Kazim esbanja carisma, cita sonho e promete empenho no Timão: 'It's real'

Comprado do Coritiba por R$ 1,2 milhão, o atacante inglês naturalizado turco Colin Kazim Richards foi apresentado pelo Corinthians na tarde desta quinta-feira, no CT Joaquim Grava. Há cinco meses no futebol brasileiro, o jogador de 30 anos tentou conceder sua primeira entrevista coletiva em português, mas por diversas vezes esbarrou no idioma e pediu ajuda à esposa, Mariana, que ficou sentada na primeira fileira da sala de imprensa. Apesar da dificuldade com o idioma, Kazim deixou claro que estar no Timão é a realização de um sonho.

- Eu senti que meu objetivo era ajudar o Corinthians quando buscaram minha contratação, porque é o melhor clube das Américas para mim. É espetacular, é o mais grande. Era meu sonho, sonho do meu pai, que adora o futebol brasileiro. Meu pai é de 1949, então gosta de Zico, Romário, Ronaldo Fenômeno. Eu sinto dificuldade para explicar porque é uma coisa nova. É diferente aqui. É um time super. Sem desrespeitar os outros times, mas aqui é uma coisa diferente, especial. Meu jogo é o jogo do corintiano, porque eu morro pelo meu time. O calor que tem essa camisa corintiana não dá nem para sonhar. Eu nasci em Londres e estou aqui agora jogando no Corinthians. Ninguém pode sonhar com isso. É incrível. Mas agora não é mais sonho, é realidade. It's real. Já assinei, agora é jogar bola - disse o estrangeiro.

O Corinthians fez uma apresentação "européia" para a primeira contratação anunciada em 2017. Em vez de receber a camisa das mãos de um dirigente na sala de imprensa, o jogador recebeu no gramado do CT Joaquim Grava, bateu bola com o filho Caio, de cinco anos, e fez embaixadinhas diante das câmeras. O jogador foi apelidado pelo clube de "gringo da favela" nas redes sociais, e adotou a alcunha por conta de seu passado sofrido.

- Favela é uma coisa única do Brasil. Mas eu conheço todos os problemas, tive amigos presos, cidade ruim, família não tinha dinheiro, meu pai trabalhava em três trabalhos. Eu dei sorte de ser um jogador de futebol. Para mim, ser um gringo da favela é normal. É para mim, para minha família, para a torcida do Corinthians. Jogo futebol há 13 anos. E antes disso eu não tinha comida, chuteira, tênis, trabalhei forte. Eu entendo a pessoa não ter dinheiro para comer e preferir comprar um ingresso para um jogo. Eu quero jogar aqui, gosto do time. É o gringo da favela. Não que eu more na favela, i'm not from da favela, but I understand, eu vi os comentários, eu entendo.

Kazim assinou contrato com o Corinthians por duas temporadas e já viaja para a Florida Cup no próximo domingo. Ele está integrado á pré-temporada e disposto a marcar seu nome na história do Timão.

- Se falarem para ser atacante, lateral, qualquer posição, eu respeito e tento dar meu máximo, não tenho qualquer problema nisso, vou tentar sempre. Posso jogar em três ou quatro posições, mas onde o treinador mandar eu vou. Eu sou um jogador de equipe, eu ajudo, mentalidade para ganhar três pontos em 90 minutos - explica o jogador, que levou toda a família - corintiana - à apresentação.

- Minha família é louca corintiana. Meu filho comprou essa camisa do Corinthians e não tirou. Dois dias e não tira, não sabe outro time. Minha esposa nasceu em São Paulo, em Guarulhos. Tudo deu certo para eu jogar aqui. Eu tenho paixão, coração, tenho tudo para jogar aqui. É um grande fator dizer que sou jogador para meu time, eu morro por essa camisa, entende?.

CONFIRA OUTRAS DECLARAÇÕES DE KAZIM EM SUA APRESENTAÇÃO:

PASSAGEM PELO CORITIBA

"Olha, antes eu quero falar obrigado ao Coritiba. Se eu não jogasse lá, não chegaria aqui. Mas aqui é diferente. Estou aqui há dois dias, tem 50 pessoas trabalhando aqui, cinco pessoas só do departamento físico. O campeonato aqui é difícil, todo jogo é complicado. Tem 11 times que podem ganhar o título. Eu tive propostas da China, Turquia, Dubai, mas eu falei não. Porque ganhar um título com o Corinthians, aí o futebol acabou. É diferente. Me acostumei ao campeonato agora. Eu não tive pré-temporada no Coritiba, joguei meio ano direto, me lesionei, meu ritmo acabou e retornei contra o Corinthians. Nem treinei, fui direto para o jogo".

MAU ANO DE 2016 NO CORINTHIANS

"2016 acabou. Agora é 2017. Agora é muito importante nosso grupo se juntar e treinar bem, porque podemos tudo. Futebol muda toda semana".

IDIOMA E O QUE JÁ APRENDEU NO CORINTHIANS

"Na minha opinião meu português é bom. Estou só há cinco meses. Minha criança me ajuda, ela fala: não pai, não é assim. "Vai Corinthians' já aprendi. 'O gringo é da favela'. E 'sou da Fiel'. Já aprendi tudo isso sobre o Corinthians".

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