'Não parei por uma questão de honra', diz Marílson em dia de adeus

Não foi a despedida com a qual Marílson Gomes dos Santos sonhava. Principal fundista brasileiro nos últimos anos, primeiro sul-americano a ganhar duas vezes a Maratona de Nova York, além de colecionar vitórias em provas de meia maratona, 10.000 m e 5.000 m, ele tinha se programado para fazer sua última competição de nível internacional justamente na Rio-2016. Mas o peso dos 39 anos acabou sendo decisivo para que o brasileiro ficasse bem distante do pódio, terminando em um modesto 59º lugar. E Marílson só terminou pelo fato de estar correndo em casa.

- Geralmente em uma maratona destas, com o ritmo em que eu estava, já teria parado, mas não abandonei porque era questão de honra terminar a prova aqui no Rio. Estava diante da minha torcida, no meu país, essa era minha última prova... Dificilmente eu corro uma prova sem condições porque os prejuízos que virão depois de uma prova destas, para quem vai continuar, seriam meio que irreparáveis - disse o brasileiro, que havia sido quinto colocado na maratona em Londres-2012 mas no Rio de Janeiro completou os 42 km da prova em 2h19min09s.

O próprio Marílson não sabia explicar o motivo de um desempenho tão ruim, embora tivesse algumas suspeitas.

- Fiz o que tinha que fazer, tenho 39 anos, tinha que segurar o máximo possível para fazer uma boa prova. Infelizmente eu senti o ritmo muito cedo. Não sei explicar o motivo, talvez tenha sido a umidade, sempre tive dificuldade em correr em climas úmidos, acabou atrapalhando todo mundo, mesmo o campeão (Eliud Kipchoge, do Quênia). Se for ver bem, ele tem coencerrado sua carreira condições de correr muito mais rápido do que fez aqui - explicou.

Mesmo o fato de ter encerrado a carreira a carreira com uma performance bem abaixo do que acostumou-se a fazer incomodou o fundista brasileiro, que nasceu em Brasília e tem como seu melhor resultado na prova da maratona o tempo de 2h06min34s.

- Fiz o que eu pude, dei meus 100%, se tivesse desistido, parado, só até a metade da prova, talvez. Dei 100 % e senti que foi uma maneira digna de finalizar minha carreira - explicou.

Sobre o futuro, a única coisa que Marílson Gomes quer no momento é descansar alguns dias e só então pensar no que irá fazer.

- Vou tirar alguns dias de folga, afinal foram 27 anos dedicados à corrida. Depois, conversar om o pessoal da minha equipe (BM&F) para decidir o que vou fazer, talvez continue lá. Vamos conversar esta semana, é interesse deles me manter no quadro. Quero continuar contribuindo com o atletismo de alguma maneira. Acho que posso ajudar com meu conhecimento e vivência nas pistas - explicou o brasileiro.

De olho em Tóquio 2020

O melhor brasileiro classificado na maratona da Rio-2016 foi Paulo Roberto de Paula, que terminou na 15ª posição, com o tempo de 2h13min56s. Em Londres, ele havia ficado em oitavo lugar, mas deixou o Sambódromo dizendo que estava feliz com o seu resultado.

- Para mim foi a mesma coisa. Aqui cheguei até melhor do que Londres fisicamente, dei o meu melhor. Nunca tinha corrido maratona no Brasil. Saio feliz porque esse resultado para mim foi bom, embora eu quisesse o pódio. Já saio focado para Tóquio 2020, quando estarei com 41 anos e irei lutar para fazer parte da equipe brasileira - afirmou.

O terceiro brasileiro que participou da prova, Solonei da Silva, não foi bem e terminou apenas em 78º lugar, com 2h22min05s.

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