Estava desenhado: ideia de Cuca, charge embalou Verdão rumo à taça

O Palmeiras acabara de vencer o Corinthians em Itaquera quando Cuca teve uma importante reunião em sua sala na Academia de Futebol. A conversa não foi com Paulo Nobre, Alexandre Mattos ou algum atleta, mas com um torcedor. Bruno Venancio Lopes, professor de artes e palmeirense, recebeu uma missão naquele dia, acompanhada de um recado.

- Você não tem ideia da força que isso tem. Você vai fazer parte do título - disse o técnico.

Faltavam 12 rodadas para o Brasileirão terminar, e as contas de Cuca mostravam que mais sete vitórias garantiriam a conquista.

- Ele falou que ia precisar de um banner com caricaturas de todos os jogadores e o aviso: "Faltam sete". Eu achei que faria uma ilustração e eles só trocariam o número, mas depois me ligaram pedindo para eu atualizar a cada vitória, porque o Cuca tinha adorado - conta Venancio, que enviava a arte para que os funcionários do clube imprimissem.

Os desenhos passaram a acompanhar o time em todas as partidas. Quando o jogo era fora de casa, o banner ficava exposto no hotel. No Allianz Parque, fazia parte da decoração do vestiário alviverde.

A sétima vitória depois disso foi contra o Botafogo, em casa. Não garantiu, mas deixou o título a apenas um ponto de ser conquistado. Depois de passar todo o torneio fazendo contas e estudando a matemática de edições passadas, Cuca já sabia que a taça não teria mais como escapar.

O banner seguinte, colocado na parede do vestiário no dia da vitória por 1 a 0 sobre a Chapecoense, que confirmou a conquista, já tinha a inscrição "eneacampeão brasileiro" e mostrava não só jogadores, comissão técnica e diretoria, mas funcionários de todos os setores do clube.

- Chorei muito quando o jogo acabou, minha noiva até foi ver se eu estava bem. Foi muita pressão. Como professor, já tenho de fechar médias, cumprir prazos, já é difícil. Como eu precisava mandar a arte para o pessoal do Palmeiras imprimir na gráfica, os prazos eram bem apertados, tinha de fazer de madrugada. Na última sexta antes da partida do título fui dormir às 3 da manhã e acordei às 8h para dar aula. Acho que nunca vou viver algo assim - diz Venancio.

O artista foi "premiado" na segunda-feira passada. Convidado para o jantar do título, tirou fotos com diversos jogadores e com Cuca.

- O Cuca agradeceu e falou que queria um banner para ele. Entreguei uma arte com todos os desenhos de presente. O Mattos me falou que pegou um para ele, o Mina reclamou que estava feio no desenho, o Alecsandro falou que estava muito careca (risos) - lembrou.

Venancio só não foi a nenhum jogo da campanha. O motivo é compreensível, sobretudo para Cuca.

- Você não tem noção do quanto sou supersticioso. Não tinha ido em nenhum, não seria no último...

Vai virar tatuagem

Bruno Venancio Lopes vai eternizar na pele o ano em que ajudou o Palmeiras, seu clube do coração, a ser campeão.

- Tive sorte de cair na minha mão. O Cuca pediu o banner e o pessoal lembrou de mim, porque já fiz uns trabalhos para o clube. É o título mais importante que já comemorei e vou fazer uma tatuagem sobre isso nesta semana. Vou fazer o símbolo do Palmeiras e escrever em italiano em volta algo como "o ano em que participei do título" - contou.

- E ainda me ajudou financeiramente. Estou construindo uma casa e, justo no pior mês, aparece um "freela" (trabalho temporário) desses - festejou.

Confira um bate-bola com Bruno Venancio:

Como o Cuca chegou até você?

Depois do jogo contra o Corinthians em Itaquera, aquela euforia toda, o pessoal do Palmeiras me ligou. Eu estava no supermercado e fiquei surpreso, porque falaram: "Precisamos de você aqui em São Paulo amanhã". Fiquei em choque, sem saber o que era, imaginando que seria uma ilustração simples, porque já tinha feito trabalhos para o clube antes. Cancelei minhas aulas no interior, fui para São Paulo, e chegando lá disseram que o Cuca queria falar comigo. Pensei: "Pô, quem sou eu, né?". Fui lá na sala dele, ele me cumprimentou e disse que tinha feito as contas, que precisava de sete vitórias, e encomendou a arte.

Você se sentiu parte da campanha do título mesmo?

Eu não tinha muita noção do que estava acontecendo. O pior é que eu não podia falar para ninguém. Faltando três vitórias, vazou uma foto (do auxiliar Cuquinha com o banner de fundo). Fiquei em choque, já pensando naquele pôster do Santos antes da final da Copa do Brasil. Achei que nada mais ia dar certo. Nesse último, fiz todo mundo. O Moeda, que é um funcionário do clube, até me agradeceu. O Vitor Hugo gostou de estar com nariz de porco dando cambalhota na imagem, o Gabriel disse que foi importante, o Jailson e o Alecsandro querem que eu faça as famílias...

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