Mais presente do Corinthians no ano, Uendel diz: reação não é difícil

  • Julia Chequer/Folhapress

    Uendel é o jogador que mais defendeu o Corinthians na temporada

    Uendel é o jogador que mais defendeu o Corinthians na temporada

Uendel é um nome muito mais importante para o Corinthians do que se supõe à primeira vista. Além de ser um dos únicos quatro titulares remanescentes do título do Brasileirão no ano passado, o lateral-esquerdo é o jogador mais presente da equipe neste ano, com 3.601 minutos jogados - acima de Bruno Henrique, Fagner, Cássio e todo o resto.

A dimensão é tanta que, aos 27 anos, ele é um dos líderes do elenco, foi capitão em quatro jogos e titular absoluto do promissor Guilherme Arana, que é jogador até de Seleção Brasileira nas categorias de base.

Nesta segunda-feira, contra o Vitória, às 20h, na Arena de Itaquera, Uendel será um dos 11 titulares de Cristóvão Borges num confronto em que o resultado positivo é quase obrigação, já que o Timão não vence há três jogos em casa e, no geral, também está há três rodadas sem vitórias no Brasileirão. Fora do G4 após dois meses e com a missão de voltar à briga, o lateral-esquerdo não vê o momento atual como seu pior em dois anos de clube. E por já ter vivido épocas de vacas ainda mais magras, tem uma receita pela reação.

Nesta entrevista ao Lance!, o camisa 6 diz o que acha que o Corinthians precisa fazer para voltar a vencer no Brasileirão e mostra confiança nesta reação. Desse jeito, o Vitória que se cuide em Itaquera...

CONFIRA A ENTREVISTA COM UENDEL:

O que não está encaixando no Corinthians? Já são três jogos sem vencer no Brasileirão...

É difícil falar porque não conseguimos o resultado positivo nos últimos jogos. Cada jogo tem uma história. No Atlético-PR, por exemplo, a gente estava fazendo um bom jogo, aí uma escapada do Paulo André, um chutão despretensioso e acabou fazendo o gol e deixamos escapar às vezes até uma vitória. Contra o Grêmio vejo bem parecido do que foi contra o Flamengo, ganhamos de 4 a 0, mas se for analisar não foi um jogo para 4 a 0. Lá no Sul foi a mesma coisa. A gente lamenta, fica pensando 'se tivesse feito o empate no primeiro tempo...' Mas acho que em casa é que estamos devendo muito, porque sempre fomos muito fortes, mas deixamos escapar os últimos três resultados aqui. Agora chegou o momento em que não dá mais para perder ponto em casa, precisamos da vitória na Arena.

E o que fazer para mudar?

A gente conversa bastante, acho que todo mundo já passou por isso em outros clubes também. Estamos em um momento difícil, às vezes a gente tenta achar muitos defeitos numa situação como essa, mas talvez a coisa mais certa é ter simplicidade, dar um passo para trás e ser mais simples, tanto dentro de campo como fora. Não precisa chegar aqui e querer revolucionar, achar que está tudo errado porque os resultados não vieram, mudar nosso estilo de treino, jogo... Acredito que tem que manter a simplicidade, trabalhar mais e falar menos, não vamos encontrar as respostas em palavras, temos que mostrar em atitude dentro de campo, temos que estar muito unidos. Em momentos críticos vêm muitas críticas por parte de torcida e imprensa, então temos que nos manter firmes, ter simplicidade e o próximo jogo já encarar como uma grande final.

Você está vivendo seu pior momento como jogador do Corinthians atualmente?

Não. Teve momentos piores. Quando cheguei em 2014 estava um processo de reformulação com o Mano Menezes, ficamos vários jogos sem ganhar. No próprio Campeonato Paulista, nós nem nos classificamos, acho que ali foi o pior momento aqui do Corinhtians que eu vivi. Vários jogadores que ganharam Libertadores estavam saindo, então ali senti que foi um processo mais difícil. Hoje, se você analisar os resultados, claro que não foram bons nos últimos jogos, mas a gente vê um time encorpado. Tem um time e isso até dá um alento para a gente poder voltar às vitórias. A gente não está tão para baixo assim, não.

Por ter passado por isso e hoje seguir no Corinthians, você é um dos líderes do elenco. Acha que é por aí mesmo sua condição?

Tem vários tipos de liderança no elenco. Os que chegam podem olhar para mim como um que tem mais tempo de casa, assim como Elias, Fagner, Cássio e outros, e ter um norte, mas não me considero um líder de chegar no vestiário e falar. A gente nem tem um cara muito assim e acho que nem precisa. Um exemplo que eu gosto de falar é o Danilo, um cara que nunca você ouve falando, mas que ganhou tudo, tem os principais títulos do clube, é ídolo da torcida, o primeiro a chegar no treino, sempre se dedica, quando joga age da mesma forma, quando está no banco age da mesma forma... Ele é um cara que é exemplo a ser seguido pela atitude. Temos vários assim, que têm que ser seguidos pela atitude, mas que não são líderes que num jogo mais falam.

O objetivo neste ano ainda é ser campeão ou já se pode dizer que é terminar o Brasileiro no G4?

