Carlinhos convence pai, "muda de nome" e brilha na Copinha pelo Corinthians

  • BRUNO CASTILHO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Nenhum corintiano que acompanha a Copa São Paulo de Futebol Júnior conhece Moisés, mas todos sabem quem é Carlinhos, artilheiro da equipe na competição, com seis gols marcados em três jogos da primeira fase. Aos 19 anos, Carlos Moisés de Lima levou muitas broncas do pai até chegar ao sub-20 do clube.

"Um homem grandão daquele sendo chamado de Carlinhos não combina. Eu queria que o chamassem de Moisés, mas agora já era (risos)", brinca Carlos, pai do jovem atacante, lembrando do 1,95m de altura do filho.

Nascido em Jaú, interior de São Paulo, Carlinhos desde pequeno já não largava a bola. Seu pai era contra as idas do filho aos campeonatos na cidade, mas nada parava o atual camisa 9 d na Copinha.

"Ele começou com seis anos nos torneios que reunia as creches. Eu não gostava, porque queria que ele seguisse outro caminho. Depois ele cresceu e continuou disputando campeonatos e se destacando. Ele ia até escondido jogar bola, e a vó dele não deixava eu o castigar, então ele continuava. Até que um dia eu pensei "vou deixar esse cara ser o que quiser", recorda Carlos.

Até então uma brincadeira de escola, o futebol passou a tomar proporções maiores na vida de Carlinhos aos 11 anos, quando passou em um teste no Grêmio. A distância da família, porém, adiou o sonho do garoto em defender um clube grande.

Depois de rodar na adolescência por diversos clubes, inclusive o Santos, Carlinhos chamou a atenção do Novorizontino quando defendia o Noroeste. Em poucos meses no Novorizontino, veio o maior desafio da vida do atacante: defender o Corinthians e ir morar sozinho em São Paulo.

"Mesmo morando longe da gente, graças a Deus nunca nos deu trabalho. Às vezes a mãe dele tem que dar umas broncas, mas são coisas normal da idade. No geral, ele é um garoto muito tranquilo. É um menino que tem tudo para brilhar: pelo jeito dele, ele tem sorte, sabe marcar gol desde pequeno...", diz o pai coruja.

Os elogios não são apenas do pai. O ex-centroavante Guilherme Alves, atualmente técnico do Linense, foi um dos responsáveis por dar chances ao atacante no Novorizontino.

"O Carlinhos chegou ao Novorizontino muito jovem, com 16 anos. Desde então ele já chamava a atenção, por isso cheguei a utilizá-lo em alguns amistosos antes de disputar a Série A3 do Paulista. Infelizmente, ele ficou pouco tempo no Novorizontino, e não nos falamos mais depois que ele foi para o Corinthians", analisa Guilherme.

"Ele é um menino muito bom e é diferente em campo. Nunca deu problema de indisciplina, apenas era um pouco "avoado". Tive que puxar a orelha dele porque chegou a faltar em um treino porque estava com dor de cabeça e não avisou. Então dei um toques, falei que não poderia ser assim e ele melhorou. Agora, se ele focar no futebol, tem tudo para ter uma carreira brilhante, porque é um jogador acima da média", acrescenta o treinador.

Nesta quarta-feira, Carlinhos tem uma nova chance para mostrar que é um "atacante diferente". O Corinthians enfrenta o Manthiqueira, a partir das 18h45, em Taubaté, pelo mata-mata da segunda fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Se o camisa 9 repetir o retrospecto dos últimos três jogos, o torcedor corintiano pode ficar tranquilo.

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