Débora Campos é esperança de pódio para o Brasil no tiro esportivo

Tem uma maneira melhor do que entrar no estágio final de preparação para os primeiros Jogos Paralímpicos em seu país do que ganhar sua primeira medalha de ouro internacional, estabelecendo novo recorde nacional e pessoal? Pois foi exatamente o que aconteceu com Débora Campos, atleta de tiro esportivo da delegação brasileira que vai disputar a Paralimpíada do Rio-2016 a partir do dia 7 de setembro. No mês passado, ela venceu o Campeonato de Fort Benning, nos Estados Unidos (pistola de ar 10m, P2, classe SH1) e chega com fôlego extra para a competição no Rio.

Débora é pentacampeã brasileira e teve a perna direita amputada aos 12 anos por conta de uma infecção óssea causada após um atropelamento. Ela começou a praticar o tiro em 2009 e será a única brasileira na modalidade nos Jogos do Rio.

Em entrevista ao site do Comitê Paralímpico Internacional, a brasileira de 40 anos elegeu como tema pessoal a frase "eu posso". A temporada de 2016 tem sido de altos e baixos até agora. Antes do torneio nos EUA, ela disputou a Copa do Mundo de Bangkok, na Tailândia, no início do ano, e teve o pior resultado dos últimos cinco anos.

Além disso, Débora ainda está lutando contra lesões nos dois ombros.

- A lesão me afeta e às vezes eu tenho que mudar a minha postura para acomodar, mas ainda tenho sido capaz de, na medida do possível, seguir com o planejamento feito pelo meu treinador. Neste momento, a minha preparação está indo muito bem. Sinto que vou ser capaz de chegar aos Jogos no meu auge - acredita a atleta.

Ao falar sobre os Jogos do Rio, ela admite que, apesar da extrema emoção e do orgulho por participar dos seus primeiros Jogos Paralímpicos, também há momentos em que ela sente pressão.

- De vez em quando, sinto o peso da responsabilidade, principalmente porque estes são os meus Jogos em casa e quero dar o meu melhor na frente da minha família e dos meus amigos. Mas, então eu tento me lembrar que a pressão pesará muito mais sobre os atiradores mais experientes e favoritos, como Sareh Javanmardidodmani, do Irã; Olivera Nakovska-Bikova, da Macedônia e Olga Kovalchuk, da Ucrânia. Estou muito orgulhosa por poder representar o meu país no Rio. A vida no Brasil é difícil para muitos no momento. Eu só espero que os Jogos tragam alguma alegria ao povo brasileiro - disse Débora.

Ela também espera que os Jogos aumentem a visibilidade dos atletas paralímpicos e que contribuam para a inclusão das pessoas com deficiência no Brasil. Ela já tem percebido melhoras nos últimos anos.

- As pessoas estão mais interessadas em nosso esporte do que costumava ser, e mais conscientes e orgulhosos do que os atletas paralímpicos podem fazer.

Mas, segundo a atleta, ainda há trabalho a fazer.

- Infelizmente, muitas pessoas no Brasil ainda ligam a prática do tiro esportivo com a violência. Eu quero tentar acabar com essa ideia.

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