Daniel Dias fala sobre emoção no Rio e admite que pode disputar dois ou três Jogos

Maior nadador Paralímpico da atualidade, lenda do esporte e exemplo. Assim pode ser descrito Daniel Dias, que levou incríveis nove medalhas na Rio-2016, somando 24 e ultrapassando o australiano Matthew Cowdrey. Em evento realizado no Rio de Janeiro nesta quinta-feira (29), o ídolo contou ao LANCE! a emoção de vencer em casa, disse que se surpreendeu com a torcida brasileira e falou dos preparativos para Tóquio 2020.

- É uma alegria imensa ter grandes conquistas. Sei que posso ir para mais uma Paralimpíada, talvez duas ou três. Foi excelente, fico feliz em dar continuidade nesse trabalho que o Comitê está fazendo. Em 2004, o Clodoaldo (Silva) teve grandes conquistas e, através disso, pude me inspirar e começar a prática da natação. Acredito que têm muitos que ainda tem um receio e estão escondidos por ter deficiência em alguma coisa. Mas quem sabe eles possam ver isso e falar que são capazes. Talvez em Tóquio a gente esteja nadando junto. Seria incrível - disse Daniel.

Os Jogos Paralímpicos registraram o recorde de 145 mil ingressos vendidos para o evento em 24 horas. A mobilização, organizada principalmente através das redes sociais, deu grandes resultados e criou uma atmosfera diferente nos locais de competição.

- É uma alegria ver a mobilização da torcida, tive uma grata surpresa. No meu primeiro dia de prova confesso que me assustei quando entrei na piscina. Você aparecia e o estádio vinha a baixo. Parecia futebol, foi muito legal. Tentei curtir ao máximo esse momento. Tivemos uma procura muito grande. E o melhor: foram muitas crianças, com deficiência e sem. Isso foi um grande passo no esporte Paralímpico brasileiro e um grande legado que deixamos. O respeito para com o próximo e com as pessoas com deficiência.

Como é a emoção de disputar os Jogos Paralímpicos dentro de casa?

- Confesso que nesses Jogos eu estava bem chorão. Alguns pódios me emocionei muito e chorei bastante. Olhar toda a torcida, minha família, meus filhos, minha esposa... Todos que me apoiaram desde o início estavam ali. Ter todo povo brasileiro, de quem sempre recebi um grande carinho, foi ótimo. Estava bem emotivo por todo momento.

Você viveu grandes momentos no Rio, mas tem algum que foi o mais especial?

- Foram nove grandes momentos. Mas o último pódio individual (100m livre), quando conquistei a quarta medalha de ouro dos Jogos, foi muito emocionante. Ali eu falei "agora acabou, é a última vez que vamos cantar o hino juntos". Então me emocionei mais do que as outras vezes e chorei igual uma criança.

Como você enxerga o futuro do esporte?

- Vejo que conseguimos grandes resultados. Pra mim isso foi muito bom. Foi uma conquista para que a gente possa continuar o investimento que estamos tendo no esporte Paralímpico e até melhorar com outros, para que possamos fazer uma boa preparação.

E sua preparação para Tóquio, em 2020?

- Agora estou tentando curtir ao máximo essas nove conquistas, mas depois vou sentar com a minha equipe e planejar o próximo ciclo. Agora temos o Centro de Alto Rendimento, em São Paulo, é a realização de um sonho poder treinar em uma estrutura assim. Antes a gente precisava treinar fora do país para ter isso e agora podemos estar com a nossa família e treinar em um bom lugar.

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