Diretor de marketing do São Paulo promete R$ 35 mi em patrocínio para 2017

  • Diego Salgado/UOL Esporte

A diretoria do São Paulo apresentará nesta segunda-feira, em reunião do Conselho Deliberativo, números sobre a melhora das finanças do clube, de dezembro do ano passado para cá. O resultado, na análise interna, surge da redução de gastos e do resgate de receitas importantes. A alegação é de que a marca São Paulo voltou a gerar dinheiro a partir da atuação do departamento de marketing, hoje comandado pelo diretor Vinicius Pinotti.

O LANCE! entrevistou o dirigente, que explicou as estratégias para o futuro. Pinotti afirma que, no mínimo, os R$ 35 milhões arrecadados com patrocínio de camisa em 2016 estão garantidos para 2017. A ideia é conseguir mais. Ele também falou sobre possível parceria com empresas chinesas, do programa de sócio-torcedor, do preço dos ingressos para a reta final do Campeonato Brasileiro e pediu um voto de confiança do torcedor no momento difícil do time em campo. Confira o bate-papo com o diretor de marketing.

Qual a participação do marketing nessa melhora financeira do clube, que será apresentado na reunião desta segunda ao Conselho Deliberativo?

É preciso lembrar que assumimos o São Paulo no marco zero, devastado, camisa limpa, a credibilidade no mercado afetada (Pinotti era o diretor de marketing na gestão anterior, de Carlos Miguel Aidar, mas alega que não tinha área de atuação diante dos problemas que aconteceram). Começamos ali um trabalho de reconstrução, tanto de imagem, quanto de credibilidade, e financeiro também. Envolveu até a mexida na nossa equipe, porque ninguém faz trabalho sozinho. A gente veio trabalhando, construímos primeiro a despedida do Rogério Ceni (em dezembro do ano passado), evento grandioso e mundialmente reconhecido. Foi o começo de tudo, porque resgatou a são-paulinidade, a autoestima do clube. Com a classificação para a Libertadores e a festa do Ceni, encerramos o ano com o moral um pouco melhor.

O que foi feito este ano?

No fim do ano surgiu a oportunidade das primeiras parcerias. Começamos com alguns pontuais, o que na gestão anterior era vetado. Enxerguei que patrocínios pontuais eram importantes para mostrar ao mercado que o São Paulo continuava com uma marca de entrega importante e, a partir dessa estratégia, surgiram Joli, Fiap, que viraram o ano com a gente assim, gradativamente, fomos reconquistando a credibilidade. Tivemos que transferir a credibilidade da pessoa física em nome da instituição. E a partir daí o São Paulo passou, até a voltar ao brilho. Em cima do patrocínio pontual, Tivemos a Prevent Señior, que degustou, e chegou ao valor com contrato de patrocínio master, que há muitos anos o São Paulo não tinha (rompeu com a Semp Toshiba em 2014). Trouxemos a Tim de volta, que a outra gestão tinha expulsado do São Paulo.

O segredo do resgate foram as parcerias pontuais então?

Teve o marco zero na despedida do Ceni, e tive de segurar a Under Armour, Copa Airlines e Gatorade, que estavam dispostos a sair pela fase que vivia o clube (denúncias de corrupção culminaram na saída de Aidar). Hoje o São Paulo entrega mais do que promete para nossos parceiros. Já estamos em conversas com parceiros para renovação até 2018. Paralelo a isso, voltamos a trabalhar nos camarotes. A gente deu vida aos camarotes, passamos a negociar melhor. Em jogos importantes, fizemos ação de vender ingresso direto ao torcedor mesmo que ele não tivesse camarote. No último jogo da Libertadores, na semifinal contra o Atlético Nacional, batemos recordes e da renda de R$ 7 milhões, pelo menos R$ 1 milhão dessa receita veio da venda de camarotes.

Quanto o marketing arrecada hoje por ano?

Eu não posso falar os valores separadamente, por conta dos contratos de confidencialidade, mas a soma da camisa ultrapassou R$ 30 milhões, chegando quase a R$ 35 milhões por temporada.

Quanto está previsto para 2017?

