Aos 100 anos, palmeirense visita o Allianz Parque pela primeira vez

  • Alexandre Guariglia/Lancepress!

Uma coisa é certa, a paixão por um clube não envelhece, mesmo que a idade física chegue. Assim é Gustavo Cipullo - também conhecido por Dino - 100 anos de idade e morador do bairro da Mooca. Apesar do sobrenome, bem conhecido nas alamedas palmeirenses, o parentesco é distante, assim como era o contato com a nova arena do clube, a qual sonhava conhecer até poder ter a chance de realizar o desejo com um tour pelo Allianz Parque.

Nascido em 1916, no interior de São Paulo, dois anos após a fundação do clube, Gustavo acompanhou a ascensão e todas as fases da história de um gigante do futebol brasileiro. Como torcedor, sofreu, contribuiu, presenciou e não se cansou, até hoje se considera fanático, mas para evitar o nervosismo, não assiste aos jogos, o rádio é seu informante.

"Eu vinha de bonde para cá, descia aqui perto e chegava a pé no clube. Hoje não dá mais, só de longe mesmo", lamentou apontando para a cadeira de rodas que auxiliava a sua locomoção durante a visita.

Assim que chegou à arquibancada Superior Oeste, fez questão de se levantar da cadeira que o transportara até ali para se aproximar do vidro que protege o torcedor.

"Não imaginei que veria o "Palestrinha" desse jeito. Que coisa linda", disse emocionado antes de ficar cinco minutos em silêncio admirando o estádio.

Antes de voltar à cadeira de rodas, pediu para tirar uma foto com o filho e o sobrinho que o acompanhavam no tour. O gesto foi repetido em cada um dos pontos da visita.

Na chegada ao vestiário, Dino pediu para se aproximar da imagem de dois jogadores: a de Gabriel Jesus e a de Zé Roberto, jogadores que admira no elenco atual, mas lamentou a perda de um deles.

"Esse menino é muito bom (sobre Gabriel Jesus), passou muito rápido por aqui, pelo menos foi campeão", ponderou.

Em seguida, após assistir a um vídeo que relembrava momentos históricos do clube, chegou o momento mais esperado pelo centenário senhor: a entrada no campo. Mais uma vez Gustavo abriu mão da cadeira de rodas, se posicionou como se fosse um jogador à beira da escada momentos antes de pisar no gramado.

"Pode deixar, daqui eu vou sozinho - pediu, antes de pegar a mão de seu sobrinho para ajudá-lo a encarar o desafio de escalar cada degrau.

O encontro com o terreno sagrado do time que cultua há quase um século foi a realização de um sonho, talvez até de menino, que não poderia deixar de ser concretizado diante de tamanho sentimento.

"Não queria morrer antes de ver o novo Palestra", balbuciou tentando conter a emoção e ao mesmo tempo olhar para cada canto da arena.

Para finalizar, Gustavo pediu para se sentar no banco de reservas a fim de descansar e fugir do sol, que castigava até mesmo os mais novos. Mas cansaço não é a palavra mais correta para classificar a reação de Dino. Para quem tem 100 anos de vida e de paixão, o relaxamento foi o alívio de uma realização inesquecível.

 

 

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