A gente tem que pensar alto, né? Não pode pensar em G4... Acho que rodada a rodada a gente vai vendo o que pode alcançar. Há três rodadas a gente cravaria a briga pelo título, porque estava bem perto, agora o Palmeiras deu uma distanciada, então eu já diria que agora temos que buscar encurtar essa distância primeiro, mas rodada a rodada isso pode mudar. É difícil prever lá na frente, a gente tem condições de brigar pelo titulo, mas temos que provar jogo a jogo que somos capazes de chegar a esse nível.

É melhor ou pior ser o último a jogar entre os times da ponta?

A pressão acho que é igual, de entrar em campo e fazer um bom jogo. Aqui é sempre isso, tem que ir bem. Em uma rodada que todo mundo perde pode ser positivo. Ou se todo mundo ganha temos que ganhar também, daí pode ser pior. Difícil prever o que é melhor ou pior. Temos que concentrar aqui, fazer nosso trabalho e não olhar para o lado.

Nos últimos jogos a torcida vaiou vocês na Arena e o Elias fez uma crítica pesada. Como vê isso?

Acho que eu entendi o que o Elias quis dizer, que a gente está num momento difícil, de reformulação da equipe, então a gente tem que caminhar lado a lado com a torcida, principalmente nesse momento. A torcida tem que apoiar principalmente agora, porque quando ela vem junto a gente sente o clima. Segunda (hoje) é um desses momentos, ali que vamos precisar do apoio. Temos certeza que o torcedor estará com a gente, do nosso lado no jogo contra o Vitória.

O Arana hoje é seu reserva, mas está na Seleção de base e é assediado pela Europa. Se ele tiver proposta, você aconselharia a sair do clube?

Ele não chega a comentar de propostas comigo. Temos o mesmo empresário inclusive, mas não falamos disso. Ele é muito novo e promissor, então sempre vai ter sondagens sobre ele. Para mim, ele é um dos melhores da posição no Brasil da idade dele. Difícil um jogador de 19 anos já ter um currículo como o dele, de titular em um título brasileiro. Ele tem muita concentração e qualidade, tem futuro promissor pela frente, tanto que foi convocado para a sub-20. Se for ver, na idade que ele tem, eu estava no Criciúma. Então ele está num clube que dá muita estrutura para ele, treinos defensivos que são importantes para o lateral, que eu não tive por exemplo na idade dele, que teve bons treinadores, Mano, Tite e agora o Cristóvão. Isso me impulsiona também, porque sei que se der brecha ele pode pegar a vaga. A gente conversa sobre jogos, um ajudando o outro e isso é bom para o Corinthians, que sempre vai ter laterais de qualidade dentro de campo.

Mas você recomendaria sair? Tem ideia de ficar muitos anos defendendo o Corinthians?

A gente nunca sabe como vai ser no futuro. Se chega uma proposta para ele, às vezes ir vai ser melhor ou ficar vai ser melhor. O que a gente fala entre a gente é para estar preparado. Ano passado foi exemplo disso. Era o Fábio Santos aqui, eu reserva e ele na reserva do Atlético-PR. Ele terminou o campeonato como titular do campeão, então a gente nunca sabe o que vai acontecer, tem que trabalhar para quando tiver oportunidade. Sempre cito esse exemplo do ano passado, começou jogando eu, Fagner e Bruno Henrique, terminou Edilson, Arana e Ralf. Futebol é muito dinâmico. Precisamos de um grupo forte, isso que temos que ter em mente, porque daí a tendência é o time não ter dificuldades. Isso cabe a todos nós.

Como tem avaliado o trabalho do Cristóvão até agora? Muito diferente do que fazia o Tite?

Diferenças existem, são duas pessoas diferentes, então sempre vai haver uma diferença. Eu, por exemplo, nunca peguei dois treinadores iguais em sequência, mas a linha é bem parecida, sim. Trabalhos curtos, dois toques, pressão alta... O Cristóvão está implantando a filosofia dele no dia a dia. Nesta semana por exemplo fizemos trabalho com três equipes, coisa que o Tite não fazia, mas que é muito bom, dá dinâmica, o grupo gostou do trabalho de hoje. Cada um tem um treino diferente, mas a linha segue a mesma, e isso é muito bom. Seria difícil se chegasse um e mudasse tudo, botasse três zagueiros, coletivo em campo aberto. Mas não, estamos gostando do Cristóvão, é um cara muito tranquilo, gente boa, calmo e educado, ele gosta que nosso ambiente esteja sempre muito bom.

Existe um limite para a sorte virar e os resultados voltarem a aparecer para o Corinthians?

Não tem um 'vamos agora', não é fácil. Somos avaliados por resultados, nosso time tem bons jogadores, o Cristóvão vai tentar uma coisa diferente e acho que pode dar bons resultados, mas não tem esse limite de agora é tudo ou nada. É um processo de reconstrução do time e isso leva tempo. Às vezes chega segunda e tem retomada, então estamos apostando tudo nesse jogo, uma boa semana, pra fazer um bom resultado na Arena.

E enfim se livrar das vaias...

A gente que vive do futebol sabe que realmente no fim da história é ganhar ou perder, e precisamos dessa vitória. Seria um salto muito grande na nossa volta à Arena do Corinthians.

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber notícias de esporte de graça pelo Facebook Messenger?
Clique aqui e siga as instruções.

UOL Cursos Online

Todos os cursos