América e Santa não veem saída e já pregam 'dignidade' no adeus à elite

Santa Cruz e América-MG chegaram a uma encruzilhada no Brasileirão. As duas equipes, que duelam neste domingo, às 17h (de Brasília), podem ter o rebaixamento para a segunda divisão decretado ainda nesta rodada - com quatro de antecedência. Para isso, basta que o time mineiro não vença o jogo no Arruda, e o Internacional derrote o Palmeiras no Allianz Parque.

A equipe pernambucana está na lanterna, com 24 pontos, enquanto a mineira é a penúltima colocada, com 27. Se vencer o líder, o Inter irá aos 41 pontos. Nessa situação, portanto, o América precisará vencer para não depender de resultados paralelos. Empate ou revés do Santa poderiam afundar os dois.

Embora os times ainda tenham chances matemáticas de escapar, ambos já tratam o rebaixamento como realidade. Ao LANCE!, jogadores das duas equipes mostraram que não tem muita fé na reabilitação e têm como meta terminar a competição de maneira digna, a fim de honrar as camisas de seus clubes.

- É um jogo que ninguém queria estar jogando. Todo mundo sabe que vivemos um momento delicado, não só pelo rebaixamento, mas por questões financeiras também. Temos que fazer nossa parte, buscar motivação para terminar o campeonato bem. Ter dignidade, hombridade e honrar a camisa do Santa Cruz - avaliou o atacante Grafite.

- Nossa situação é muito difícil. Criei um carinho pelo clube e não gostaria que as coisas estivessem assim. Temos que tentar fazer nosso melhor dentro de campo para acabar o campeonato com dignidade, para as pessoas nos respeitarem - ecoou o volante Tony, que recentemente foi às lágrimas ao falar sobre a situação do América na competição.

Confira a opinião dos jogadores sobre a luta contra o rebaixamento:

Para você, que erros o time cometeu para estar nessa situação a quatro rodadas do fim do campeonato?

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Grafite: O Campeonato Brasileiro é difícil, longo, é preciso um grupo forte. Apenas os titulares não bastam. Estamos com o mesmo time que ganhou o Campeonato Pernambuco e Copa do Nordeste. Alguns atletas chegaram, mas a base é a mesma, e não dá para comparar um torneio nacional com um estadual ou regional. Também tem a questão do desgaste físico, lesões, os jogadores não conseguem manter o mesmo nível durante toda a competição. Não tivemos reposição à altura. Faltou um pouco. Algumas contratações não vingaram, não nos ajudaram, Outros chegaram e se encaixaram bem. E teve troca de treinadores, tivemos três ao longo da Série A. Tudo isso prejudica.

Tony: É difícil apontar os erros que podem ter levado a isso. As pessoas responsáveis pelo departamento de futebol é que devem fazer essa análise e resolver. Não dá para um jogador pontuar quais foram as falhas do clube.

Por que acha que a torcida não acompanhou o time na primeira divisão, como costumava fazer nas divisões inferiores e nos torneios regionais?

Grafite: Nossa campanha não está sendo digna do torcedor do Santa Cruz. A gente cobra que eles nos apoiem, mas precisamos mostrar resultado dentro de campo. Hoje em dia, é fácil ver um jogo pela TV. Nosso torcedor não é aquele que tem muito dinheiro. Pela história do Santa, a torcida tira de dentro de casa para comprar ingresso e apoiar o time. Quando o Santa Cruz estava na Série D, Série C, viu que mais era necessário ir ao Arruda apoiar o clube. O calendário era menor. Hoje não, tem jogo toda a semana, isso pesa contra o comparecimento. Nossa média caiu bastante, nossa campanha não é digna da torcida. Afastamos o torcedor do estádio.

Tony: A torcida do América sempre foi a menor de Minas Gerais em questão de número, mas é uma torcida muito fiel, apaixonada, que nos acompanha em viagens. Nossa campanha não tem ajudado muito. Não tem como cobrar estádio lotado. Temos procurado fazer bem nossa reta final, o último jogo já teve um pouco mais de torcida. A gente tem que continuar conquistando os torcedores, mostrar bom futebol, independentemente da situação do clube. Temos que honrá-los, não importa que sejam um ou dois na arquibancada.

Você é um atleta experiente. O peso sobre você, nessa situação, é maior? Tenta tranquilizar os atletas mais jovens?

Grafite: Sim, e é normal, pelo peso de ter meu nome, por eu ter sido uma das maiores contratações do futebol brasileiro em 2015 e ter o maior salário do time. Ninguém imaginava que eu poderia voltar. Acreditei no projeto do Santa, conseguimos voltar à Série A depois de dez anos, vencemos o Pernambucano e a Copa do Nordeste. Infelizmente, não conseguimos o objetivo maior, que é manter o time na primeira divisão. A situação é delicadíssima. Sobre os mais jovens, tento ajudar e administrar isso da melhor maneira possível.

Tony: A gente está há mais tempo no futebol tenta passar para os mais jovens que é preciso fazer nosso papel bem feito para honrar a história do clube e o nosso nome também.

O que espera do jogo deste domingo? Ainda há esperança de ficar na elite?

Grafite: A realidade é essa, pode acontecer agora ou na próxima rodada. Temos que fazer nosso melhor, vencer o jogo e torcer pelos resultados paralelos. Se está ruim, imagina se continuarmos perdendo. Fizemos um bom jogo contra o Inter, mas não adianta nada um esforço desses para não fazer a lição de casa contra o América. Eles estão em situação parecida com a nossa, mas tem evoluído, ganharam dois jogos seguidos. É um time perigoso.

Tony: Expectativa de um jogo difícil, até pela situação das duas equipes. Ninguém quer ficar na lanterna. Vamos ter que jogar muito, correr muito e marcar muito para surpreender o Santa Cruz.

Estão psicologicamente preparados para o rebaixamento? Caso aconteça neste domingo, como manter a motivação até o fim do Campeonato Brasileiro?

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Grafite: Preparado para isso ninguém está. A realidade é essa, pode acontecer agora ou na próxima rodada. Temos que fazer nosso melhor, vencer o jogo, tentar pontuar e adiar esse rebaixamento o máximo possível. É difícil, além de ganhar temos que torcer por uma combinação de resultados. Vamos trabalhar, mas preparados para isso, não estamos.

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Tony: A gente tenta prolongar ao máximo. Sabe que pode acontecer a qualquer momento, seja agora ou daqui a três rodadas. Apesar disso, queremos honrar um clube com mais de 100 anos de história. Para mim, não há motivação maior que jogar a Série A do Brasileiro, o melhor campeonato do nosso País, ainda mais em um clube como o América, que nos dá toda a estrutura e respaldo necessários. Não tem porque ficar desmotivado. Do jeito que o Brasil está hoje, cheio de problemas sociais, é até um desrespeito com a sociedade, que tem problemas muito maiores que o nosso.

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