Amuletos, noites no CT e trabalho intenso: Cuca diz adeus após 9 meses

Após 39 semanas de uma relação intensa, Cuca dirá adeus ao Palmeiras no jogo contra o Vitória, às 17h deste domingo, no Barradão, já como campeão nacional.

O técnico respirou o clube por nove meses. Nos dias de trabalho que se alongavam, dormia no CT. Em uma reunião, avisou que puniria qualquer fofoqueiro que fosse descoberto. O fato de as paredes às vezes terem ouvidos é apontado por ele como um dos motivos para decidir dar um tempo do futebol.

Cuca faz questão de participar de todos os departamentos do clube, da diretoria à assessoria de imprensa, várias vezes incumbida de avisar aos jornalistas que o treinador queria bater papo informal, sem câmeras.

Em uma dessas "resenhas", sempre cheias de causos e piadas, ele disse que os repórteres poderiam ver o treino e divulgar a escalação, desde que não filmassem ou relatassem jogadas. Mesmo nesses casos, o time que jogava sempre tinha surpresa.

No começo do Brasileiro, Cuca pediu para dar coletiva fora da sala de imprensa, com os jornalistas em pé à sua volta. A ideia era diminuir o distanciamento e entender, depois das perguntas e tomando chimarrão, porque estava sendo alvo de leituras labiais e câmeras indiscretas, como a que o flagrou usando ponto eletrônico contra o Flu e o fez ser punido.

Na busca por reforços, Cuca nunca se contentou em receber e aceitar sugestões. As chegadas de Mina, Tchê Tchê e Róger Guedes e a troca de Robinho e Lucas por Fabiano e Fabrício tiveram grande participação dele, que até ligou aos atletas.

Mas também houve casos em que ele e seus superiores não falaram a mesma língua. Se dependesse só de Cuca, haveria mudanças maiores no elenco antes do Brasileiro. Assustado com as quatro derrotas em seus quatro primeiros jogos, ainda antes das quedas no Paulista e na Libertadores, o técnico montou uma lista de desejos. Os nomes seriam de Gum, Everton, Leandro Donizete, Pierre... Nenhum deles foi contratado.

Depois, com medo dos efeitos da ausência de Gabriel Jesus no período da Olimpíada, passou o mês de julho pedindo um 9 de peso - queria Nico López -, mas a diretoria achou que não era hora de investir. O auxiliar Eudes Pedro, seu fiel escudeiro, foi ao Twitter quando a janela fechou para dizer: "Claro que a comissão técnica não ficou satisfeita".

Com o tempo, Cuca foi se habituando aos seus interlocutores - e vice-versa. Com Dudu, aprendeu que era melhor um tom mais "parceiro" do que uma bronca. Se não morrem de amores pelo chefe, com quem tiveram atritos, Barrios e Rafael Marques ao menos terminaram o ano respeitando suas decisões e focados na conquista.

O técnico passou a última semana muito mais leve e sorridente. Sabe que fez um ótimo trabalho e cumpriu seu objetivo. Chegou a hora de descansar para, quem sabe um dia, viver tudo isso de novo.

A religião, os amuletos e o lema

A calça vinho, as meias beges, o relógio verde e as chuteiras brancas que se transformaram no "uniforme da sorte" de Cuca ao longo do Brasileirão estão longe de ser os únicos amuletos dele. Mais do que as superstições, o técnico se apega mesmo é na religião e na enorme devoção por Nossa Senhora Aparecida.

Entre as várias "santinhas" que beija antes, durante e depois dos jogos, está uma pulseira branca de Nossa Senhora que o comandante carrega no braço direito. Foi um presente da mãe de Padre Marcelo Rossi, intérprete de "Noites Traiçoeiras", música que também guia o treinador.

Há anos, ele repete a mesma frase para encontrar forças nos momentos difíceis: "Tudo o que Deus faz é bom". Na passagem pelo Palmeiras, o lema foi usado sobretudo após as eliminações no Paulista e na Libertadores, que converteram o primeiro semestre do clube em um fracasso, mas ao mesmo tempo deram ao clube um período grande de "pré-temporada" antes do Brasileirão.

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber notícias de esporte de graça pelo Facebook Messenger?
Clique aqui e siga as instruções.

UOL Cursos Online

Todos os cursos