De olho em 2020, COI projeta "rejuvenescimento" olímpico

O Comitê Olímpico Internacional anunciou, dias antes da abertura oficial dos Jogos do Rio 2016, a decisão de trazer mudanças aos eventos posteriores. Segundo o órgão, serão inseridas novas modalidades em 2020, como Surfe, Skate e Escalada, três das principais atividades em discussão.

Motivação por trás desse planejamento, a tentativa de renovar a atmosfera olímpica ganha destaque. Tudo começa por uma grande discussão acerca do modelo de megaeventos esportivos - que têm nos Jogos Olímpicos seus principais produtos e referência. O modelo e suas falhas, segundo especialistas, revela-se com mais clareza na edição do Rio 2016.

De acordo com Anderson Gurgel, professor de Marketing Esportivo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o problema do modelo passa por uma crise de sustentabilidade e por aspectos econômicos. O pensamento em longo prazo, exigido por um bom planejamento de eventos desse porte, é inexistente.

- O Brasil que ganhou o direito a sediar os Jogos é completamente diferente do país que entrega a Olimpíada ao mundo - comentou o professor, complementando:

- Há uma questão imprevisível no campo político e econômico. Os eventos são cada vez maiores e a inclusão de novos esportes também passa por um número maior de atletas e isso, mesmo compondo a motivação primordial do Comitê, contribui para um modelo já em crise - disse.

Ainda, o professor explica:

- O estudo de público, que motivou a inserção de novas modalidades, constatou, por sua vez, quem são os admiradores dos Jogos Olímpicos. Diferentemente da Copa do Mundo, em que se destacam jovens de 20 a 35 anos, o alvo das Olímpiadas é de pessoas mais velhas e com pouco potencial de consumo. Por consequência, a falta de um público jovem desagrada o mercado e as grandes marcas, gerando uma falta de conexão entre esses espectadores "envelhecidos" e a sociedade de consumo atual. A pressão em cima, principalmente, do modelo de negócio - encerrou Gurgel.

Nesse aspecto, entra o dito rejuvenescimento dos jogos. Com esportes mais "do momento", que contam com maior participação de jovens, a expectativa é de que, até 2020, um novo público seja atraído às arenas e, consequentemente, ao mercado que gira em torno do evento.

Anderson Gurgel, ainda sobre a crise:

Passando por problemas políticos e econômicos - e por um modelo que não se sustenta - a maior discordância passa por patrocinadores e emissoras de TV, responsáveis por 70% da "conta", por meio de direitos de transmissão.

Outras mudanças:

Há certa pressão, também, por uma modernização dos esportes. O boxe, por exemplo, já usa efeitos de luz e entradas mais triunfais para tentar competir com o UFC, em alta no momento. O pentatlo é igualmente questionado; tem pouco apelo de mídia, e é mais um quesito que busca se tornar midiaticamente mais agradável.

O exemplo de sucesso vem do Vôlei de praia. Enquanto atração, a modalidade conecta praias, lugares bonitos, regiões históricas com DJs, clima descontraído, música e festa. O futuro dos megaeventos esportivos passa por resolver essa questão, mas também formar uma nova geração.

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