Calor exaustivo no Qatar rouba a cena no Mundial de ciclismo de rua

Os títulos e os campeões do Campeonato Mundial de ciclismo de rua disputado em Doha, no Qatar, parecem ter ficado em segundo plano na edição deste ano. Afinal, os principais assuntos da competição, disputada do dia 9 de outubro até este domingo, foram as altas temperaturas da cidade, mesmo no outono.

 

Pela primeira vez na história, a competição foi disputada na Ásia, e foi escolhido justamente um país que fica no meio do deserto e é conhecido pelas altas temperaturas. E mesmo com as belas paisagens do local, o clima quente e seco que roubou a cena, com médias de 38°C.

 

- Organizar uma prova aqui em outubro talvez não tenha sido muito sábio - afirmou o belga Greg Van Avermaet, medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em agosto deste ano.

 

- O calor no Qatar é extremo. Não consigo explicar o quão extenuante é pedalar 40km no meio do deserto. Achao que os organizadores e a União Ciclística Internacional (UCI) tinham algum conhecimento sobre o ciclismo - avaliou a holandesa Roxane Knetemann.

 

Durante a última semana, a atleta Anouska Koster, também da Holanda, chegou a se acidentar durante a prova contrarrelógio por conta do calor elevado. Ela até tentou seguir na prova, mas claramente estava com dificuldades de se manter em pé.

Mesmo assim, alguns médicos do país insistem que as altas temperaturas não foram tão prejudiciais para a competição.

 

- Ela (Anouska) não teve problemas por conta do calor. Foi uma problema de exaustão devido ao desempenho na prova - declarou o doutor Yorck Schumacher, da Clínica Aspetar, de Doha.

 

Segundo o médico, além da alta temperatura, o vento e a umidade também precisam ser levados em conta durante as competições.

 

A UCI garante que as competições estão sendo disputadas em locais que não apresentam um risco para os atletas por conta do calor. O Mundial, que nos últimos anos foi disputado em setembro, também mudou de data para evitar o verão no Qatar.

 

Apesar dos problemas apresentados por muitos competidores, alguns ciclistas preferem não entrar na discussão sobre as temperaturas.

 

- Competi em pelo menos 100 provas durante minha carreira com essa temperatura. Sabemos faz muito tempo que o mundial seria disputado no Qatar, então, sabíamos que estaria quente. Se você organizar uma competição na Sibéria, estará frio - comentou o belga Tom Boonen.

 

Além das altas temperaturas, outra reclamação de muitos atletas foi com a falta de público nas ruas para apoiar a competição.

 

O Mundial, encerrado neste domingo, contou com provas da elite, sub-23 e junior. Com duas medalhas de ouro, quatro pratas e um bronze, a Alemanha foi a nação com mais conquistas.

 

Neste domingo, para terminar a competição, ocorreu a prova masculina de rua, com vitória do eslovaco Peter Sagan.

 

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