Após reformulação e apostas, sub-20 do Santos embala e volta a se impor

No Santos, categoria de base é um assunto levado a sério. Acostumado a lançar jogadores ao time profissional e até ao futebol mundial em grande escala, o Peixe é reconhecido nacionalmente por ser um dos clubes que melhor aproveita os jogadores formados dentro de casa.

E foi justamente o temor de que o bom trabalho feito com os jovens estivesse indo para um caminho diferente do usual que o clube adotou a medida de trocar o comando técnico da categoria sub-20, a última antes de o jogador se profissionalizar. Campeão de duas edições da Copinha, em 2013 e 2014, Pepinho Macia deu lugar à incógnita. Era assim que todos viam a chegada do técnico Marcos Soares.

Como revelado por este L!, o atual comandante dos Meninos da Vila foi escolhido por meio de processo seletivo. Após boas experiências no Distrito Federal e estágios feitos nos principais clubes da Europa, Marcos Soares apresentou suas credenciais e foi escolhido como aposta no Santos. Mas apesar do aprendizado na Europa, ele está no Brasil e conhece o imediatismo na cobrança por resultados. Mas superou a desconfiança e comanda o Peixe nesta quarta-feira, às 18h30, em Sete Lagoas, diante do Cruzeiro, pelo jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil sub-20.

Antes de conquistar 12 vitórias consecutivas e eliminar times tradicionais como Atlético-PR e Corinthians nas disputas do Paulista e Copa do Brasil da categoria, Marcos Soares sofreu algumas críticas. O Peixe foi eliminado logo na segunda fase da Copinha no início do ano e teve início difícil no Brasileirão. Mesmo assim, o treinador teve o respaldo da diretoria para dar sequência ao projeto. Agora, ele e os Meninos da Vila colhem os frutos.

- Não teve conversa, mas com certeza temi (ser demitido). Passamos por fase ruim, início de ano ruim, preocupação sempre existe. Na base importante sempre é a formação, mas resultados também são importantes. Tive respaldo do presidente, do Dagoberto (superintendente de esportes) e do Ronaldo (gerente das categorias de base). Eles deixaram claro que mais cedo ou mais tarde apareceriam os resultados. No Brasil tem esse imediatismo por resultado, e quando o treinador começa a conhecer o grupo, muda, aí os jogadores conhecem ideia nova e assim vai - explicou o treinador santista, ao LANCE!.

O Santos optou por correr o risco. Mas a decisão de manter a aposta inovadora no universo daqueles que sonham em atingir status de profissional em grandes clubes do país mostrou-se acertada. Afinal, eliminar o arquirrival e atual campeão do torneio com vitórias em casa e fora e avançar de fase no Paulista sub-20 é de se comemorar. Depois de apresentar seu currículo à diretoria santista, Marcos Soares teve a missão de ambientar seus "alunos" à nova filosofia. O processo foi longo, mas os resultados estão aí para comprovar o bom trabalho. Mas o grupo está longe de se contentar com o que já foi conquistado e quer seguir avançando nas duas competições.

- Então, a Copinha a gente nem jogou tão mal, foi eliminado sem perder e em um jogo que teve um gol mal anulado. Depois da Copinha o time mudou bastante, a adaptação foi demorada. Era um trabalho novo, jogadores novos chegaram e demorou um pouco para engrenar. Tivemos também um início difícil no Paulista e no Brasileiro, mas com o tempo os jogadores foram acostumando com a ideia. A guinada nossa, onde começou a fase boa, foi após uma vitória sobre o Osasco Audax fora de casa por 3 a 0. Mudamos nosso sistema para o 4-4-2, com duas linhas de quatro e isso ajudou. Eles foram entendendo que querem virar grandes jogadores e entenderam que o coletivo é mais importante que o individual. A coisa fluiu, a confiança veio, ganhamos jogos. E quando a confiança está alta, a qualidade se sobressai mais que o normal. A harmonia hoje é grande, entendimento melhor de jogo.

E como o próprio treinador definiu, o principal objetivo das categorias inferiores ao profissional é abastecer a equipe principal com bons valores. E justamente para facilitar a transição e antecipar etapas Marcos Soares e Dorival Júnior estão em constante contato. E harmonia. O clube tenta implementar a mesma filosofia de jogo desde o profissional até os princípios de seu trabalho com os jovens.

- Sem nenhuma dúvida (facilita a transição). O atleta que joga na beirada, por exemplo, vai chegar para o Dorival sabendo como faz o trabalho da beirada, onde tem que fechar, que movimentação pode fazer. Algumas variações sempre existem de um treinador para o outro, mas o modelo em si é parecido. O Dorival vai muito a treino nosso. Vê treino, discute comigo o que pode ser feito, o que jogadores podem fazer para aprimorar o processo. Meu papel é ajudar nesse desenvolvimento. A gente busca sempre encontrar um denominador comum.

Quem tem a ganhar com todo esse processo sem dúvida alguma é o torcedor do Santos.

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