Especial CEP: pagamento das dívidas, duelo com Loco Abreu na justiça e otimismo pela continuidade da Caixa

Ao longo desta terça-feira, o LANCE! publica uma entrevista exclusiva com o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, que vai começar, em 2017, o último ano do mandato. Mais cedo você já pôde ler sobre o que o dirigente falou sobre negociações e o balanço do período à frente do Glorioso.

Nesta terceira parte, CEP revela detalhes da tão complicada vida financeira do clube de General Severiano, e de como as dívidas estão sendo sanadas. Ele lembra que, apesar do otimismo, a Caixa Econômica Federal não está garantida na próxima temporada.

As dívidas estão todas mapeadas?

É um problema muito sério. Tem o passível visível e o que está maquiado. O passível cível é muito cheio de surpresas. Porque tem ações tramitando há muito tempo e as pessoas já consideravam que essas ações viraram pó. Assim que o Botafogo voltou a ter postura no mercado, pagando salários em dia, as pessoas aparecem na porta do clube , cobrando. Sem falar da herança deixada pela gestão passada e o elenco de 2014, que foi caro, produziu pouco e não recebeu. Há outros que deixaram de receber direitos de imagem e agora estão aparecendo. Tem causas na FIFA... Ganhamos, recentemente, o direito de receber o pagamento de US$ 323 mil pelo Fellype Gabriel. Estamos disputando contra Loco Abreu, Zeballos, Arévalo Rios. Tem coisas impressionantes. Além do departamento financeiro, o jurídico é de extrema importância. As pessoas, quando mencionam o jurídico, falam de Willian Arão. Ele é um grão de areia no trabalho.

Mas as dívidas estão equacionadas?

Agora conseguimos, com os descontos do Profut, reduzir em quase R$ 100 milhões e seguimos trabalhando. Vamos aguardar o fechamento do balanço, mas não deve ter dado para diminuir muito. Para pagar a dívida, tem que gerar dinheiro novo. E estamos vivendo uma crise complicada no país. Tivemos um 2016 sem o Nilton Santos disponível, e esse anos será o primeiro que o trabalharemos para ter receita. Tivemos a parceria com a Caixa para atuar no ano que vem. A Libertadores foi um fator importante. Mas aí vem a dificuldade: ou você reforça a equipe para essas questões ou paga a dívida. Vai que você paga as dívidas e perde tudo que ganhou no campo... da parte trabalhistas e todas as ações nós temos uma quantia elevada. Eu digo sem medo de errar: se não tivéssemos que pagar o Ato Trabalhista, teríamos uma situação financeira muito melhor. Para janeiro, vamos pagar R$ 1,7 milhões por mês de Ato. E vai aumentando ano a ano, em dez anos. Retiramos dinheiro da receita corrente do clube. Bota aí mais R$ 600 mil de Profut, o que dá R$ 2,3 milhões, uma quantia significativa. Se pudesse levar esse valor para o futebol, seria importante. Eram 10 anos, agora são só oito anos para a divida trabalhista. A fiscal, com o Profut, dura 20 anos. Mas é um caminho que todos os clubes devem seguir, trouxe benefícios. A responsabilização dos dirigentes por má gestão, pelos atos nos clubes, é um caminho interessante. Sempre podemos melhorar, em tudo. Em alguns pontos podemos trazer pessoas, principalmente na área comercial do clube. Neste segmento, num ano em que a economia está difícil, fazer um investimento.

Pelas respostas anteriores, o senhor considera o Botafogo, hoje, um clube viável, rentável?

Se fosse uma empresa, eu te diria que não. Mas é um clube, tem um tratamento de empresa sem fins lucrativos. A nossa busca não é a mesma da empresa que fabrica cerveja. E os consumidores tem um potencial grande, que são os torcedores. Confiamos e contamos muito com eles. Quando se tem um ano com perspectiva, como o de 2017, com estádio disponível e uma equipe que vem de boa colocação, é o momento de ouvir a resposta por meio dos planos de sócio-torcedor, com as idas ao estádio. É um clube viável, mas que demanda cuidados na gestão. Equilíbrio é a palavra mais importante. Entre apresentar bons resultados no campo esportivo e honrar seus compromissos.

Após superar equipes de orçamento maior, o Botafogo se manterá neste patamar técnico e financeiro?

