Fran supera cortes para disputar sua primeira Olimpíada no handebol

Imagine participar de toda a preparação para uma grande competição, mas ser cortada na última hora por opção técnica. Francielle Rocha, ou simplesmente Fran, da Seleção Brasileira feminina de handebol sofreu isso durante um bom tempo e sabe a angústia de assistir às companheiras apenas pela televisão. Mas para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro a situação será bem diferente.

Após ficar fora da Olimpíada de Londres (ING), em 2012, e da campanha do título Mundial da Sérvia, em 2013, a central finalmente ganhou uma chance entre as convocadas. E justamente em um momento da carreira em que vive uma situação contrária a de quase todo o selecionado brasileiro.

Ao lado da armadora Mayara, Fran é uma das únicas a não atuar no exterior. Enquando a companheira joga pelo Pinheiros, Fran defende o Vegus, de Guarulhos.

- Por enquanto, não estou pensando em voltar. Talvez, mais para frente. O que pegou para mim, para voltar ao Brasil, foi a parte mais psicológica, mental, a questão da saudade. Agora que estou melhor mentalmente, perto de casa, é melhor para o jogo fluir. Acho que aqui esse ano está melhor - afirmou a atleta ao LANCE!.

Fran passou quase duas temporadas completas na Áustria, defendendo o Hypo Nö. No início, quando ainda havia o convênio da Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) com o clube, ela tinha outras companheiras brasileiras para conversar e se divertir fora de quadra. Mas quando a parceria chegou ao fim, em 2014, muitas jogadores mudaram de equipe, e ela passou a se sentir sozinha. Longe da família e sem muita companhia, resolveu voltar para o Brasil já em 2015.

- Fiquei quase duas temporadas fora do país. Lá, sentia falta da minha casa, da minha família, a quem sou muito apegada. Na Europa, tem a Liga dos Campeões, que possui uma dificuldade maior do que qualquer outro campeonato do Brasil. Lá, as meninas pegam mais rapidamente as coisas, já treinam em um ritmo forte desde pequena. Aqui, a base pega pouco ainda - avaliou.

Longe das quadras europeias, Fran tem jogado apenas o Campeonato Paulista, já que sua equipe não disputa a Liga Nacional. Nada que a deixe preocupada. Apesar da diferença entre as competições, ela acredita estar no mesmo nível das companheiras de Seleção Brasileira.

Agora, em casa, sem preocupações fora de quadra e garantida em uma grande competição, Fran não quer deixar nada atrapalhá-la:

- Alguns anos atrás, eu nem pensava que isso poderia acontecer. Apesar de já ter jogado pela Seleção de base, é diferente estar na principal. A emoção é completamente diferente. Não imaginava estar aqui.

CONFIRA UM BATE-BOLA COM FRAN:

Você é uma das novatas do grupo para a Olimpíada. Como tem sido essa experiência?

Fran: É diferente. Agora, estou treinando para a competição, vou estar junto com minhas companheiras. Essa situação é importante para ver que todo o treino valeu a pena, todo o esforço valeu após ter ficado fora dos outros torneios. É como eu falo: Deus tem um propósito para tudo, e foi o que aconteceu. Fiquei fora de algumas competições, e os cortes vieram para ganhar experiência. Continuei treinando, e agora é realizar isso.

Como foi ser cortada diversas vezes e, agora, ser confirmada para um torneio tão importante?

F: Antes, eu ficava pensando: "Fui cortada, infelizmente, não vou". Agora, tenho a certeza que estarei lá. Esse ano, foi meu melhor na Seleção Brasileira. Voltei completamente diferente do Mundial, mais madura. Aos poucos, fui tendo mais confiança. Sabia que estava com um pé aqui (nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro).

O que espera dentro da Vila Olímpica?

F: Tive uma experiência parecida em Toronto (nos Jogos Pan-Americanos), quando vimos alguns atletas que normalmente só assistíamos pela televisão. Agora, como vai estar todo mundo, estamos tentando segurar um pouco para tirar foto, para manter nosso foco. Na hora que tiver uma folguinha, aí sim, podemos aproveitar para conhecer o pessoal.

Quem você gostaria de conhecer?

F: Uma pessoa só não tem. Todos que já ganharam uma medalha olímpica, tiveram um recorde, como (Michael) Phelps, (Usain) Bolt. É surreal.

Como era seu dia a dia quando morava fora do Brasil? Conseguiu levar alguém da família?

F: Não, infelizmente, não levei ninguém. O primeiro ano era até mais fácil, tinha o convênio entre a Seleção e o Hypo, tinham mais cinco meninas do Brasil lá. Então, foi mais adaptável. No segundo ano, fiquei com outra brasileira. Como já conhecia algumas meninas do ano anterior, não tinha muita dificuldade. Mas como eu não falava inglês, precisava ter alguém que traduzia as conversas. Tinha uma amiga do Chile que falava alemão, e ela fazia isso. Mas chega uma hora que pega um pouco. Você está com uma pessoa, e ela viaja, então não tem com quem conversar.

QUEM É ELA

NOME: Francielle Gomes da Rocha

NASCIMENTO: 10/6/1992 - Campo Belo (MG)

ALTURA E PESO: 1,66m e 58kg

POSIÇÃO: Central

CLUBE ATUAL: Vegus de Guarulhos

PELA SELEÇÃO: Medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto (CAN),

em 2015, Campeã do Pan-Americano de 2015, em Cuba, e 2013, na República Dominicana.

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