o Lechia Gdansk, da Polônia. Apesar de não falar a língua e estar sozinho em um país desconhecido, o lateral formado nas categorias de base do São Paulo, então com 21 anos, achou que a experiência serviria como "vitrine" para os grandes times da Europa. O que ele não esperava, contudo, era sofrer uma séria lesão logo no início da passagem. E que o clube, além de submetê-lo a uma cirurgia malsucedida, não prestasse o suporte necessário a alguém em suas condições.

- Na minha estreia como titular, em setembro de 2014, sofri uma contusão no joelho. Fiz exames e o médico do clube falou que eu precisava de cirurgia. Eu avisei o São Paulo, pedi para fazer o tratamento aqui, e eles autorizaram, mas a operação teria que ser feita na Polônia. Perdi um pedaço da cartilagem e o médico colocou material sintético para substituir - disse o atleta ao LANCE!.

- No dia seguinte ao procedimento, um rapaz do clube me buscou no hospital, levou para casa e simplesmente deu a receita para eu comprar os remédios. Me deixou lá, recém-operado e sem ajuda alguma. Eu estava sozinho, não falava polonês nem inglês e passei quatro dias usando muletas para ir à farmácia e ao mercado - acrescentou Henrique, que precisou recorrer à internet para aprender a aplicar injeções anticoagulantes em si mesmo.

Seguindo o que havia acertado com o Tricolor, o jogador voltou ao Brasil para a recuperação. Ficou quatro meses em tratamento e voltou para a Polônia no início de 2015, a fim de cumprir o restante do contrato. Foi quando surgiram as primeiras mostras de que algo estava errado.

- Voltei a treinar, mas meu joelho inchava e eu não conseguia participar das atividades. Entrei em um processo de treinar, sentir dores, ir para a fisioterapia, voltar a treinar e sentir dores novamente. Ficava nesse impasse - lembra.

No meio daquele ano, o vínculo acabou e Henrique voltou ao Brasil. Passou mais dois meses sob os cuidados do departamento médico tricolor, melhorou e foi então emprestado ao Oeste para a disputa da Série B. Pouco depois, no entanto, o incômodo reapareceu. Foi quando solicitou ao departamento médico uma ressonância magnética - na qual foi constatada a falha na cirurgia. No fim das contas, o material sintético colocado pelo médico polonês no procedimento havia se soltado dentro do joelho. Era necessário refazer a operação.

O médico Rene Abdalla, que atende atletas do São Paulo em casos cirúrgicos, operou Henrique em novembro de 2015. Em fevereiro, o garoto já estava completamente recuperado. Desde então, vem treinando separadamente em Cotia, na sede das categorias de base, pois já foi informado de que está fora dos planos. O contrato se encerra no dia 20 de julho e Henrique ainda ainda não recebeu propostas. Por ora, aguarda uma oportunidade de retomar a carreira.

Os médicos do time paulista assistiram ao vídeo da primeira cirurgia, avaliaram que os cirurgiões poloneses seguiram o protocolo e não identificaram as razões da falha. A reportagem tentou entrar em contato com o departamento médico do clube, mas o São Paulo limitou-se a informar que "prestou toda assistência e tratamento necessário ao atleta desde o retorno da Polônia".

Agora, aos 23 anos, o atleta admite que esperava mais apoio do Lechia Gdansk à época, mas nega mágoas. Só ficou incomodado por ter que passar de novo pelo doloroso pós-operatório, além de adiar a volta aos gramados.

- Fiquei bem triste quando soube que teria que refazer a cirurgia. Na hora foi delicado, achei que tinha sido negligência. Também fiquei chateado porque acho que deveria ter recebido mais assistência no começo, mas já foi. Tudo o que eu queria era parar de sentir dor e voltar a treinar logo. Agora estou tranquilo, curado e pronto para jogar - concluiu Henrique.

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