'Números comprovam que revisões em vídeo são boas para o esporte'

Durante a semana, duas polêmicas cercaram a utilização do árbitro de vídeo durante o Mundial de Clubes da Fifa. Com o sistema começando a ser introduzido, ainda existem muitas dúvidas com relação a eficiência da ferramenta. Na NFL, esse tipo de sistema já é utilizado e vem dando certo.

Para explicar o sistema, Antony Curti, comentarista de NFL na ESPN Brasil e editor-chefe do site Pro Football, mostrou a fundo como começaram as revisões.

- O marco do replay como forma de rever jogadas surgiu na NFL com o aperfeiçoamento das transmissões. As primeiras a usarem mais câmeras foram as do Monday Night Football na década de 70. Em 1976, o VP de arbitragem da NFL assistiu a uma partida com um cronômetro para ver quanto tempo "se perderia" na revisão. Um lance num jogo dos Bills poderia ser corretamente marcado se houvesse revisão - o que não acontecia ainda - disse Curti, que também comenta o futebol americano universitário no canal por assinatura.

- Dada a necessidade óbvia de se usar o vídeo para ajudar os árbitros, na década seguinte, paulatinamente, a liga começou a introduzir a revisão. Mas ela era feita de ofício, sem ser motivada por desafio de um dos técnicos. Somente em 1999 a revisão começou a ser como é hoje. Além das revisões "de ofício", que partem da própria arbitragem quando há pontuações ou turnovers, cada técnico tem dois desafios por jogo. Se perderem um dado desafio, perdem um tempo técnico. Se vencerem os dois, ganham um terceiro extra.

- O sistema é assim montado para propiciar melhores chamadas, de modo que a revisão seja uma ajuda para a arbitragem. No final das contas, a modificação da chamada em campo só ocorre quando não existir nenhuma dúvida razoável de que uma ou outra marcação seja a correta.

Para comprovar a eficiência do formato, Curti também mostrou com números o quanto o vídeo diminui os equívocos durante as partidas, mesmo que não seja um método 100% livre de erros.

- Objetivamente falando, temos números para comprovar que as revisões são boas para o esporte. Considerando o pressuposto do árbitro ter que ter 100% de certeza, o número de marcações revertidas mostra como foi útil. De 1999 a 2013, a média foi de uma revisão por jogo (de ofício ou desafio). E destas, 36% foram revertidas. 36% de erros a menos, é assim que temos que ler.

- O futebol americano sempre foi pioneiro no que tange ao uso da tecnologia para ajudar os árbitros. Mas isso em nada impediu que o beisebol, esporte mais conservador e tradicional no que diz respeito a essas interferências, fizesse o mesmo. O benefício, tirando para quem ama discutir erro de arbitragem no dia seguinte, é óbvio. Se a "pureza do esporte" é, para alguns, alterada pela revisão eletrônica, ao menos a justiça e "pureza do resultado" é engrandecida - completou.

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