Atleta do revezamento pede certeza sobre condição de Ana Cláudia: 'Não queremos perder a medalha'

Desde o início do ciclo olímpico do Rio de Janeiro, o revezamento 4x100m feminino era uma das principais esperanças de medalha do Brasil no atletismo. Após o flagra por doping (esteróides) de Ana Cláudia Lemos, maior velocista do país, e sua suspensão por cinco meses, as chances da modalidade foram cobertas por uma dúvida. Com seu retorno, porém, a dúvida das atletas é: a brasileira poderá competir? Apesar disso, o clima entre elas é bom, e um assunto é "proibido" no time: doping.

Flagrada em fevereiro, a pena da cearense de 27 anos terminou no começo desse mês. Porém, a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) pode recorrer à sentença à Corte Arbitral do Esporte (CAS), o que poderia deixar Ana fora dos Jogos Rio-2016. O pedido das atletas é que tudo seja resolvido antes da Olimpíada, que terá início no dia 5 de agosto.

- A gente tem de esperar que ela seja totalmente liberada, porque se acontecer o que esperamos, que é uma medalha olímpica, e depois ela ser suspensa, perdemos isso. Então, queremos que eles digam: "Ela está liberada totalmente". E a gente conta com ela, porque seria mais fácil conquistar uma medalha assim, é mais garantido. Mas precisamos dessa garantia para não perdermos a medalha depois. Eles vão avisar antes e, inclusive, já deveriam ter feito isso. Eles não vão deixar ela correr sem a liberação - comentou Kauiza Venâncio, uma das quatro prováveis integrantes na prova.

Desde o término de sua suspensão, Ana foi liberada para treinos e competições. Em Medellín (COL), na última semana, cravou o melhor tempo do país no ano, com 11s14. Dessa forma, sua participação na equipe é praticamente garantida.

Em um camping realizado no Rio de Janeiro nesse mês, o time treinou diversas formações, com as principais sendo: Ana, Rosângela Santos, Kauiza e Bruna Farias. A última, porém, ocupa a vaga de Franciela Krasucki, que se recupera de uma lesão. A equipe será definida a poucos dias do início dos Jogos.

- No momento estamos com uma formação sem a Fran, que está voltando de lesão, então isso pode mudar até a Olimpíada. Estamos correndo todas de forma muito parecida. A Ana subiu um pouco, mas estão todas bem iguais. Todas podem ser titulares - disse Kauiza, com discurso semelhante ao da colega lesionada:

- As quatro principais serão definidas quatro dias antes da Olimpíada, depois dos nossos treinos lá. Semana passada tivemos um camping no Rio de Janeiro, de quatro dias, em que todas treinaram em diversas posições, então, não sei dizer o que eles estão pensando em fazer - completou Krasucki.

Na temporada, Ana possui a melhor marca do país nos 100m rasos, com 11s14, seguida por Rosângela (11s23) e Franciela (11s31). Agora, as brasileiras viajam para Londres (ING) ainda nessa segunda-feira, para disputar uma etapa da Liga Diamante.

Um assunto que não foi repercutido pelas colegas de Ana Cláudia Lemos no revezamento, porém, foi o flagra por doping da atleta. Para elas, o retorno da cearense a equipe foi comemorado, e o clima segue sendo bom.

- Ficamos sabendo do que estava acontecendo por meio da imprensa. Nesse camping, nem tocamos no assunto, porque é uma questão pessoal dela. Recebemos a Ana de braços abertos. Ela sempre ficou com a gente e estamos unidas. Contamos muito com ela no revezamento - disse Franciela.

- Eu sempre mantive contato com ela, porque ela sempre foi minha amiga e sempre será, acima de qualquer coisa. Ela voltou querendo correr. Acabou de marcar 11s14 e está com a cabeça boa. Esse camping que tivemos no Rio de Janeiro foi diferente dos outros, estávamos com aquele clima de querer medalha. E todos deixaram ela forte. Quanto ao doping dela, são problemas que ela tem de resolver - completou Bruna Farias.

Em Londres, a meta do time é conquistar o recorde sul-americano da modalidade, que já pertence às brasileiras Evelyn dos Santos, Ana, Franciela e Rosângela, com a marca de 42s29 no Mundial de Moscou (RUS), em 2013.

- Estamos pensando em quebrar o recorde sul-americano em Londres para chegar com respeito à Olimpíada. Um ouro nos Jogos seria um sonho muito grande. A nossa realidade é um bronze, se fizermos tudo certo. Jamaica e Estados Unidos estão muito acima, então brigamos com Trinindad e Tobago, e Holanda - analisou Kauiza.

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