Após fazer a 'maior venda do Brasil', Mattos vê Europa atenta ao Palmeiras

  • Cesar Greco/Ag Palmeiras

    Alexandre Mattos está há quase dois anos no comando do futebol do Palmeiras

    Alexandre Mattos está há quase dois anos no comando do futebol do Palmeiras

Em julho, Alexandre Mattos foi à Europa para acertar uma parceria com o Barcelona pelo zagueiro Mina e conversar com clubes interessados nos jogadores do Palmeiras. Das ofertas que chegaram para Vitor Hugo (Fiorentina), Róger Guedes (Spartak Moscou) e Gabriel Jesus (Manchester City), apenas a do City foi aceita. A venda do atacante por quase R$ 120 milhões é vista pelo diretor de futebol como uma das maiores da história do futebol brasileiro e o resgate da atenção dos europeus sobre o Verdão.

"Foram dois momentos (a ida para a Europa). Teve o Mina, que a gente teve uma situação difícil pelo interesse de outros times da Europa, o Palmeiras fez uma parceria com o Barcelona e foi lá concretizar isso. Foi bem-sucedido e abrimos outras possibilidades que estamos tratando ainda para o futuro. E no segundo momento segurar (jogadores). Me perguntaram se o Palmeiras ia contratar, e eu disse algumas vezes: a maior contratação do Palmeiras era segurar seu elenco. Tivemos esta dificuldade, mas os jogadores compraram a ideia do projeto de agora e de futuro", disse Mattos.

"O Palmeiras voltou a ter a atenção da Europa, isto é importante, como foi na venda da Gabriel. Importante também, não sei se foi dito, Palmeiras tentou fazer um plano de carreira para o Gabriel, mas respeitando a vontade, a gente entende. Quando a definição era da saída, do desejo dele depois desse ano, fizemos talvez a maior venda em reais do futebol brasileiro, do Palmeiras sem dúvida. A gente conseguiu fazer isso, vários jogadores estão assediados ainda, mas o Palmeiras está muito forte pela sua estrutura. O jogador hoje quer ficar e vamos manter para ganhar títulos", completou.

O plano de carreira citado por Mattos daria a Jesus a "tranquilidade financeira" para o atacante no Verdão. Mas seu desejo sempre foi jogar no City, especialmente depois da conversa que teve com Pep Guardiola. Sem chances de manter o camisa 33, o Palmeiras então fez a negociação que lhe renderá pouco mais de R$ 75 milhões. Todo o valor será depositado até o fim do ano, e o garoto se apresenta na Inglaterra em janeiro.

"Eu o chamei e falei que se ele ficasse íamos dar toda a tranquilidade financeira e oportunidade para o crescimento dele. Mas respeitando e aí não tem nada, o Gabriel quando decidiu sair a partir do ano que vem, falei que o Palmeiras ia também contribuir, foi bom para o Palmeiras e o Gabriel. A situação foi passada, ele viu com muito bons olhos, mas a gente respeita. Tem o momento", completou.

Com contrato até o fim do ano, Mattos ainda evita falar sobre o futuro, mas vê como necessária a sequência da gestão implementada por Paulo Nobre. Confira abaixo outros tópicos da entrevista do diretor de futebol na festa de aniversário do Palmeiras:

Você fica para a próxima gestão?

Meu contrato é até o fim do ano, vim com o Paulo Nobre. Temos de esperar um pouco, o foco é no Fluminense, o que queremos realizar ainda, aí depois eleição, o que o Palmeiras vai querer para o futuro. Tomara e acredito que o caminho está desenhado. A continuidade na gestão é fundamental para o Palmeiras não passar as oscilações dos últimos dez anos. Tentamos resgatar o orgulho do palmeirense de ser e acho que estamos conseguindo, mesmo errando. No futebol você erra sempre, só tem de acertar mais do que errar, e é o que esta gestão tenta fazer.

Qual o futuro do Palmeiras?

Falo muito para o presidente, é o legado que a gestão Paulo Nobre vai deixar para o Palmeiras. Títulos entram para a história, é o que o torcedor quer, mas para chegar neles a gente tem de trabalhar na gestão. Temos de falar da estruturação física e de pessoas. Palmeiras buscou os melhores profissionais de suas áreas, e o importante é o torcedor saber que o Palmeiras hoje pensa em excelência. A tendência é estar na parte de cima. É fundamental uma estrutura forte e uma estrutura em excelência. É o que buscamos e estamos conseguindo. Falei ao presidente: seu legado vai ser completo com a estruturação do Palmeiras. A história mostra, quem fez isso não saiu de cima. E o Palmeiras está próximo disso e vamos ter uma década, duas com o Palmeiras no topo.

Momento do Palmeiras

Chegando aos 102 anos resgatando muita coisa que passou no caminho, muita dificuldade que toda grande empresa passa. O Palmeiras está atravessando este período. A gente foca em contratação, mas não, no futebol é gestão completa. O Cícero me ajuda bastante, o Palmeiras tem crescido em estruturação, não só física, mas no material humano, gestão integrada com as categorias de base. A gente vê o sucesso de alguns jovens, como Jesus, passa por uma gestão bem feita, que a gente sabe que erra, mas a gente vai absorvendo e crescendo com isso. Falta muita coisa no futebol, temos uma experiência neste campeonato e tem suas armadilhas. O Palmeiras vai firme até o fim para quem sabe dar este título e o maior campeão nacional não pode ficar 22 anos sem conquistar. Vamos tentar coroar a gestão do Paulo Nobre, que a gente pode chamar de excepcional.

O que será feito com o dinheiro do Gabriel Jesus?

A questão contratual é interna do clube, até pelas cláusulas que não permitem o que fazer. Se analisar friamente o Palmeiras desde o ano passado é para o futuro. O Palmeiras buscou jogadores para o futuro. Trouxemos o Róger Guedes e ele era para o futuro, apesar da crítica. Tem muitos jogadores assim que no futuro vão estar à disposição do treinador que vier, da diretoria que vier.

 

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