Atentado foi assustador, relata meia brasileiro que pertence ao São Paulo

Na última segunda-feira, o Galatasaray anunciou o cancelamento de um amistoso diante do Atletico de Madrid. A partida que seria no próximo sábado, em Istambul, não deve ter uma nova data para acontecer. De acordo com o clube turco, os espanhóis optaram por não viajar à Turquia por motivo de segurança.

Desde o mês passado, o país vive momentos difíceis, após a tentativa de golpe de estado por militares. A notícia abalou a nação e multidões foram às ruas para pedir por democracia. Diante deste cenário, Roni, meia-atacante brasileiro contratado pelo Adanaspor, time recém promovido à primeira divisão turca, tenta se adaptar ao novo momento na carreira.

- Minha chegada na Turquia foi um pouco assustadora, porque foi quando aconteceu o atendado no aeroporto. Fiquei com medo. Os acontecimentos nos últimos dias foram bastante assustadores. O país está passando por problemas e momentos difíceis, mas espero que tudo fique bem - disse o meia-atacante, que tem contrato vigente com o São Paulo até 2018, em entrevista ao LANCE!

Roni desembarcou na Turquia em 28 de junho, dia do atentado terrorista ao aeroporto internacional Ataturk, localizado no lado europeu de Istambul. Ao todo, foram 42 mortos e mais de 200 feridos.

Como não podia ser diferente, a família do jogador ficou preocupada, principalmente com a crescente tensão no país. Roni, no entanto, não pensa em transferir-se de clube. Ele tem contrato de um ano com a equipe turca.

- Minha família está no Brasil, ficaram todos muito preocupados, mas estou passando tranquilidade para eles, dizendo que estou bem. Não penso em me transferir daqui, só quero fazer uma boa temporada. Será minha primeira aventura fora do Brasil. Quero me adaptar o mais rápido possível, adquirir experiência com o futebol turco e também com a cultura do país - contou.

Antes de embarcar para a Turquia, Roni defendeu o Ceará. Em sua última temporada pelo Vozão, o meia atuou em três partidas na Série B do Campeonato Brasileiro e marcou um gol. Agora, o atleta tem como objetivo ajudar o Adanaspor a se manter na elite no futebol turco.

A competição nacional tem início no dia 21 de agosto (domingo) e o clube da cidade de Adana, uma das mais populosas da Turquia, enfrentará o Buraspor, às 15h (de Brasília), no Adana 5 Ocak.

CENÁRIO POLÍTICO NA TURQUIA, SEGUNDO ALTAIR FREITAS, HISTORIADOR FORMADO PELA UNIFAI:

"A Turquia tem um histórico grande de intervenções militares nos assuntos políticos do país e a tentativa recente de golpe contra o presidente Erdogan é mais uma. Há, portanto, um certo caldo de cultura golpista no país. Houve golpes em 1960, 1971, 1980 e 1997. Quando da chamada "redemocratização" após o golpe de 97, foi criado o Partido da Justiça e Desenvolvimento, liderado pelo atual presidente, Recep Erdogan. Ele dirige o país desde 2003, quando seu partido venceu as eleições e ele foi conduzido ao posto de 1º ministro e posteriormente, a partir de 2014, como presidente.

A economia turca também passa por um processo de turbulência, no âmbito da crise econômica europeia e mundial, bem como em função da sua vizinhança com a Síria e Iraque, e a presença do Estado Islâmico naquelas áreas. Agregue a isso uma permanente disputa entre os defensores de uma sociedade laica e aqueles que defendem uma intensificação do elemento religioso islâmico na vida política e social do país. Tudo Isso resultou em uma onda de protestos contra o seu governo nos últimos anos, com respostas crescentemente autoritárias da sua parte.

O próprio eleitorado turco tem dado a ele e seu partido vitórias muito apertadas, com baixa margem sobre seus opositores. Mais recentemente, elementos do seu governo foram acusado de corrupção. Em conjuntura tão complexa, é possível que setores das forças armadas tenham buscado uma nova intervenção. No entanto, ainda não está muito claro sobre as reais intenções da tentativa de golpe do dia 15 de julho. O próprio governo emitiu declarações contraditórias sobre as motivações.

Dados parciais indicam que cerca de três mil militares foram presos, quase 2.800 juízes e procuradores foram destituídos de seus cargos e milhares de escolas e entidades sociais que seriam de alguma maneira ligadas ou influenciadas pelo movimento muçulmano de Fetulah Gullen. Olhando para o conjunto da obra, podemos afirmar que a situação turca tende a se agravar. Erdogan intensificou o seu poder, ao menos inicialmente e a repressão que está desencadeada tende a acirrar ainda mais os ânimos de seus opositores."

Atentado terrorista:

No dia 28 de junho, o aeroporto Ataturk, terceiro mais movimentado da Europa, foi alvo de um atentado terrorista. Na ocasião, segundo noticiou o governo da Turquia, foram 42 mortos, além dos três suicidas, e 239 feridos.

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