Odebrecht obteve repasse de R$ 350 mi da Caixa pela Arena Corinthians

A Caixa Econômica Federal realizou uma transferência secreta de R$ 350 milhões à construtora Odebrecht em 2014, por ocasião de um rombo milionário nas obras da Arena Corinthians, estádio de abertura da Copa do Mundo sediada no Brasil há dois anos. Segundo o jornal "Folha de São Paulo", a estatal repassou os valores a partir da compra de debêntures, que são títulos de crédito lançados ao mercado para captar recursos.

A Odebrecht foi contratada em 2011 para erguer o estádio, que teria financiamento do BNDES de R$ 400 milhões e mais R$ 420 milhões de créditos cedidos pela Prefeitura de São Paulo, que são os CIDs (Certificado de Incentivo ao Desenvolvimento). A questão é que o primeiro montante só saiu em março de 2014 e o segundo foi alvo de uma ação judicial, o que atrapalhou a compra por parte dos empresários. Foi neste cenário que a Caixa comprou os créditos da Odebrecht de maneira sigilosa.

A Caixa foi procurada pela Odebrecht porque não havia garantias para que o empréstimo fosse feito em outro banco. Marcelo Odebrecht, então presidente da companhia, pressionou a Caixa pela liberação dos R$ 350 milhões e participou diretamente da operação. Hoje, o homem forte da construtora está preso em Curitiba por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, condenado a 19 anos de detenção após os crimes descobertos pela Operação Lava Jato.

A Odebrecht terá de devolver o dinheiro à Caixa Econômica Federal com juros, mas ainda não há previsão de quando isso ocorrerá. O acerto não envolveu o Corinthians, que segue sem pagar as mensalidades de R$ 5 milhões ao BNDES desde março - a inadimplência tem "permissão" do banco público, que estuda ampliar a carência de 17 para 36 meses do pagamento da Arena. O estádio foi finalizado com o custo de R$ 1,2 bilhão, mas pode chegar a R$ 1,65 bilhão com juros e correção monetária.

O estádio do Corinthians está na mira da Operação Lava Jato desde que André Luiz Oliveira, o André Negão, vice-presidente do clube, foi acusado de receber propina de R$ 500 mil e foi conduzido coercitivamente a prestar depoimento na Polícia Federal. O dirigente do Timão está livre e foi até candidato a vereador na cidade de São Paulo, com 20.481 votos, número insuficiente para se eleger.

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