O ambiente econômico permanece desafiador. O fato de a Libertadores ter sido boa e ter entrega boa, não quer dizer que vamos elevar os valores de 2017 expressivamente. Estamos focados em tentar melhorar os valores da camisa. Estamos melhorando o camarote, estamos inaugurando o Café de La Musique (clube e bar) no Morumbi. Um bar de torneios de pôquer. Estamos tentando melhorar a camisa e explorar propriedades que ainda não foram exploradas pelo clube. Mas eu garanto que pelo menos os R$ 35 milhões da camisa se repetem para 2017.

Mas se a fase do time continuar ruim, até com risco de rebaixamento, as empresas não podem sair do clube?

Eu acredito que não. Óbvio que o momento do futebol sempre depende, mas nossas parceiras estão olhando a entrega do clube, entrega de resultados. Só em caso de desgraça, porque estão muito satisfeitos, a marca São Paulo está voltando.

Consegue mensurar a real participação do marketing na melhora financeira do clube?

Consigo falar das receitas que trouxemos, mais não entra na receita de mais e menos, é mais complexo. Como o São Paulo tinha dívida muito alta e foi importante, você traz o contrato e esse contrato já dá vantagem para negociar com os bancos. Não fossem as novas receitas, não teria adequação da dívida. Os bancos hoje sentam com o São Paulo, porque sabem que o clube tem de onde tirar receitas para negociar o que está devendo, investimentos.

Você foi à China negociar com empresas para possíveis parceiras e o São Paulo nunca se pronunciou. O que aconteceu naquelas conversas?

A negociação com orientais é sempre mais demorada. Nós tivemos uma viagem muito produtiva na China. Voltamos a levar o São Paulo para o exterior, discutimos excursões, patrocínios e isso vem evoluindo das conversas, as negociações estão evoluindo. Tivemos uma paradinha devido à insegurança política e institucional do Brasil, eles recuaram, mas retomamos e tomara que possa ser uma porta de entrada para novos negócios com o clube.

Sobre o programa de sócio-torcedor, a impressão é que ele esfriou depois que o clube superou a marca dos cem mil membros. Como está o programa agora? Há novas estratégias?

O programa também gira em torno do time ir bem ou não. O que acontece é o seguinte: o programa nosso foi o de maior crescimento percentual entre todos os clubes do Brasil. E no fundo, hoje está muito bem sucedido, o plano de fundo dele é fidelização. Ele parou de crescer como vinha crescendo, não é que esfriou. Não tivemos redução drástica, o motivo de fidelizar foi atingido. O programa de sócio precisa estar atualizado. O torcedor quer isso. Estamos focados no aumento de benefícios, nas experiencias intangíveis.

Pode detalhar mais essas ideias que pretende ter?

Temos algumas parcerias que estamos fechando, que vão aumentar ainda mais as vantagens de ser sócio- torcedor. Em qualquer plano que seja, a conta é muito favorável. O foco é aumentar a sensação e é uma ferramenta de conhecer mais o seu torcedor. Estamos aprofundando experiencias com o time dentro e fora de casa, ampliando. Temos parcerias com universidades para serem lançadas, parcerias com concessionárias, plano de saúde, pensando em 2017.

Quanto o programa de sócio-torcedor gera de receita para o clube por ano?

Em torno de R$ 8 milhões.

Para o Campeonato Brasileiro, haverá redução do preço dos ingressos diante da má fase do time? O São Paulo teve prejuízo nos dois últimos jogos em casa, no Morumbi.

Não temos condições de reduzir mais o preço, primeiro porque tem norma de preço mínimo e já são R$ 20 para arquibancada, e com o desconto para sócio, chega a R$ 10. Mas esses R$ 10 que foram praticados em 2013, quando o time também foi mal na tabela, se colocar inflação, são os R$ 20 de agora. Antecipamos a ação. O preço já é muito atrativo. O São Paulo não pode pagar tanto para jogar. Gostaria até de convocar a torcida para que nos desse o voto de confiança, em meu nome, da gestão, para que comparecesse mais. A gente sabe da dificuldade da econômica, mas estamos precisando desse apoio.

Há ações para o futuro, no sentido de convocar o torcedor para o estádio?

É uma estratégia mais voltada com a comunicação do clube. Talvez a gente venha com mais uma ação para as próximas partidas.

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