'Zebra' no Rio, veterano das piscinas revive auge aos 35 e pensa em 2020

Um carismático americano, responsável por quebrar algumas das maiores escritas da natação mundial, está disposto a tentar novos feitos. Campeão dos 50m livre nos Jogos Olímpicos Rio-2016, em agosto, Anthony Ervin dá risada do tempo e, aos 35 anos, não cansa de cair em piscinas pelo mundo.

O veterano se tornou o nadador mais velho a conquistar um ouro no maior evento esportivo do planeta ao derrotar o favorito Florent Manaudou com 21s40, um centésimo à frente do francês, no Estádio Aquático do Parque Olímpico. Um mês depois, ele volta ao local para disputar seu terceiro Desafio Raia Rápida, que acontece neste domingo, às 10h.

Famoso pela tatuagens nos braços e pelo passado problemático com drogas e bebidas, o atleta vive o auge de uma reviravolta na vida. Fora dos Jogos de Atenas-2004 e Pequim-2008, quando largou o esporte, Anthony surpreendeu o mundo com o título na capital fluminense.

A façanha foi selada 16 anos após ele levar sua primeira medalha dourada, em Sydney-2000, que naquela ocasião o consagrou como o mais jovem campeão. Na Rio-2016, o nadador ainda foi ao topo do pódio no revezamento 4x100m livre. Sinal de que idade não é problema?

- É sim um problema (risos). Eu não tenho a mesma disposição para saltar, treinar e competir como um garoto. Meus adversários levam vantagem. Mas eu estive empenhado no meu desejo de provar que poderia, de ganhar meu ouro de volta - afirmou Anthony, que chegou a doar uma de suas medalhas para ajudar as vítimas do Tsunami da Ásia, em 2004.

O Ervin de hoje é budista, amante da natureza e preocupado com causas sociais. Quinto colocado em Londres-2012 nos 50m livre, um ano após desistir da aposentadoria, sempre tratou a busca por um novo lugar entre os melhores como desafio, ainda que poucos acreditassem ser possível. Nos Jogos de Tóquio, em 2020, estará com 39 anos. Mas ainda sonha.

- É claro que é uma meta. Eu estarei lá, de uma forma ou outra. Tentarei fazer parte da equipe no próximo ciclo. Terei alguns meses de descanso para poder refletir melhor - disse.

Por enquanto, o astro só quer a água como lazer. Foi lá que ele encontrou forças para resgatar a carreira de atleta, deixar para trás uma depressão e voltar para os holofotes. Descobriu que, sem ela, não é nada.

- Competir, para mim, não é tão importante quanto estar na água - disse Ervin, que desbancou o compatriota Michael Phelps, de 31 anos, como o mais velho nadador campeão olímpico.

Eugene Godsoe, Mike Alexandrov e Tim Philips também defenderão os EUA no desafio Raia Rápida.

BATE-BOLA

Anthony Ervin Nadador, ao LANCE!

'Se tiver apoio, Cielo pode fazer o mesmo que eu'

LANCE!: Você venceu a prova dos 50m livre no Raia Rápida ano passado. Após Anthony: ganhar o ouro nos Jogos do Rio, vem ainda mais forte agora?

Talvez eu estivesse mais preparado no ano passado, quando meu foco nos treinamentos era maior. Após os Jogos Olímpicos, tive muitas demandas e compromissos, que me deixaram menos tempo na piscina do que antes.

L!: Acredita que sua história possa servir de inspiração para Cesar Cielo voltar a se classificar para uma Olimpíada e tentar outro ouro?

A: Por que não? Dependerá da vontade dele e do seu time. Se sua família e amigos o apoiarem, quem sabe ele não faz o mesmo que eu? Tudo é possível. Quando ascendeu no esporte, eu estava em baixa. Acabei tendo mais contato com a geração atual do Brasil.

L!: Quais são seus planos para os próximos meses, após o ouro?

A: Quero nadar no oceano, relaxar, entrar em contato com a natureza e me manter envolvido com o esporte de outras formas, em causas governamentais, talvez como um embaixador. A natação no meu país está caminhando bem, mas posso contribuir para ajudar a aumentar a prática da modalidade. É o que eu idealizo. O importante é fazermos nossa parte para tornar o mundo um lugar melhor. Agora, tenho chance de fazer a diferença. Estive em uma grande convenção nos Estados Unidos recentemente, onde aprendi mais sobre esporte. Pude dialogar com lideranças e trocar informações.

L!: Acha que conseguirá manter o mesmo nível na piscina até 2020?

A: Tive uma preparação adequada, com todo apoio do time. Daqui a quatro anos, não posso prever o que acontecerá. Mas será difícil para mim.

O RAIA RÁPIDA

Formato

Na primeira fase, Brasil, Estados Unidos, África do Sul e Itália se enfrentam em provas de 50m nos quatro estilos. Os melhores atletas de cada um fazem a final. Na segunda etapa, os nadadores competem no revezamento 4x50m medley. A nação que somar mais pontos é campeã.

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Brasil

Terá Bruno Fratus (livre), Henrique Rodrigues (costas), Henrique Martins (borboleta) e João Gomes Jr. (peito).

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Os campeões

EUA (2012), Austrália (2013) e Brasil (2014 e 2015).

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