Um amigo meu, conversando sobre esse ano, disse que sou um cara de sorte porque as coisas estão acontecendo no momento certo. Em 2014, o grande desafio era como pagar o Refis (Programa de refinanciamento de dívidas) com contas bloqueadas, cheio de ameaças, a questão do Elkeson (dívida junto ao Vitória que poderia resultar em perda de pontos na Série B) e 22 jogadores indo embora. Passamos um bocado, aí veio o Profut. Aderimos ao Ato Trabalhista e caminhamos bem no Campeonato Brasileiro. Aí a Conmebol aumenta o número de vagas. Estávamos no lugar certo e na hora certa. Acho que tem que contar com uma conjunção de fatores. Nada é isolado. Vamos enfrentar um 2017 desafiador, e vamos buscar nos organizar da melhor maneira possível, com pré-temporada, trazendo os reforços que consideramos importantes e vamos contar com a nossa qualidade e estrela para estarmos no lugar certo na hora certa. Tem muitos clubes com uma capacidade financeira maior que o Botafogo, e por isso perdemos algumas disputas por jogadores, mas o que a torcida pode ter certeza é de que vamos seguir o trabalho montado e tentaremos repor as peças que vamos perder da melhor maneira possível. E se os mais ricos bobearem... porque sabemos que só dinheiro não resolve. Eu mesmo sempre falava que o Atlético-MG era o grande time para 2016, e eles ficaram só três pontos na frente da gente. Um belíssimo resultado para nós, comparado com o que eles investiram.

A Cercred renovou?

Sim. A Cercred estará presente nas mesmas posições, renovou. Vai continuar fazendo também o nosso call center e estamos felizes com isso. Renovamos para 2017, e valor nós não comentamos, porque tem cláusula de confidencialidade.

É possível prever uma parceria de longo prazo com a Caixa?

O contrato acaba agora. Eu não via questões políticas nas negociações com a Caixa. A equipe executiva deles é muito técnica. Todo o trabalho de imagem e visibilidade está ligado à questão técnica. Nós tivemos que contratar empresas especializadas para oferecer retorno à Caixa, comprovando que, em mídia, seria importante para eles. Haverá uma reunião do Conselho da Caixa para a renovação do patrocínio. Claro que é bom contarmos com botafoguenses na política, como o Rodrigo Maia (presidente da Câmara dos Deputados) e o Renan Calheiros (do Senado), mas a questão da Caixa foi toda técnica. Aguardamos a reunião com a certeza de que estamos bem colocados. Até pela visibilidade, todas as prévias do marketing foram positivas. A Caixa recebeu muito mais em imagens do que se tivesse comprado espaços.

Tem plano B, se a Caixa não permanecer?

No futebol, temos que ter plano B, C e D. Mas ainda estamos trabalhando, podemos ter outros patrocinadores na camisa, desde que não sejam concorrentes da Caixa, de menor expressão mercadológica. Um dos esforços do deparamento comercial é procurar os empresários e falar: "Olha, não é um sonho você poder ter um espaço na camisa do Botafogo. É uma realidade."

Houve recentemente uma polêmica sobre o que teria sido a antecipação de receitas de outros mandatos. O senhor antecipou tais receitas?

Claro que não. Primeiro porque nós somos regidos pela lei do Profut. Você não pode avançar sobre recursos dos outros mandatos. Foram duas negociações distintas: um momento de negociação com a televisão, que nos procurou. E a televisão fez uma adiantamento do contrato, que foi aprovado pelo Conselho Fiscal, pelo Deliberativo, e nós já estamos pagando desde já. Não deixei para outra gestão. E o segundo ponto é um legado importantíssimo que os presidentes assinaram a negociação de 2019-2024, que encerra o ciclo da negociação individual. Hoje é um sistema em que as receitas são distribuídas de forma igualitária. Uma parte vai para sua posição no campeonato e a fica relativa à visibilidade dos seus jogos na televisão. Se tiver um desempenho bom em campo, você deve ter um ganho positivo. Para assinar esse contrato, você recebe uma luva, e foi isso. É algo político, e é melhor que eu assuma e lide com isso. Mas foi tudo discutido dentro do clube, até porque foi pré-requisito da televisão passar pelo Conselho.

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