'Gastança' faz parte da lógica que dita os rumos do Campeonato Inglês

O Campeonato Inglês tem se fortalecido a cada dia. Se antes a grandeza dos clubes era medida por suas histórias, hoje a fortuna que acumulam é a grande referência. O giro de capital no futebol da Terra da Rainha é simplesmente o maior de todos e muito disso se deve ao novo contrato que as emissoras Sky Sports e BT Sport assinaram para transmitir os jogos da competição nacional.

Os contratos dos direitos de transmissão, por sinal, atingiram números recordes. A quantia chegou a impressionantes 5.136 bilhões de libras pelas próximas três temporadas. Os números simbolizam o aumento de 71% dos valores do último acordo. Ainda, as estimativas apontam que o lanterna da Premier League na temporada 2016/2017 receberá cerca de 104 milhões de libras (valores fixos, além dos variáveis), enquanto o campeão deve lucrar 158 milhões de libras.

Com tanto dinheiro, a liga inglesa tende a ganhar ainda mais qualidade, conforme explica Amir Somoggi, especialista em gestão e marketing esportivo.

- O futebol inglês sempre foi o pioneiro nos melhores contratos televisivos e sempre foi a liga que mais gastou. O Manchester United até pouco tempo atrás era a referência orçamentária. Hoje, eu vejo o clube fazendo como o Barcelona e Real Madrid. Contratar um jogador por 100 milhões de euros é coisa que esses clubes fazem. O nível se torna mais elevado, mas o Manchester está fazendo igual a City, Chelsea e PSG - explicou, falando também sobre a divisão das cotas de tv entre os clubes ingleses:

- Todos os clubes ingleses se beneficiaram com esse contrato que agora é o segundo maior do mundo (só perde para a NFL). Isso você percebe quando analisa os clubes que mais gastaram com contratações e vê vários ingleses, só que muitos desses clubes não são campeões. Na verdade, o contrato da Premier League é o contrato que dá mais dinheiro para os clubes pequenos. Eles podem conseguir feitos maiores, como é o caso do próprio Leicester - exemplificou.

Apesar disso, existe também um lado questionável desta 'moeda': a inflação que causa no mercado. Para Somoggi, trata-se de algo natural, visto que os valores gastos nas transferências de atletas é parte integrante do futebol.

- Enquanto os clubes continuarem vendo essa roda girar, eles vão continuar contratando. É a lógica do negócio: um ciclo virtuoso. Como exemplo, o Real Madrid não faz loucura, ele vendeu o Di Maria (para o próprio Manchester United, naquela que foi a transferência mais cara na Inglaterra na época) no mesmo período para trazer James Rodrigues - disse, acrescentando:

- Esses clubes têm um faturamento muito alto, então é um balanço que vai sendo normalizado. No caso do United, eles podem ter esse gasto em uma única contratação. A marca do clube é muito grande e traz uma receita proporcional ao seu tamanho. Para um ser humano, os valores são verdadeiras loucuras, mas na indústria do futebol é parte integrante, afinal quanto desses jogadores existem? - questionou Somoggi.

Nesta temporada, o Manchester United foi o clube mais agressivo no mercado. Sonhando com o retorno de Paul Pogba, que deixou os Red Devils para defender a Juventus em 2012, o clube desembolsou 110 milhões de euros (89 milhões de libras ou cerca de R$ 386,1 milhões). Com a concretização do acerto, as cifras tornam a transferência a mais cara da história do futebol.

Chelsea, Liverpool, Manchester City e Arsenal não foram tão ambiciosos como o Manchester United, mas também mostraram que têm condições de sair na frente na disputa por jogadores. Confira abaixo os maiores investimentos de cada uma dessas equipes para a temporada 2016/17, que tem início no próximo fim de semana.

Chelsea:

Michy Batshuyai (Olympique de Marselha - £33.2 milhões ou aproximadamente R$135.9 milhões) e N'Golo Kanté (Leicester - £32 milhões ou aproximadamente R$131 milhões).

Manchester United:

Eric Bailly (Villareal - £30 milhões ou aproximadamente R$122.8 milhões); Henrikh Mkhitaryan (Borussia Dortmund - £26.3 milhões ou aproximadamente R$107.7 milhões) e Paul Pogba (Juventus - £89 milhões ou aproximadamente R$ 364.2 milhões).

Liverpool:

Wijnaldum (Newcastle - £25 milhões ou aproximadamente R$102.4 milhões) e Mané (Southampton - £36 milhões ou aproximadamente R$147.3 milhões).

Manchester City:

Gabriel Jesus (Palmeiras - £27 milhões ou aproximadamente R$110.4 milhões); Leroy Sane (Schalke 04 - £37 milhões ou aproximadamente R$151.4 milhões) e John Stones (Everton - £47.5 milhões ou aproximadamente R$ 194.3 milhões).

Arsenal:

Xhaka (Borussia Monchengladbach - £34 milhões ou aproximadamente R$139.1 milhões).

*Valores acima foram retirados do site 'skysports' e calculados segundo a cotação da última terça-feira (9/08).

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