Brasileiro do Líbano é desclassificado no judô e se revolta

Uma cena nada relacionada ao espírito olímpico foi protagonizada pelo brasileiro Nacif Elias, naturalizado pelo Líbano, na manhã desta terça-feira. O agora libanês foi eliminado dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, na Arena Carioca 2, logo em sua estreia para o argentino Emmanuel Lucenti após ser desclassificado por tentar um golpe ilegal. O problema ocorreu em seguida.

Indignado, o lutador começou a reclamar com veemência e gesticular em direção ao árbitro principal e aos juízes de vídeo. Ele esbravejou, fez o sinal de não com as mãos, não cumprimentou o adversário e nem o dojo. Uma atitude considerada muito desrespeitosa na modalidade. Para piorar, se recusou a deixar o tatame, o que fez quase cinco minutos depois do fim da luta.

Apesar de atitude, Nacif foi ovacionado pela torcida. Capixaba, ele tinha a esperança de conseguir um bom resultado no Rio de Janeiro. E apoio não faltou dos brasileiros.

- A arbitragem internacional é uma vergonha. Eu abdiquei da minha vida para estar aqui. É uma vergonha. Talvez, eu tome uma suspensão de dois anos agora por ter reclamado - disse o judoca em entrevista ao SporTV logo ao deixar a área de luta.

Muito irritado, Nacif nem passou pela zona mista em um primeiro momento. Foi levado direto para o vestiário para esfriar a cabeça. A arbitragem, então, deu sua explicação afirmando que o brasileiro teria forçado o cotovelo do rival de maneira proposital com o combate ainda em pé, o que é ilegal.

Cerca de meia hora depois, o libanês voltou ao tatame. Não para lutar, mas para fazer os cumprimentos obrigatórios e se desculpar com a arbitragem. Voltou a ser ovacionado. E dessa vez, foi mais contido nas reclamações.

- Treinei quatro anos para estar aqui. Me classifiquei por mérito. Chorei todas as vezes que sai do treino nesses últimos quatro meses para buscar o ouro. Já tinha ganho desse adversário em outra oportunidades, então, como não ficar triste e revoltado? Ele já tinha feito isso uma vez, duas já é catimba. Vou voltar em Tóquio-2020, serei número 1 do mundo. Não desisto dos meus sonhos - afirmou Nacif.

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